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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Como vejo Francisco

Por Frei Vitório Mazzuco, ofm

Vejo Francisco como um escândalo positivo e necessário que abalou seu tempo e continua impactando até hoje. Um modelo vivo do melhor que a humanidade produziu nestes últimos oito séculos, um santo natural, caseiro e vizinho de todos, com sua atraente simplicidade, com seu cristianismo de sedução, com sua conquistadora humildade e uma vida que arrasta. É o simpático admirado universalmente. Reuniu um número considerável de seguidores e seguidoras em sua época que santificaram estradas e paisagens. Amou apaixonadamente Jesus Cristo e seu Evangelho a ponto de ficar igualzinho ao Deus Encarnado, deixando que este amor marcasse seu corpo com as chagas do Amado.

Vejo Francisco como um asceta que abraçou a fraternidade de um modo pleno e cordial; um cantor da criação, menestrel dos louvores mais puros ao Criador, uma comunhão de afetividade e espiritualidade, um cultor da paz e do bem. Ele é a estética do simples e o onipresente em tantas representações iconográficas. É o santo dos pobres e dos pássaros, da cruz e do presépio, da eucaristia e da poesia. É o santo dos caminhos e das grutas, das montanhas e das planícies, dos nichos e catedrais. Um cavaleiro fiel da Senhora Dama Pobreza cheio de fidelidade e gentileza. Um Sol de Assis, como diz Dante, e uma Clara Lua, como diz seu lado mãe e irmã na Clara Flor de Assis, confidente e portadora de seus contemplativos segredos. Um Mestre espiritual do Ocidente reverenciado no Oriente, um profeta que atravessa a linha de guerra das Cruzadas e vai dialogar com o sultão numa conversa de homens de têmpera e fé.

Vejo Francisco como um mendigo despojado que possui a única riqueza essencial. Preso em Perugia libertou seus sonhos. Abraçou leprosos, curando as podres cicatrizes da exclusão. Tocou violino em galhos secos e dançou a alegria ridente e luminosa dos que possuem a liberdade de espírito. Reconstruiu a casa da existência calejando as mãos e cuidando dos pilares da alma. Brigou com o pai avarento e reconciliou-se com a prodigalidade. Deu um salto de qualidade para ensinar que conversão é mudar de lugar e não apenas câmbio de mentalidade. Vejo Francisco o jeito mais gostoso de ser irmão, a sensibilidade de uma mãe, a parceria de um compadre, a sempre presente energia de um amigo… Enfim, meu Pai Seráfico, Mestre Espiritual a ensinar que ser do jeito de Jesus não é estar na prisão de obscuras doutrinas, mas tornar fácil o caminho dos que vêm seguindo as marcas da Boa Nova. Assim vejo, sinto e vivo Francisco.

domingo, 2 de outubro de 2016

A respeito da compaixão em São Francisco de Assis

Fonte: franciscanos.org.br
1. Compaixão e simpatia não são palavras sinônimas. Os dois termos, no entanto, remetem para a mesma ideia: uma aptidão de sofrer com…, de sentir com. Simpatia é a face solar de sentimentos partilhados, a compaixão seu lado dolorido. A compaixão seria doce se pudesse se revestir de sentimentos de simpatia. A simpatia seria indulgente, se ela não ignorasse a compaixão. Em São Francisco os dois sentimentos se unem quando a Regra não bulada afirma: “E devem (os irmãos) estar satisfeitos quando estão no meio de gente comum e desprezada, de pobres e fracos, enfermos e leprosos e mendigos de rua” (Regra não bulada 9,3). Em resumo, os irmãos se façam presentes na vida de todos aqueles que carecem de compaixão.


2. A palavra compaixão não faz parte do vocabulário de Francisco em seus escritos. O termo, porém, é usado frequentemente por seus biógrafos e de maneira muito tocante: “Quem poderia descrever, afirma Celano, sua imensa compaixão para com os pobres?” (2Cel 83). Compaixão aparece na emoção do santo diante das “mãos aleijadas de uma pobre mulher” (1Cel 67), no fato de beijar os rostos desfigurados dos leprosos (Leg. Maior I,6), ao contemplar as misérias e desgraças do coração. Fazia suas as dores dos sofredores e se extasiava dolentemente diante das dores do Crucificado. Fez a experiência da dores do Amado de modo particular no alto do Alverne.

3. Se o corpo de Francisco, quase no final de sua trajetória, é assinalado pelas chagas de Cristo, tantas vezes contempladas e pranteadas com amor, é porque seu caminho de compaixão fez com que de homem em homem, de irmão em irmão ele acolhesse em a si a dor dos outros, não de maneira passiva e estereotipada mas com originalidade própria de tal forma que cada franciscano que contempla o modo de Francisco exercer a compaixão dispõe de um “vade-mécum” , um “modo de fazer” a compaixão, uma “receita do bolo”.

4. Chorar – A compaixão não necessita forçosamente se exprimir por lágrimas. Muitas vezes chorar, gemer, pode significar ensimesmamento, preocupação com a própria sensibilidade, decepção raivosa do próprio ego. E no entanto, as lágrimas não são coisas banais. Chorar pode ser expressão de uma tristeza. Há os que afirmam que aquele que perdura na tristeza anda fazendo aliança com o diabo. O diabo fica alegre quando pode surrupiar a alegria do coração das pessoas. Por pequenas brechas o inimigo tira a candura da mente: “A maior alegria do diabo é quando pode roubar ao servo de Deus o gozo do espírito. Carrega um pó para jogar nos menores meandros da consciência para emporcalhar a candura da mente e a pureza da vida” (2Cel 125). Quando alguém é dominado pela tristeza precisará chorar. “… se não for lavado pelas lágrimas produzirá no coração uma ferrugem que vai ficar” (Idem).

Algo de diferente parece estar representado no famoso quadro que representa Francisco enxugando as lágrimas com um lenço. O quadro nos leva a pensar que a compaixão pelos outros se traduz em abundantes lágrimas. A compaixão é um movimento que atinge o próprio corpo, que suscita e faz nascer intenção de colocar gestos precisos de compreensão e de misericórdia. Lágrimas de compaixão são aquelas que nos permitem ver mais claro, caracterizadas por lucidez e não por um nevoeiro afetivo e sentimental.

5. Dar – Como primeiro gesto de compaixão Francisco costumava se desfazer de alguma coisa que tinha em favor dos outros. “Com relação a todas as coisas que que lhe davam para aliviar as necessidades do corpo, ele estava acostumado a pedir licença aos doadores para poder distribuí-las licitamente se encontrasse alguém mais pobre. Não poupava absolutamente nada, nem mantos, nem túnicas, nem livros, nem sequer os paramentos do altar, sem deixar de dar tudo isso aos pobres enquanto podia para cumprir o dever da piedade. Muitas vezes vemo-lo carregar sobre seus ombros a carga que pobres andavam carregando.

“A mãe de dois frades veio uma vez ter com o santo, pedindo esmola com confiança. Compadecendo-se dela, o santo Pai disse a Frei Pedro Cattani, seu vigário: ‘Podemos dar alguma esmola à nossa mãe?’ Na verdade ,ele dizia que a mãe de algum irmão, era também sua mãe e de todos os irmãos. Respondeu-lhe Frei Pedro: ‘Não há em casa nada que lhe possa ser dado’. E acrescentou: ‘Temos um Novo Testamento em que, por não termos breviários, fazemos as leituras de Matinas. Disse-lhe o bem-aventurado Francisco: ‘Dá o Novo Testamento a nossa mãe para que ela o venda para sua necessidade, porque por ele somos admoestados a ajudar os pobres. Creio realmente que mais agradará a Deus a doação do que a leitura’” (2Cel 91).

Outro dom de Francisco foi o da sua palavra. O santo conhecia bem o desespero, pobreza, sofrimento moral e estado de inanição de seus contemporâneos. Muitas vezes ele lhes dirigia a palavra com tanto fervor que eles se sentiam consolados. Ora, a palavra que consola é uma palavra de compaixão. A palavra que consola alivia o peso que os outros carregam e faz com que sequem as lágrimas de seus rostos.
Referência: Nicole Granger, “La compassion chez saint François” – Évangile Aujourd’hui n. 198, p. 29ss

sábado, 1 de outubro de 2016

Francisco de Assis e este jeito de viver e pregar o Evangelho

Fonte: Blog Frei Vitório
São Francisco de Assis andou pelo mundo e enviou seus irmãos para o mundo para que vivessem, levassem e pregassem o Evangelho. A evangelização é simplesmente isto: ser, viver, levar a Boa Nova. Teve o seu modo próprio de evangelizar: a partir da fraternidade e da minoridade. A fraternidade é a família dos que estão na mesma consanguinidade espiritual, na mesma escolha, no mesmo projeto. Que projeto é este? Pegar a Palavra do Evangelho e colocar ali corpo, alma, mente, coração, sentimento, emoção, e mãos calejadas de obras. A minoridade é a renúncia do poder de quem tem saber, de quem tem poder, de quem tem muitas posses que ampliam o ter. É desapropriar-se de amarras para ser livre pelo caminho. Pregar o Evangelho não é para poderosos, mas para irmãos menores. Na fraternidade e na minoridade nada ter para tudo partilhar.

Para pregar o Evangelho é preciso sair pelo mundo, recolher-se em eremitérios, sair de novo, escrever cartas, ultrapassar fronteiras, contar apenas com a força da Palavra, sem precisar nem de bastão, nem alforge. Levar a paz e comer do que é oferecido pelo caminho. Pregar o Evangelho não é fazer exigência, mas oferecer serviço. Pregar o Evangelho é estar em prece e no modelo vivo de tantos exemplos. É ser a Boa Nova de Jesus Cristo, anunciada com firmeza, segurança, abraçando o momento com seus desafios, sem se desconcertar em situações contrárias.

Para levar o Evangelho é preciso ter a postura de Jesus: anunciar uma mudança, aproximar o Reino das pessoas e as pessoas do Reino. É expulsar o que faz mal, integrar o que está excluído, curar o que está adoecido, preparar bem um pequeno grupo de multiplicadores de um poderoso anúncio com uma capacidade ilimitada de amar e mostrar que a Boa Nova é querer bem a todos sem distinção. Ter esta grande reverência pela pessoa humana, de modo especial os pequeninos, a quem a verdade é revelada de um modo tão evidente. Pregar o Evangelho é fazer a Palavra carne da própria carne, sangue do próprio sangue, pulsar do próprio coração.

domingo, 4 de outubro de 2015

São Francisco - ícone vivo de Jesus

Fonte: Franciscanos.org.br

“Nasceu para o mundo um sol”: com estas palavras, na “Divina Comédia” (Paraíso, Canto XI), o máximo poeta italiano Dante Alighieri alude ao nascimento de Francisco, no final de 1181 ou início de 1182, em Assis. Pertencente a uma família rica – seu pai era comerciante de tecidos –, Francisco transcorreu uma adolescência e uma juventude despreocupadas, cultivando os ideais de cavalaria da época. Aos 20 anos, fez parte de uma campanha militar e foi preso. Ficou doente e foi libertado. Após sua volta a Assis, começou nele um lento processo de conversão espiritual, que o levou a abandonar gradualmente o estilo de vida mundano que havia levado até então. A este período correspondem os célebres episódios do encontro com o leproso, a quem Francisco, descendo do cavalo, deu o beijo da paz, e da mensagem do Crucificado na pequena igreja de São Damião.


Em três ocasiões, o Cristo na cruz adquiriu vida e lhe disse: “Vai, Francisco, e repara minha Igreja, que está em ruínas”. Este simples acontecimento da palavra do Senhor ouvida na igreja de São Damião esconde um simbolismo profundo. Imediatamente, São Francisco foi chamado a reparar esta pequena igreja, mas o estado ruinoso deste edifício era o símbolo da situação dramática e inquietante da própria Igreja nessa época, com uma fé superficial que não forma e não transforma a vida, com um clero pouco zeloso, com o esfriamento do amor; uma destruição interior da Igreja que comportou também uma decomposição da unidade, com o nascimento de movimentos hereges. Contudo, nessa Igreja em ruínas, o Crucifixo está no centro e fala: convida à renovação, chama Francisco a um trabalho manual para reparar concretamente a pequena igreja de São Damião, símbolo do chamado mais profundo a renovar a própria Igreja de Cristo, com sua radicalidade de fé e com seu entusiasmo de amor por Cristo.

Este acontecimento, ocorrido provavelmente em 1205, faz pensar em outro acontecimento similar, ocorrido em 1207: o sonho do Papa Inocêncio III. Este viu em sonhos que a Basílica de São João de Latrão, a igreja mãe de todas as igrejas, estava desmoronando e que um religioso pequeno e insignificante a escorava com os ombros, para que não caísse. É interessante notar, por um lado, que não é o Papa quem ajuda para que a Igreja não caia, mas um religioso pequeno e insignificante, que o Papa reconhece em Francisco quando este o visita. Inocêncio III era um papa poderoso, de grande cultura teológica, como também de grande poder político e, no entanto, não é ele quem renova a Igreja, e sim um pequeno e insignificante religioso: é São Francisco, chamado por Deus. Por outro lado, no entanto, é importante observar que São Francisco não renova a Igreja sem ou contra o Papa, mas em comunhão com ele. As duas realidades estão juntas: o Sucessor de Pedro, os bispos, a Igreja fundada sobre a sucessão dos apóstolos e o carisma novo que o Espírito Santo cria nesse momento para renovar a Igreja. Na comunhão se dá a verdadeira renovação.

Voltemos à vida de São Francisco. Dado que seu pai, Bernardone, reprovava sua grande generosidade com os pobres, Francisco, na frente do bispo de Assis, com um gesto simbólico, despojou-se de todas as suas roupas, pretendendo, assim, renunciar à herança paterna: como no momento da criação, Francisco não tinha nada, a não ser a vida dada por Deus, em cujas mãos se entregou. Depois, viveu como um eremita, até que, em 1208, houve outro acontecimento fundamental no itinerário da sua conversão. Escutando uma passagem do Evangelho de Mateus – o discurso de Jesus aos apóstolos enviados à missão –, Francisco se sentiu chamado a viver na pobreza e a dedicar-se à pregação. Outros companheiros se uniram a ele e, em 1209, ele se dirigiu a Roma, para submeter ao Papa Inocêncio III o projeto de uma nova forma de vida cristã. Recebeu um acolhimento paternal por parte daquele grande pontífice que, iluminado pelo Senhor, intuiu a origem divina do movimento suscitado por Francisco. O Pobrezinho de Assis havia compreendido que todo carisma dado pelo Espírito Santo deve ser colocado ao serviço do Corpo de Cristo, que é a Igreja; portanto, agiu sempre em comunhão plena com a autoridade eclesiástica. Na vida dos santos não há contraposição entre carisma profético e carisma de governo e, se houver alguma tensão, estes sabem esperar com paciência os tempos do Espírito Santo.

Na realidade, alguns historiadores do século XIX e também do século passado tentaram criar atrás do Francisco da tradição um “Francisco histórico”, assim como se tenta criar atrás do Jesus dos evangelhos um “Jesus histórico”. Este Francisco histórico não teria sido um homem de Igreja, mas um homem unido imediatamente só a Cristo, um homem que pretendia criar uma renovação do povo de Deus, sem formas canônicas e sem hierarquia. A verdade é que São Francisco teve realmente uma relação imediatíssima com Jesus e com a Palavra de Deus, à qual queria seguir sine glossa, assim como ela é, em toda a sua radicalidade e verdade. É verdade também que, inicialmente, ele não tinha a intenção de criar uma ordem com as formas canônicas necessárias, mas simplesmente, com a Palavra de Deus e com a presença do Senhor, queria renovar o povo de Deus, convocá-lo novamente à escuta da Palavra e à obediência a Cristo. Além disso, sabia que Cristo nunca é “meu”, e sim sempre “nosso”, que não posso ter Cristo sozinho e construir “eu”, contra a Igreja, contra sua vontade e seu ensinamento, mas somente na comunhão da Igreja constituída sobre a sucessão dos apóstolos se renova também a obediência à Palavra de Deus.

Também é verdade que ele não tinha a intenção de criar uma nova ordem, mas somente renovar o povo de Deus para o Senhor que vem. Porém, compreendeu, com sofrimento e com dor, que tudo deve ter sua ordem, que também o direito da Igreja é necessário para dar forma à renovação e, assim, realmente se inseriu de forma total, com o coração, na comunhão da Igreja, com o Papa e com os bispos. Ele sempre soube que o centro da Igreja é a Eucaristia, na qual o Corpo de Cristo e seu Sangue estão presentes. Através do sacerdócio, a Eucaristia é a Igreja. Onde o sacerdócio, Cristo e a comunhão da Igreja caminham juntos, somente aí habita também a Palavra de Deus. O verdadeiro Francisco histórico é o Francisco da Igreja e, precisamente dessa maneira, ele fala também a nós, os crentes, e aos crentes de outras confissões e religiões.

Francisco e seus frades, cada vez mais numerosos, estabeleceram-se na Porciúncula – ou igreja de Santa Maria dos Anjos –, lugar sagrado por excelência da espiritualidade franciscana. Também Clara, uma jovem mulher de Assis, de família nobre, entrou na escola de Francisco. Teve origem, assim, a Segunda Ordem Franciscana, a das Clarissas, outra experiência destinada a produzir frutos insignes de santidade na Igreja.

Também o sucessor de Inocêncio III, o Papa Honório III, com sua bula Cum dilecti, de 1218, apoiou o singular desenvolvimento dos primeiros Frades Menores, que iam abrindo suas missões em diversos países da Europa, inclusive em Marrocos. Em 1219, Francisco obteve autorização para dirigir-se ao Egito e falar com o sultão muçulmano Melek-el-Kâmel, para pregar também lá o Evangelho de Jesus. Eu gostaria de sublinhar este episódio da vida de São Francisco, que tem uma grande atualidade. Em uma época em que estava em curso um enfrentamento entre o cristianismo e o islã, Francisco, armado voluntariamente só com sua fé e sua mansidão pessoais, percorreu com eficácia o caminho do diálogo. As crônicas nos falam de um acolhimento benevolente e de uma cordial recepção do sultão. Este é um modelo que deve inspirar, ainda hoje, as relações entre cristãos e muçulmanos, para promover um diálogo na verdade, no respeito e na compreensão mútuos (cf. Nostra Aetate, 3). Parece então que Francisco esteve na Terra Santa em 1220, lançando assim uma semente, que deu muitos frutos: seus filhos espirituais, de fato, fizeram dos Lugares Santos onde Jesus viveu um âmbito privilegiado de sua missão. Penso, com gratidão, nos grandes méritos da Custódia Franciscana da Terra Santa.

Ao voltar à Itália, Francisco entregou o governo da Ordem ao seu vigário, Frei Pedro Cattani, enquanto o Papa confiou à proteção do cardeal Ugolino, o futuro Sumo Pontífice Gregório IX, a Ordem, que reunia cada vez mais adesões. Por sua vez, o fundador, dedicado completamente à pregação – que levava a cabo com grande êxito –, redigiu uma Regra, depois aprovada pelo Papa.

Em 1224, no eremitério de Verna, Francisco viu o Crucifixo em forma de um serafim e, do encontro com o serafim crucificado, recebeu os estigmas; converteu-se, assim, em um com Cristo: um dom, portanto, que exprime sua identificação com o Senhor.

A morte de Francisco – seu transitus – ocorreu na noite de 3 de outubro de 1226, na Porciúncula. Após ter abençoado seus filhos espirituais, morreu, deitado sobre a terra nua. Dois anos mais tarde, o Papa Gregório IX o inscreveu no elenco dos santos. Pouco tempo depois, erigiu-se em Assis uma grande basílica em sua honra, meta, ainda hoje, de muitíssimos peregrinos, que podem venerar o túmulo do santo e desfrutar da visão dos afrescos de Giotto, pintor que ilustrou de forma magnífica a vida de Francisco.

Já foi dito que Francisco representa um alter Christus; era verdadeiramente um ícone vivo de Cristo. Ele também foi chamado de “irmão de Jesus”. De fato, este era o seu ideal: ser como Jesus, contemplar o Cristo do Evangelho, amá-lo intensamente, imitar suas virtudes. Em particular, ele quis dar um valor fundamental à pobreza interior e exterior, ensinando-a também aos seus filhos espirituais. A primeira bem-aventurança do Sermão da Montanha – “Felizes os pobres, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5, 3) – encontrou uma luminosa realização na vida e nas palavras de São Francisco. Verdadeiramente, queridos amigos, os santos são os melhores intérpretes da Bíblia; estes, encarnando em sua vida a Palavra de Deus, tornam-na mais atraente que nunca, de forma que ela fala realmente conosco. O testemunho de Francisco, que amou a pobreza para seguir Cristo com dedicação e liberdade totais, continua sendo, também para nós, um convite a cultivar a pobreza interior para crescer na confiança em Deus, unindo também um estilo de vida sóbrio e um desapego dos bens materiais.

Em Francisco, o amor a Cristo se expressou de maneira especial na adoração ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia. Nas Fontes Franciscanas, lemos expressões comoventes, como esta: “Pasme o homem todo, estremeça a terra inteira, rejubile o céu em altas vozes quando, sobre o altar, estiver nas mãos do sacerdote o Cristo, Filho de Deus vivo! Ó grandeza maravilhosa, ó admirável condescendência! Ó humildade sublime, ó humilde sublimidade! O Senhor do universo, Deus e Filho de Deus, se humilha a ponto de se esconder, para nosso bem, na modesta aparência do pão” (Francisco de Assis, Escritos).

Neste Ano Sacerdotal, quero também recordar a recomendação dirigida por Francisco aos sacerdotes: “Ao celebrar a Missa, ofereçam o verdadeiro sacrifico do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, pessoalmente puros, com disposição sincera, com reverência e com santa e pura intenção” (Francisco de Assis, Escritos). Francisco mostrava sempre um grande respeito pelos sacerdotes e recomendava respeitá-los sempre, inclusive no caso de que pessoalmente fossem pouco dignos. A motivação do seu profundo respeito era o fato de que eles receberam o dom de consagrar a Eucaristia. Queridos irmãos no sacerdócio, não nos esqueçamos jamais deste ensinamento: a santidade da Eucaristia nos pede que sejamos puros, que vivamos de maneira coerente com o Mistério que celebramos.

Do amor a Cristo nasce o amor às pessoas e também a todas as criaturas de Deus. Este é outro traço característico da espiritualidade de Francisco: o senso de fraternidade universal e de amor pela criação, que lhe inspirou o célebre “Cântico das criaturas”. É uma mensagem muito atual. Como recordei em minha recente encíclica, Caritas in veritate, só é sustentável um desenvolvimento que respeite a criação e que não danifique o meio ambiente (cf. N. 48-52), e na Mensagem para o Dia Mundial da Paz deste ano, sublinhei que também a constituição de uma paz sólida está unida ao respeito pela criação. Francisco nos recorda que na criação se manifesta a sabedoria e a benevolência do Criador. A natureza é entendida por ele precisamente como uma linguagem com a qual Deus fala conosco, através da qual a realidade divina se torna transparente e podemos falar de Deus e com Deus.

Queridos amigos: Francisco foi um grande santo e um homem alegre. Sua simplicidade, sua humildade, sua fé, seu amor a Cristo, sua bondade com cada homem e cada mulher o tornaram alegre em toda situação. De fato, entre a santidade e a alegria subsiste uma relação íntima e indissolúvel. Um escritor francês disse que no mundo só existe uma tristeza: a de não ser santos, isto é, a de não estar perto de Deus. Vendo o testemunho de Francisco, compreendemos que este é o segredo da verdadeira felicidade: ser santos, estar perto de Deus!

Que Nossa Senhora, ternamente amada por Francisco, obtenha esse dom para nós. Confiamo-nos a Ela com as palavras do próprio Pobrezinho de Assis: “Ó Maria, Virgem Santíssima, não há outra semelhante, nascida neste mundo, entre as mulheres; filha e serva do Rei altíssimo, o Pai celeste. Mãe de Jesus Cristo, nosso Senhor; esposa do Espírito Santo, rogai por nós (…) junto ao vosso santíssimo e dileto Filho, nosso Senhor e Mestre” (Francisco de Assis, Escritos).

Bento XVI

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Franciscanos falam da “Laudato si”

Fonte: franciscanos.org.br
Dois anos depois de surpreender o mundo ao aparecer no balcão Central da Basílica de São Pedro com o nome de Papa Francisco, revelando a inspiração que lhe deu o Poverello de Assis, neste dia 18 de junho de 2015, novamente o Papa Francisco volta a ser o centro do mundo ao lançar a sua primeira Encíclica: “Laudato si”, toda ela bebendo na fonte franciscana, inclusive o título do “Cântico das Criaturas”.

A encílica do Papa Francisco é lançada num momento crucial para o Planeta. Neste ano, de 30 de novembro a 11 de dezembro, será realizada em Paris no final do ano que vem uma grande conferência internacional (a COP 21), cuja agenda é chegar a um acordo global sobre mudanças climáticas, para entrar em vigor em 2020. Esse novo acordo deverá substituir o Protocolo de Kyoto, de 1997, que teve resultados decepcionantes.

Neste Especial, frades da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, entre eles dois bispos – Dom Jaime Spengler e Dom João Bosco – dão as primeiras impressões sobre esse momento histórico na Igreja.

O Ministro Provincial, Frei Fidêncio Vanboemmel, propõe que esta Encíclica seja “um estilo de vida e uma dimensão transversal de toda a nossa evangelização franciscana”: “Penso que nós, Frades Menores, por dever vocacional de fidelidade ao Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo e fiéis discípulos de São Francisco de Assis, devemos ser os novos arautos e mensageiros da essência desta primeira Encíclica do Papa Francisco. “Laudato Si” deve ser o nosso cântico de louvor e convite para que o ‘mundo universo’ se una no ‘cuidado da casa comum’”.

Para o Arcebispo de Porto Alegre, Dom Jaime Spengler, o Papa chama a todos à responsabilidade, a cooperar na restauração de nossa ‘casa comum’: “É um documento com forte característica social. Ela trata da questão ecológica não de forma meramente intelectual; ela toca o coração! Chama-nos à corresponsabilidade… Diante dos tantos sinais de “dores de parto” diagnosticáveis na criação, somos instigados a reagir”.

Para o bispo Dom João Bosco,da Diocese de Osasco, muito mais se poderá ler nas quase 200 páginas, verdadeira cachoeira de água límpida, despejada por Francisco na imundície em que se tornou o mundo depauperado pela ganância e pela cultura da morte. “Com a Laudato Si’, o Papa fala ao mundo que está colocando a sua Igreja, mais uma vez, “em saída” para curar as feridas e as fragilidades de um mundo enfermo. Fazer-nos a todos, franciscanos ou não, missionários de uma nova humanidade, recriada à luz da sabedoria divina, é o que podemos esperar deste grande presente que nos oferece o Papa Francisco”.

Frei Gustavo Medella, coordenador da Frente de Evangelização da Comunicação, revelou que se emocionou ao escrever o texto sobre a Encíclica: “Francisco pede uma Igreja de saída e é o primeiro a sair. Sai sem medo, impulsionado pela fé firme de um apóstolo. Sai na direção do mundo, do ser humano e de seus grandes dramas. Sai com humildade, não como o “dono da verdade”, mas como fiel seguidor do Filho de Deus que se fez pobre e acessível. Ao sair, coloca-se todo à disposição e chama à responsabilidade”.

O exegeta Frei Ludovico Garmus, professor no Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (ITF, RJ), diz que a Encíclica do Papa Francisco aos católicos, aos cristãos em geral e aos “homens de boa vontade”, nos coloca desafios inadiáveis a serem enfrentados urgentemente. “Temos em mãos um roteiro riquíssimo para nossa reflexão, que poderá nos conscientizar sobre a crise ecológica. Assim iluminados pela luz da fé, da palavra de Deus e da teologia, serem capacitados a cuidar melhor de nossa casa comum, a irmã e mãe terra, e de toda vida que ela abriga”.

O doutor em Teologia, com especialização em espiritualidade franciscana, Frei Fábio César Gomes, lembra o caráter propositivo do documento. “O Papa Francisco propõe a palavra diálogo como grande resposta para à crise: diálogo na política internacional, nacional, local; diálogo e transparência nos processos decisórios, diálogo entre política e economia, entre religião e ciência. Propõe também uma espiritualidade ecológica, de cunho sacramental e trinitário que exigirá, de todos nós, uma ‘conversão ecológica’.”

Já Frei Vitório Mazzuco, professor de espiritualidade franciscana do ITF, a Encíclica questiona, provoca e propõe um novo estilo novo de vida, de educação para respeitar o ambiente. “Ecologia não é mera militância de barulhentos ambientalistas, mas sim luta profética para melhorar a qualidade de vida. Tecnologia e progresso não são processos de destruição. Estilo de vida não é gastar excessivamente os recursos de energia e suas fontes”.

Para Frei Jean Ajluni Oliveira, recém-ordenado diácono e vice-mestre dos frades de profissão temporária em Rondinha, a importância desta encíclica é de nos fazer entender que o tema do cuidado é nuclear, não apenas na espiritualidade franciscana, mas na vida cristã. “Ao citar S. Francisco como ‘o exemplo por excelência do cuidado por aquilo que é frágil e de uma ecologia integral, vivida com alegria e autenticidade’, o Papa traduz em poucas palavras um dos aspectos centrais mais belos da espiritualidade Franciscana, pensar a ecologia integralmente, somos irmãos de tudo e de todos, ligados e integrados por uma fraternidade cósmica que tem o Altíssimo como Pai, e por isso sermos gratos: ‘Louvado sejas meu Senhor’. Deste modo, o cuidado não é uma obrigação, mas um ato de fraterno de amor”.

Frei João Reinert, doutor em Teologia, agradece ao Papa Francisco por resgatar o verdadeiro sentido de ecologia integral em São Francisco de Assis. “Chama atenção a lucidez com que a Papa associa ecologia com outros valores ou contra-valores. Somente a partir dessa leitura parece ser possível associar Francisco de Assis à ecologia. Em outras palavras, a vida de Francisco de Assis, sua opção pelo Evangelho, sua vida pobre e fraterna é a chave de leitura para entendemos sua relação com toda a natureza”.
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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Por que tu, Francisco?

Fonte: franciscanos.org.br
Por dois anos o corpo de Francisco repousou na simples igrejinha de São Jorge, onde ele, em criança, havia aprendido a ler e, depois dos anos de deserto, falou pela primeira vez aos seus amigos e concidadãos. O repouso, porém, não durou muito. Tendo sido eleito Papa, o protetor de Francisco, Hugolino (Gregório IX), sentiu-se chamado a glorificar o seu protegido. Começou o processo de canonização que ele confiou – teria sido um desafio – aos cardeais a respeito dos quais havia antigamente prevenido Francisco; terminou-o com a canonização. Em seguida, deu ordem para que fosse construída uma basílica em honra de Francisco, como centro de um culto universal. Deixou a execução nas mãos de seu parceiro de espírito, Frei Elias: este planejou uma obra genial, que ainda hoje causa admiração aos arquitetos: uma construção monumental à beira duma colina; foi concluída em dois anos.
No dia 25 de maio de 1230, o corpo de Francisco foi transportado, em circunstâncias curiosas, para a basílica, onde até agora descansa na cripta da igreja inferior.
Quem pergunta se nisso se agiu segundo o espírito do Poverello, visite a basílica e vá, depois, à Igrejinha de São Damião, a fim de se convencer de que um profeta, depois de morto, se torna impotente nas mãos de seus admiradores. Isto não quer dizer que Hugolino e Elias foram propositalmente infiéis a Francisco. Estavam simplesmente convencidos de que este profeta do Evangelho devia continuar a viver na história e ninguém poderá negar que o seu plano teve êxito. Quem já visitou Assis, sabe que cada dia chegam ao grande pátio diante da basílica ônibus e carros de turismo estrangeiros e incessantemente descem à cripta, passando pela igreja inferior, romeiros e turistas. O irmão Masseo abanaria a sábia cabeça mais uma vez: “Por que todo mundo corre atrás de ti, Francisco? E justamente atrás de ti?”
É uma pergunta que também a nós nos preocupa. Como é possível que num tempo em que tantos profetas apregoam a sua visão da vida, a visão de um medieval ainda atraia milhares de pessoas? Nesta nossa reflexão final não temos a intenção de examinar mais uma vez todas as facetas da vida de Francisco. Trata-se de algo mais profundo. Sendo que ele, sete séculos após sua morte, ainda empolga cristãos e não-cristãos, não se pode atribuir isso somente à basílica ou às paredes dela, que se tornaram um enorme afresco nas mãos dos artistas.
Este homem simples deve ter revelado do fundo de sua personalidade alguma coisa que ainda hoje dá uma resposta à questão fundamental da vida. Demonstrou, de modo atraente, como uma pessoa que nada possui, que não tem poder nem cultura especial, pode dar um sentido sublime à existência no cosmos.
Foi o sentido que muitos pensadores de nosso tempo não souberam encontrar. Jean Paul Sartre conta em sua autobiografia “Lês Mots” que, certa vez, quando criança, ao brincar, se sentiu como um viajante sem bilhete de viagem. Anos mais tarde, após ter passado por “uma dolorosa fase de longa duração” (ateísmo), volta ao mesmo assunto: “Sou outra vez o viajante sem bilhete de viagem, dos meus sete anos”. Francisco passou também por um doloroso processo. Sabia, porém, para onde ia. Ele tinha um bilhete de viagem. A direção para uma só finalidade da vida tinha para ele uma universalidade singular. Tudo que ele sentia de amor no cosmos, de maravilhas, de beleza, mas também de sofrimento e miséria, levava-o espontaneamente ao mistério insondável no qual repousa o cosmos. O seu relacionamento com o mendigo ou com o leproso, com o animal ou com os elementos da natureza, adquiria uma dimensão infinita, pois tudo isso atingia as questões básicas da existência: de onde? Por quê? Para Onde? E a razão por que este profeta até hoje causa admiração ou simpatia em muitas pessoas, está na sua resposta: de Deus, por causa de Deus, para Deus.
Trecho do livro “Francisco de Assis, Profeta de Nosso Tempo”, N. G. Van Doornik, da Editora Vozes.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Cresce em Assis a expectativa pela visita do Papa Francisco

Canção Nova
A cidade de Assis, região da Úmbria, na Itália, se prepara para receber o Papa Francisco nesta sexta-feira, 4. Na pequena cidade, a data já é significativa por ser memória litúrgica do "Pobre de Assis" e, desta vez, terá um outro Francisco para completar a festa.
O guardião do Sacroconvento de Assis, Frei Mauro Gambetti. destaca que trabalho e oração marcam os preparativos na cidade. “Estamos vivendo uma experiência de colaboração mútua: a Diocese, as famílias franciscanas e a prefeitura. Estamos trabalhando juntos para tornar a cidade e os locais santos muito acolhedores”, ressalta o frei. 
A visita será de apenas um dia, porém cheia de compromissos. Um dos momentos principais será o encontro com crianças portadores de deficiência e com os enfermos do Instituto Seráfico. Em seguida, o Papa se encontrará com a população carente na Caritas da cidade, para o almoço. 
Segundo Frei Mauro, o Santo Padre percorrerá os “locais de Francisco”, como uma peregrinação espiritual. “Essa proximidade do Papa nos ensina, nos estimula, a nós freis franciscanos em primeiro lugar, mas a toda nação. É o que ele tem feito desde o início de seu Pontificado”, comenta o frei. 
Na praça principal, o Papa celebrará a Missa após a visita privada ao túmulo de São Francisco, onde permanecerá um tempo para a veneração. Na programação ainda estão previstas visitas à Porciúncula, e ao Eremitério "delle Carcere".
No final da tarde, o Papa recebe os jovens em frente a Basílica Santa Maria dos Anjos, e terá ainda um encontro com o clero, religiosos e religiosas da Diocese na Catedral de São Rufino. Além de um encontro com as monjas de clausura da Basílica de Santa Clara. 
"O Papa Francisco nos faz mais responsáveis pela vocação que recebemos. Estamos procurando redescobrir nossa missão, viver com coerência e aprofundar nossa vida de conversão”, conclui Frei Gambetti.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Francisco vai como peregrino a Assis

Fonte: Agência Ecclesia
O Papa Francisco vai visitar a cidade onde nasceu e morreu São Francisco de Assis, a pé como um simples peregrino, a 4 de outubro, quando a Igreja católica celebra liturgicamente a festa deste santo.
Francisco desloca-se a Assis, região da Úmbria, centro da Itália, para homenagear a cidade onde São Francisco de Assis (c. 1181-1226) nasceu e fundou uma ordem religiosa e visitar lugares ligados ao franciscanismo.
O Papa pretende visitar a cidade do padroeiro de Itália, que o inspirou na escolha do nome para o pontificado, “a pé como um simples peregrino”, divulgou a Rádio Vaticano.
Francisco doará o óleo para a lâmpada votiva que será acesa nessa ocasião com a presença dos bispos da Úmbria.
O itinerário definitivo só será divulgado no início de setembro, mas, além da Basílica de Assis, onde estão as relíquias de São Francisco, o Papa gostaria de visitar Porciúncula, a terceira igreja restaurada por São Francisco, o lugar onde o pobrezinho de Assis faleceu, Santa Clara e o Ermo das Prisões.
Já confirmada, pelo assessor monsenhor Peter Wells, está a visita ao Instituto Seráfico de Assis “especializado na reabilitação, educação e inserção social de pessoas com graves distrofias físicas e mentais”, que no dia 12 de junho convidaram Francisco.
Segundo a Rádio Vaticano, são esperadas 30 mil pessoas de Assis e mais 300 mil da Úmbria, da Itália e do estrangeiro.
Por motivos de logística foi adiantado que o Papa fará a viagem de helicóptero e não de trem.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

CUIDADO (o Saber Cuidar)

Frei Vitório Mazzuco

É uma virtude que está sendo resgatada. Nunca se falou tanto de cuidado. A luta hoje é resgatar o cuidado. O cuidado é fundamental para que possamos elevar o nosso patamar civilizatório. A essência do humano não está na razão, na técnica, na inteligência ou na capacidade de criar condições materiais para a subsistência. A essência do humano está no cuidado. Se o ser humano não cuida da vida, a vida não subsiste; a falta de cuidado leva sempre a grandes crises. Se começamos a cuidar, tudo começa a dar certo. O cuidado traz as virtudes essenciais da caridade, da solidariedade, da hospitalidade, da cortesia, da generosidade, fraternidade, gentileza, reverência, respeito, sensibilidade e a vassalidade (o ser serviçal). A estrutura básica do humano não é a razão, mas o afeto, antes da razão vem o afeto e o afeto é fundamental para o cuidado.


A nossa contemporaneidade beatificou e santificou duas heroínas do cuidado: Madre Tereza de Calcutá e Irmã Dulce da Bahia, que cuidaram da vida moribunda da rua. Governos cuidam de bancos, empresas, grupos de interesses, mas não cuidam de pessoas. Querem a obra social, mas não querem o doente, o mutilado, o fétido, o sem-nada. Escolas cuidam de preparar para o mercado, mas não cuidam da solidariedade. Igrejas cuidam do status hierárquico, da precisão litúrgicas, das pompas cerimonialísticas... e a pessoa, a pessoa é prioridade para estas grandes instituições que existem com a única finalidade de cuidar do humano? Quem quer o detalhado espírito de fineza e sensibilidade? Temos que voltar a pensar, procurar e imitar as figuras exemplares da sociedade que nos testemunharam um total cuidado pela vida em todas as suas dimensões. Hoje, buscamos muitas terapias para curar, erradicar, sanar, mas temos que estar ciente que a única forma de cura é cuidar; esta é a grande clínica do humano, a clínica do coração e do afeto. 


Francisco de Assis viveu há 800 anos e é sempre novo. Por quê? Porque foi o homem do enternecimento, da aproximação com o excluído, da ternura e vigor, da paz, da valorização de cada detalhe da natureza, de não perder nunca a sua humanidade e transformar em prece a sua alma: Meus Deus é meu Tudo! Fez de cada ação um projeto infinito, no simples, no modesto; no humilde fez aparecer o grande. Nós, modernos temos muito que aprender com ele. Nós, herdeiros de uma cultura que tudo materializa e tudo vende, entregamos o espiritual para as religiões. Ele entregou o espiritual para a louvação de todas as criaturas, colocou o espiritual presente em tudo, mostrou que o universo está empapado do Espírito do Senhor e, por isso, não pode ser maltratado. Mostrou para nós que religião, mais do que professar é sentir, como diz uma paradigmática canção franciscana: “Doce é sentir, em meu coração, humildemente vai nascendo o Amor... doce é saber, não estou sozinho, sou uma parte de uma imensa vida...”. Em tudo, Francisco de Assis redescobriu a grande fraternidade universal e o universalismo fraterno e recriou o mundo com o Criador. Ele nos inspira a cuidar da vida em seu todo, a cuidar da natureza. Isto não é apenas um gerenciamento racional e sustentável de recursos da natureza, mas é o modo de relacionar-se com a natureza, o modo de relacionar-se com a realidade total da existência: o físico, o mineral, o vegetal, o biológico, o animal, o consciente, o espiritual..., onde tudo nos irmana, tudo se integra, nada se separa. A vida é uma rede de relações; nada existe fora disto. Se não cuido desta integração posso esfacelar a vida. O cuidado pela vida carrega uma promessa, um futuro. Deus mesmo nos ensinou o universo das relações cuidadosas, e o amoroso cuidado por todos os seres. Ele mesmo é uma fonte originária (Pai e Mãe), que está acima de nós com a sua fontal presença. Ele está dentro de nós (numa comunhão de amor, o Espírito Santo que preenche toda a terra com seu sopro criador e renova todas as coisas); Ele está ao nosso lado na irmandade, consanguinidade e fraternidade filial (o Filho). Cuidar é não separar fé, natureza e universo, cosmo, planeta, terra e espécie humana.
Fonte: Blog do Frei Vitório

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Francisco, modelo de paz

D. Paulo Evaristo Arns 
A festa de São Francisco, em 4 de outubro, transformou-se em símbolo do esforço da Igreja pela Paz. Todos nos lembramos com gratidão da viagem de Paulo VI às Nações Unidas e do pedido humilde, mas corajoso, do Pontífice, de se transformarem os canhões de guerra em arados para a construção da paz duradoura.
Nos tempos de São Francisco, não havia homem que não andasse armado, e homens armados podem transformar-se facilmente em homens de guerra. Como nos dizia certa vez um mexicano: "Em minha Juventude, carregava-se sempre o revólver no cinto e morriam muitos homens pela violência. Hoje, andamos desarmados e já são poucos os que assim morrem".

O primeiro biógrafo de São Francisco

Leia em nossa página Nossos Padroeiros, o artigo sobre Tomás de Celano, frade franciscano, contemporâneo de São Francisco de Assis e que foi o seu primeiro biógrafo.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Outubro

Sempre que outubro chega, penso em São Francisco,
Resgato, em mim, o ideal de menor eu ser,
Faço um rastreio do meu chão inteiro e arrisco,
A prometer a Jesus e a ele para valer. 

Valer o que um dia eu disse a mim e a Jesus,
Segui-lo a modo de Francisco em minha vida,
Pra construir um reino de paz e de luz,
Pelo caminho do bem, firme nessa lida. 

Em cada festa do meu mestre, pobrezinho,
Renovo sempre, com ardor, todo o meu caminho,
A inventar novos jardins e novas flores!… 

É que Francisco abre horizontes no meu mundo,
E acende, em mim, luas no meu céu, bem no fundo,
Iluminando meu coração, minha vida. 

(Frei Walter Hugo de Almeida)

Mês missionário e mês franciscano

Permalink: http://www.freimaffeiofm.com.br/2011/10/mes-missionario-e-mes-franciscano/


O mês de outubro é dedicado as missões, e justamente é com Santa Terezinha, a padroeira das missões, que o mês se inicia, ela que foi a grande missionária sem ao menos ter saído de seu Mosteiro. Do mesmo modo, rememoramos o grande missionário, o missionário da Paz, São Francisco de Assis. Esta duas personalidades presentearam o mundo com suas vidas autenticamente radicais testemunhas da vivência da Boa-Nova. 
Santa Terezinha do Menino Jesus nasceu na França em Alençon no ano de 1973. Ainda muito jovem pediu ao seu pai que gostaria de ser religiosa no mosteiro das Carmelitas de Lisieux, no entanto, devido a sua idade não lhe era permitido. Então, foi até o Santo Padre para pedir permissão, este por sua vez concedeu-lhe esta dádiva. Ao ingressar no Mosteiro Carmelita dedicou toda a sua vida em função de uma vivência na simplicidade evangélica. Seguindo a tradição carmelita, descobriu a pequena via da infância espiritual, inspirada na simplicidade, na humildade e na confiança total no amor misericordioso do Pai celestial. A este modo de viver, ela tentou inculcar especialmente nas noviças do seu mosteiro. 
A pequenina do menino Jesus ofereceu toda a sua vida ao ideal missionário, e é por esta razão que ela foi proclamada padroeira das missões. Quando esteve enferma rejeitou os cuidados médicos para que por meio das suas dores pudesse unir-se ao Cristo crucificado em favor das missões do mundo todo. E, é por isso que ao iniciar o mês de Outubro a Igreja conclama a todo cristão a unir-se ao ideal missionário de Santa Teresa do Menino Jesus. 
São Francisco, dentro desta mesma perspectiva, também, dedicou-se a ser missionário. A Legenda dos Três Companheiros nos relata que quando a primitiva comunidade dos frades menores chegou ao numero de oito irmãos Francisco enviou-lhes aos quatro cantos do mundo e lhes exortou acerca do “modo” de como se devia ir. 
Francisco estando cheio de Espírito do Senhor disse a seus irmãos: 
“Consideremos, Irmãos caríssimos, nossa vocação pela qual, misericordiosamente nos chamou Deus, não apenas para nossa salvação, mas para a de muitos, a fim de irmos pelo mundo exortando todos, mais pe¬lo exemplo que pela palavra, a fazerem penitência de seus pecados e se recordarem dos mandamentos de Deus. Não temais por serdes poucos e parecerdes ignorantes, mas com segurança anunciai com simplicidade a penitência, confiando no Senhor que venceu o mundo; ele, com o seu espírito fala por vós e em vós, a fim de exortar a todos a que se convertam a ele e observem seus mandamentos. Encontrareis alguns homens fiéis, mansos e benignos que, com alegria, receberão a vós e a vossas palavras, e muitos outros infiéis, soberbos e blasfemos que, com injúrias, resistirão a vós e ao que direis. Proponde, pois, em vossos corações, suportar tudo com paciência e humildade”. 
O homem de Assis, assim como, Terezinha do menino Jesus, soube auscultar o chamamento do Senhor a Salvação, no entanto, não foi egoísta, desejou que muitos outros fossem salvos e conhecessem a mensagem do Amor ensinada pelo Senhor. 
Ir pelo mundo, na concepção franciscana denota um “modo” de ir, este modo é o da Paz, é justamente isto que o Senhor ao enviar os setenta e dois discípulos exortou-os: “Em qualquer casa que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’ ”(2) 
Francisco não só desejava que seus irmãos pudessem ir pacificamente pelo mundo, mas que pelo exemplo evangelizasse, e assim, conclamasse a todos a fazer penitência e recordar os mandamentos. (Lembrando que recordar é viver.) O Pobrezinho de Assis, também advertiu seus confrades que não temesse tal missão e com segurança e simplicidade, confiantes em Deus pudesse anunciar a mensagem salvadora. 
Os irmãos estando cientes de que na missão iriam encontrar pessoas fiéis e infiéis, mansos e soberbos, benignos e blasfemos, os quais iram recebê-los uns com alegria e outros com injurias, porém quando estando confiantes no Sumo Bem com o propósito firme suportaria tudo com paciência e humildade. 
O missionário da Paz, como nos ensina Francisco, é todo aquele que se abre a ação divina e permite que o Senhor “com o seu espírito fale por vós e em vós”. O Reino de Deus é anunciado desta maneira, simples e sutil, para tanto, Cristo nos convida a rogar ao dono da messe que envie mais operários para sua messe, pois “a messe é grande, mas os operários são poucos.” 
Francisco de Assis nos exorta a vivermos, hoje, como missionários da paz, assim como viveu Santa Terezinha. O mundo necessita que sejamos instrumentos da paz, e por isso Francisco e Terezinha nos aponta a direção. Que neste mês missionário possamos nos comprometer com a missão do Senhor a de Anunciarmos a Paz e sermos missionário onde quer que estejamos. 
Que a paz esteja em sua casa! 
Frei Osvaldo Maffei, OFM 

domingo, 2 de outubro de 2011

O segredo de São Francisco de Assis

Quando todos se debatiam entre mil e um laços que os prendiam a toda sorte de pequenos senhores na terra, veio esse filho fugido de casa dos pais, para entregar-se ao Pai supremo, sem nome e sem instrução, mostrar que a suprema felicidade estava em sacudir o peso de todos esses pequenos barões terrenos, para se submeter a um só Príncipe invisível. No meio de uma vida em que se perdera a memória das coisas simples, veio mostrar o sabor de todas as verdadeiras essências imortais, a luz, o fogo, a água, o ar, o som, a palavra. No meio de uma sociedade áspera no ganho, veio mostrar a delícia de não possuir.No meio do furar de todas as violências, veio mostrar o milagre da paz e da fraternidade. No meio de uma era complicada, racionadora, cheia de hierarquias e preconceitos, veio mostrar a originalidade das coisas simples. Contra os raciocínios intermináveis, mostrou a eloqüência das soluções intuitivas. Contra as rígidas hierarquias, a igualdade no bem e na pureza da alma.Contra os preconceitos, a coragem de agir desassombradamente, por uma causa mais alta que todos os mesquinhos interesses terrenos. Esse, talvez, o maior segredo de São Francisco de Assis. Onde outros deram ou dariam o seu saber, a sua astúcia, a sua coragem, ele deu apenas isso: o seu coração. Esse isso revolucionou a História.
Publicado originalmente no Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, 4 de outubro de 1981.
Extraído de: PICCOLO, Frei Agostinho Salvador, OFM. Perfil do educador franciscano. Bragança: EDUSF, 1998. P. 89-91.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

FESTA - S. FRANCISCO DE ASSIS

Programação - Festa de São Francisco 2011

Dia 01/10 - Sábado
18:00 – Missa (Bênção dos objetos de devoção) Tema: ''Erguei- vos, acendei uma luz sobre as trevas do mundo''

Dia 02/10 – Domingo
09:30 - Missa (Bênção das famílias)
11:00 -  Bênção dos animais
19:00 - Missa
Tema: “Francisco não quis saber de riquezas: deixou tudo e  se converteu”

Dia 03/10 – Segunda
19:00 – Missa
Tema: “De Francisco as virtudes e os exemplos”

Dia 04/10 – Terça
19:00 - Missa Festiva de São Francisco
Tema: “Com Francisco levanta-te e vai anunciar a Palavra de Deus”

07 a 09/10 – Sexta a Domingo
Barraquinhas na porta da igreja à noite

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Porciúncula - 2 de agosto

Frei Vitório Mazzuco
Lugar fontal para a nossa mística. Santa Maria dos Anjos: berço da fraternidade! Aqui começou a vida e o amor mútuo. Um santuário mariano-franciscano, lugar – santo, dos mais freqüentado em todo o mundo. É um espaço para rezar, refletir, purificar, encher-se de graça e iniciar novamente o caminho.
Se Assis é a “capital do espírito”, Porciúncula é um lugar necessário a toda humana criatura de nosso tempo: uma etapa, uma luz sobre o caminho. Ali emana um único fascínio: a mensagem pulsante do Evangelho, alegria, serenidade, simplicidade, fidelidade, pobreza...
Foi edificada no século X, no ano de 1045. Pertencia aos monges beneditinos do monte Subásio que ali alimentavam uma “pequena porção” de santuário. O que é o santuário? É um lugar sagrado onde a presença de Deus se manifesta. O mistério presente da divindade é que determina o lugar do culto.
Santuário é lugar e não museu arqueológico a mostrar e conservar memórias e glórias mumificadas do passado. Ali os acontecimentos passados são vivos e presentes: ali viveu Francisco, ali passou Clara, ali morreu o Poverello. Francisco e Clara continuam a ser mais vivos que nunca e a sua escolha de Amor é que marca definitivamente o lugar. Ali a Fraternidade se faz encontro,cresce,contagia e se comunica. (Cfr 1 Cel 106)
Em 1210 Francisco pede ao bispo de Assis e depois aos Cônegos de São Rufino alguma igrejinha para cuidar. A resposta é negativa. Vai então ao abade do mosteiro de São Bento, Dom Teobaldo. Este, com o consenso da comunidade monacal, concede a Francisco e a seu primeiros companheiros a Porciúncula para o simples uso e moradia. Só pedem uma condição: se a religião constituída por Francisco crescer, a Porciúncula seja a casa-mãe.
Dom recebido Dom dividido. A casa fundada sobre o sólido alicerce da Pobreza ganha um sinal: por graça e gratidão ao bem feito pelos beneditinos, há o gesto da retribuição: cada ano os frades mandavam aos monges um cesto cheio de peixes. Os monges agradeciam com um vaso cheio de óleo. LTC 56; LP 8.

Porciúncula:
• experiência primitiva de Fraternidade
• lugar reconstituído com o trabalho manual
• próximo aos bosques
• próximo aos leprosários
• pequenas celas para a moradia
• primeiro encontro com o Evangelho (Mt 10,5-15)
• ali o encontro do rumo definitivo na vida (1 Cel 21;LM 2,8;Lm 1,9;1 Cel 44)
• os primeiros companheiros Bernardo e Pedro vêm morar ali
• Bernardo, Pedro, Egídio e Francisco partem dali para a primeira missão
• a fraternidade cresce e encontra seu espaço
• é o santuário da missão ( 1 Cel 22;LM 3,1: LTC 25: Lm3,7;Fior13)

• No dia 19 de março de 1211/1112, chega a Porciúncula, a nobre jovem Clara de Faverone.
• Em julho de 1216, Francisco consegue do Papa Honório III a Indulgência ou o Perdão da Porciúncula.
• É um lugar muito elogiado. (1 Cel 106; LP 8-12:LM 2,8)
• Lugar dos Capítulos. Ali se realizou o famoso Capitulo das Esteiras – 1221. (LTC 57-59; AP 18,37-39; LP 114, Fior 18)
• Clara vai à Porciúncula visitar Francisco. Comem juntos num luminoso banquete espiritual. (Fior 15)
• A irmã Jacoba de Settesoli, amiga de Francisco, chega pouco antes de sua morte, trazendo doce conforto. ( EP112;LP101;Cel 37-39)
• A irmã morte visita Francisco ( 2 Cel 214-217; LM 14,3-6;LTC 68;LP 64)

Ensinamentos da Porciúncula
• momento culminante da mudança radical de Francisco
• não teve dúvidas que o Senhor tinha suas exigências
• acolher o Evangelho, escutar o outro (a),percorrer o caminho proposto
• lugar de penitência e serviço
• ensina que todos devemos ser criativos (as) para fazer renascer a simplicidade primitiva.
• santuário da missão: enviar, regressar, fortalecer e orar.

• capítulo: momento privilegiado de encontro

Começou o Perdão de Assis ao meio dia de 1º de agosto!

 Igrejinha da Porciúncula, considerado um lugar sagrado 
na tradição franciscana. Atualmente está abrigada sob a
Basílica de Nossa Senhora dos Anjos.
Fonte: Canção Nova
São Francisco de Assis pode ser considerado um dos santos mais conhecidos mundo afora. Nesta terça-feira, 2 de agosto, celebra-se o "Perdão de Assis", na igreja de Nossa Senhora dos Anjos, também conhecida como "Porciúncula". Essa é uma das datas mais importantes para a Família Franciscana e todos os fiéis que têm especial afeição pelo santo italiano.
Nessa data (das 12h do dia 1º até as 24h do dia 2), pode-se obter a Indulgência Plenária, com as habituais condições. É possível acompanhar as celebrações que acontecem na Basílica de Nossa Senhora dos Anjos, cujo interior abriga a igreja de Porciúncula, próximo a Assis (Itália), ao vivo pela internet.
De acordo com o ministro da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, frei Fidêncio Vanboemmel, "além das celebrações e orações realizadas internamente pelas comunidades, os freis estão ainda mais disponíveis para atender as confissões". Ele também recorda a grandeza dessa indulgência.
Compreender o verdadeiro significado da Porciúncula também é importante para adentrar na essência desta data, de acordo com frei Fidêncio. Para os franciscanos, ela é muito mais que a igreja pobre e simples que os monges beneditinos concederam a Francisco e seus companheiros, que cresciam em número de forma significativa.
"Foi ali que São Francisco ouviu o Santo Evangelho do envio missionário dos 12 apóstolos e, após pedir explicações ao padre ao final da Missa, exclamou: 'É isso que desejo e quero!'. É o local da grande descoberta da vocação, é também onde Santa Clara se consagrou e os frades se congregavam para tomar decisões, rezar, se encontrar. Ali nasceu a forma franciscana de vocação à vida evangélica. Quando falamos em Porciúncula, reunimos todos os elementos e valores da nossa espiritualidade; representa a essência do carisma", explica.
Para entender melhor o significado da data, é preciso remontar ao ano de 1216.
De acordo com as Fontes Franciscanas – conjunto de escritos que sintetizam os acontecimentos da vida do santo –, Francisco estava rezando na igrejinha da Porciúncula, próximo a Assis, quando o local ficou totalmente iluminado e o santo viu sobre o altar o Cristo e, à sua direita, Nossa Senhora, rodeados por uma multidão de anjos.
Perguntado sobre o que desejava para a salvação das almas, Francisco respondeu: "Santíssimo Pai, mesmo que eu seja um mísero pecador, te peço que, a todos quantos arrependidos e confessados, virão a visitar esta igreja, lhes conceda amplo e generoso perdão, com uma completa remissão de todas as culpas".
O Senhor teria lhe respondido: "Ó Irmão Francisco, aquilo que pedes é grande, de coisas maiores és digno e coisas maiores tereis: acolho portanto o teu pedido, mas com a condição de que tu peças esta indulgência, da parte minha, ao meu Vigário na terra (o Papa)".
Logo após, Francisco apresentou-se ao Santo Padre Honório III, partilhou a visão que teve e o Papa concedeu sua aprovação. "Não queres nenhum documento?", teria perguntado o Pontífice. E Francisco respondeu: "Santo Pai, se é de Deus, Ele cuidará de manifestar a obra sua; eu não tenho necessidade de algum documento. Esta carta deve ser a Santíssima Virgem Maria, Cristo o Escrivão e os Anjos as testemunhas".
Alguns dias após, junto aos Bispos da Úmbria, ao povo reunido na Porciúncula, Francisco anunciou a indulgência plenária e disse: "Irmãos meus, quero mandar-vos todos ao paraíso!".
Indulgências
As indulgências têm o poder de apagar as consequências dos pecados (penas temporais) que já foram perdoados pelo sacramento da confissão (que perdoa a culpa). A indulgência pode ser parcial, que redime parcialmente dessa pena, ou plenária, que apaga totalmente a pena temporal dos pecados.
Para se receber a indulgência, os fiéis precisam da confissão sacramental para estar em graça de Deus (oito dias antes ou depois); participar da Missa e Comunhão Eucarística; visitar uma igreja paroquial, onde se reza o Credo e o Pai Nosso e rezar pelas intenções do Papa. A graça da indulgência pode ser pedida para si mesmo ou para um falecido.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

4 de outubro - Dia de São Francisco de Assis

Hoje, 4 de outubro, celebramos o dia de São Francisco de Assis, nosso padroeiro. Um santo que desperta a admiração até dos não católicos e mesmo, dos não cristãos. Seu amor pelos pobres e marginalizados , seu amor pela natureza e pela criação de Deus, até hoje, emociona e inspira as pessoas de boa vontade do mundo inteiro. Em sua terra natal, Assis, na região da Úmbria, Itália, sente-se, ainda, aquele espírito de fraternidade universal, de amor e paz, inspirado nos ideais de Francisco. A cidadezinha, depois de 800 anos, guarda, ainda, em suas ruas, uma lembrança indelével de seu Santo. Em suas vielas, chegamos a pensar que podemos, a qualquer momento, encontrar o jovem Francisco em alguma praça ou igreja. É comum em Assis, vermos crianças e jovens de olhos e ouvidos atentos recebendo os ensinamentos dos frades franciscanos, naqueles mesmos lugares em que o Santo viveu, pregou e serviu. Quantos daqueles jovens se encantaram e se encantam pelo ideal de Francisco e seguem seus passos, ainda hoje!

Quando nos detemos para conhecer um pouco de sua vida, como desejamos ser um pouco como ele, em sua radicalidade, seu despojamento, sua simplicidade, seu amor pela vida e pela natureza, seu amor pelos pobres e doentes e principalmente, no seu amor pelo Cristo, o “Amor que não é amado”!

São Francisco, rogai por nós, junto a Jesus!

Leia mais sobre São Francisco de Assis em nossa página de Formação, nos artigos “Amor Franciscano” e “Francisco de Assis... é você”?