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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Papa Francisco envia mensagem a brasileiros pela Campanha da Fraternidade 2016

Fonte: ACI Digital
O Papa Francisco enviou uma mensagem aos brasileiros por ocasião da Campanha da Fraternidade, que foi lançada nesta quarta-feira pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), em Brasília.
Neste ano, a Campanha tem por tema “Casa comum, nossa responsabilidade” e lema “Quero ver o direito brotar como fonte e a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24). É uma campanha ecumênica, sendo realizada juntamente com o Conic, e conta ainda com apoio da Misereor, iniciativa de católicos alemães que realiza a Campanha da Quaresma.
Em sua mensagem, o Santo Padre sublinha que o objetivo principal da Campanha da Fraternidade é “contribuir para que seja assegurado o direito essencial de todos ao saneamento básico”, apelando para o engajamento de todas as pessoas.
“Todos nós temos responsabilidade por nossa Casa Comum, ela envolve os governantes e toda a sociedade”, afirma o Santo Padre, ressaltando que, “por meio desta Campanha da Fraternidade, as pessoas e comunidades são convidadas a se mobilizar, a partir dos locais em que vivem” e tomar iniciativas pela “promoção da justiça e do direito ao saneamento básico”.
Citando sua encíclica Laudato Si, Francisco afirma que “o acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal, porque determina a sobrevivência das pessoas e, portanto, é condição para o exercício dos outros direitos humanos”.
O Santo Padre fala de uma ecologia integral e de uma cultura ecológica, que “não pode se limitar a respostas parciais, como se os problemas estivessem isolados”.
“Queridos irmãos e irmãs, insisto que o rico patrimônio da espiritualidade cristã pode dar uma magnífica contribuição para o esforço de renovar a humanidade”, expressa o Pontífice.
Ele ainda convida a, durante a Quaresma, “redescobrir como nossa espiritualidade se aprofunda quando superamos ‘a tentação de ser cristãos, mantendo uma prudente distância das chagas do Senhor’ e descobrimos que Jesus quer ‘que toquemos a carne sofredora dos outros’, dedicando-nos ao ‘cuidado generoso e cheio de ternura’ de nossos irmãos e irmãs e de toda a criação”.
Ao concluir, o Papa Francisco expressa sua proximidade a todos os cristãos do Brasil, enviando sua saudação, e pede que não deixem de rezar por ele.
Para saber mais sobre a Campanha da Fraternidade, acesse o site oficial:http://campanhas.cnbb.org.br/campanha/campanha-da-fraternidade-2016

Uma oferta para Jesus: a “Ficha de Vivência Quaresmal”

Fonte: Aletéia
Uma forma simples e concreta de viver a fundo esta Quaresma
Dom Henrique Soares, bispo de Palmares, Pernambuco, propõe aos fiéis católicos esta “Ficha de Vivência Quaresmal” para ser preenchida até o próximo domingo.
Depois de cumpri-la ao longo da Quaresma, cada fiel poderá oferecê-la espiritualmente como presente pessoal a Jesus Ressuscitado na Vigília Pascal.
Oração para preparar a “Ficha de Vivência Quaresmal”:
Senhor Jesus Cristo, seguindo o Teu caminho no deserto e preparando-me para celebrar dignamente a Tua Santa Páscoa, suplico o Teu misericordioso auxílio para as seguintes práticas quaresmais que me proponho fazer em Tua honra e para ser um melhor discípulo Teu:
  • Vida de oração (o que rezarei a mais durante este tempo, todos os dias):
  • Jejum e penitência (o que retirarei da minha alimentação diariamente, exceto aos domingos):
  • Esmola e obras de misericórdia (o que farei para ir ao encontro do meu próximo, praticando as obras de misericórdia corporais e espirituais):
  • Vícios a combater (quais das minhas más tendências combaterei nesta Quaresma, evitando as ocasiões, as situações e os atos):
  • Livro da Escritura para ler (que livro lerei completamente, de preferência um destes: Êxodo, Números, Deuteronômio ou a Epístola aos Romanos):
  • Leitura espiritual (também é recomendável escolher um livro para a leitura espiritual. Algumas sugestões: “Mostra-me teu Rosto” ou “O Silêncio de Maria”, de Inácio Larrañaga; “A Leitura de Deus”, de Garcia Columbás; “A Imitação de Cristo”, de Tomás de Kempis; ou a obra mística anônima “Relatos de um Peregrino Russo”):
  • Confissão sacramental (data em que a prepararei e farei):

sexta-feira, 27 de março de 2015

Quando termina a Quaresma? O que é Tríduo Pascal?

Fonte: Aletéia
A Quaresma, caminho rumo à Pascoa da Ressurreição, começa na Quarta-Feira de Cinzas e termina na Quinta-Feira Santa, com a chamada “hora nona” da Liturgia das Horas.
Ou seja, dura até a Missa da Ceia do Senhor, exclusive (carta apostólica Mysterii Paschalis, 28). O documento utiliza o termo “exclusive”, não “inclusive”. Então, a Quaresma não inclui a Missa da Ceia do Senhor.
Com esta missa, à tarde, começa o Tríduo Pascal, que é o coração do ano litúrgico. Não podemos esquecer que o costume judaico-cristão considera o início do dia desde a sua véspera; por este motivo, a Sexta-Feira Santa começa no final da Quinta-Feira Santa.
Na Missa da Ceia do Senhor, Ele antecipa sua paixão; por isso, na missa, se faz o memorial da morte e ressurreição de Jesus.
“O Tríduo Pascal da Paixão e Ressurreição do Senhor começa com a missa vespertina da Ceia do Senhor, tem seu centro na Vigília Pascal e termina com as Vésperas do domingo da Ressurreição” (carta apostólica Mysterii Paschalis, 19).
A palavra “tríduo” sugere a ideia de preparação. Às vezes nos preparamos para a festa de um santo com três dias de oração em sua honra, ou pedimos uma graça especial mediante um tríduo deorações.
A Quaresma é preparação, e o Tríduo Pascal se apresenta não como um tempo de preparação, mas como uma só coisa com a Páscoa. O tríduo é uma unidade e precisa ser considerado como tal; nele se dá a totalidade do mistério pascal.
A unidade do tríduo está no próprio Cristo: quando Ele aludia à sua paixão e morte, nunca as dissociava da sua ressurreição.
O Evangelho fala delas em seu conjunto: “Eles o condenarão à morte. E o entregarão aos pagãos para ser exposto às suas zombarias, açoitado e crucificado; mas ao terceiro dia ressuscitará” (Mt 20, 19).
A unidade do mistério pascal tem algo importante a nos ensinar: ela nos diz que a dor não somente é seguida pela alegria, mas que já a contém em si mesma.
O tríduo se refere também aos três dias aos quais Jesus se referiu quando disse: “Destruí vós este templo, e eu o reerguerei em três dias” (Jo 2, 19).
As diferentes fases do mistério pascal se estendem ao longo dos três dias, como em um tríptico: cada um dos três quadros ilustra uma parte da mesma cena; juntos, formam um todo. Cada quadro em si é completo, mas precisa ser visto em relação aos outros dois.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

A melhor Quaresma da sua vida

Fonte: Aletéia
Sugestões práticas e simples para viver cada dia deste período tão especial das nossas vidas

Muitos dos nossos leitores nos enviaram dúvidas sobre a Quaresma, especialmente sobre as maneiras de se fazer jejum ou viver melhor este período tão importante para as nossas vidas.

Por isso, lhe oferecemos agora uma série de sugestões de propósitos diários de Quaresma: resoluções simples e práticas que podem ser vividas por todos no dia a dia. Você pode inclusive imprimir ou guardar esta lista de propósitos e carregar com você ao longo da Quaresma, como guia pessoal.

Aproveite esta oportunidade de se aproximar mais de Deus!

( ✔ ) 22/02, 1º Domingo de Quaresma: antes de dormir, peça a Deus que lhe ajude a terminar esta Quaresma um pouco mais perto d’Ele.

(   ) 23/02, segunda-feira: repita uma pequena oração ao longo do dia. Pode ser: “Senhor, tem misericórdia de mim” ou “Jesus, ajuda-me a conhecer-te e a fazer tua vontade”. Aproveite para usar suas próprias palavras também.

(   ) 24/02, terça-feira: faça uma lista das coisas pelas quais você está agradecido(a). Simples: anote em um papel 10 coisas pelas quais você é grato(a): família, talentos, amigos, conquistas etc.

(   ) 25/02, quarta-feira: reze uma Ave-Maria por aquela pessoa que chateou você hoje.

(   ) 26/02, quinta-feira: repita ao longo do dia as palavras de Santo Inácio de Loyola: “Tomai, Senhor, e recebe toda a minha liberdade”.

(   ) 27/02, sexta-feira: ofereça alguma ação do dia a Deus, de maneira consciente e sincera: tirar o lixo, lavar a louça... Qualquer pequena ação, feita por amor a Deus, tem um valor especial.

(   ) 28/02, sábado: faça um pequeno ato de caridade sem contar para ninguém.

(   ) 1º de março, 2º Domingo da Quaresma: leia pausadamente um dos quatro relatos da paixão, morte e ressurreição de Jesus, imaginando estar ao lado d’Ele em todos os momentos. Pode ser Lucas 22,39 – 24,12.

(   ) 02/03, segunda-feira: ofereça uma Ave-Maria pela conversão dos pecadores.

(   ) 03/03, terça-feira: ao ouvir uma notícia ruim, ore pelas pessoas envolvidas.

(   ) 04/03, quarta-feira: agradeça a Deus antes das refeições do dia.

(   ) 05/03, quinta-feira: dê uma esmola, de coração.

(   ) 06/03, sexta-feira: aproveite esta sexta-feira para fazer jejum de palavras negativas, esforçando-se para fazer somente comentários positivos sobre as pessoas e os acontecimentos.

(   ) 07/03, sábado: faça o sinal da cruz sobre a testa de alguém a quem você ama, abençoando essa pessoa com o poder da cruz de Jesus.

(   ) 08/03, 3º Domingo da Quaresma: peça a Deus que lhe ajude a perdoar aquela pessoa que machucou você um dia. Suplique esta graça a Jesus crucificado.

(   ) 09/03, segunda-feira: procure lembrar de alguma música que o aproxima de Deus. Busque a música na internet e ouça-a, como um momento de oração.

(   ) 10/03, terça-feira: escolha uma atividade do seu dia e faça-a da melhor maneira possível, para a glória de Deus.

(   ) 11/03, quarta-feira: compartilhe uma mensagem espiritual com seus amigos nas redes sociais.

(   ) 12/03, quinta-feira: elogie sinceramente 3 pessoas hoje, buscando valorizar suas qualidades ou ações.

(   ) 13/03, sexta-feira: dia de “jejum dos seus problemas”: evite pensamentos centrados em você e nas suas dificuldades. Ao perceber um pensamento assim, substitua-o por uma frase de agradecimento interior a Deus pela vida e seus desafios.

(   ) 14/03, sábado: procure dedicar um bom período do dia de hoje à sua família: cozinhar para eles, assistir a um filme juntos, passear, visitar algum parente etc.

(   ) 15/03, 4º Domingo da Quaresma: reze um mistério do terço (de preferência, um dos mistérios dolorosos), oferecendo-o pelos cristãos perseguidos.(   ) 16/03, segunda-feira: diante das tarefas deste dia, procure perguntar-se constantemente: “Como Jesus faria isso, se estivesse no meu lugar?”. E faça o que seu coração mandar.

(   ) 17/03, terça-feira: reze um Pai-Nosso pedindo perdão a Jesus por todas as pessoas que o ofendem diariamente.

(   ) 18/03, quarta-feira: seja especialmente caridoso(a) no dia de hoje, espalhando bondade e gentileza ao seu redor.

(   ) 19/03, quinta-feira: procure sorrir ao longo do dia, a todos – inclusive aos seus problemas.

(   ) 20/03, sexta-feira: faça um pequeno “jejum de tecnologia” durante 1 hora do seu dia (celular, redes sociais, internet), preferencialmente à noite, e dedique este tempo a ajudar alguém, mesmo que seja nas tarefas domésticas.

(   ) 21/03, sábado: prepare sua confissão quaresmal, procurando centrar-se em suas faltas de amor a Deus e ao próximo. Se possível, já escolha o dia em que irá se confessar antes da Páscoa.

(   ) 22/03, 5º Domingo da Quaresma: escolha uma pessoa que lhe deu um bom testemunho em algum momento da vida e escreva-lhe, agradecendo por isso.

(   ) 23/03, segunda-feira: antes de dormir, lembre-se do momento mais difícil deste dia e agradeça a Deus pela oportunidade que você teve de crescer com essa dificuldade.

(   ) 24/03, terça-feira: antes de dormir, reze pelas pessoas que não têm um lar.

(   ) 25/03, quarta-feira: peça a Maria que interceda por aquela pessoa que você sabe que se encontra em dificuldade.

(   ) 26/03, quinta-feira: peça ao Espírito Santo que ajude todos os cristãos a valorizarem o sacrifício de Jesus na cruz.

(   ) 27/03, sexta-feira: faça um “jejum de reclamações”, passando o dia todo sem reclamar de nada nem de ninguém. Ao invés de reclamar, procure um motivo para agradecer.

(   ) 28/03, sábado: use sua criatividade e faça um ato de caridade a um dos seus vizinhos.

(   ) 29/03, Domingo de Ramos: agradeça a Deus sinceramente por ter dado a vida na cruz pela nossa salvação.

- Durante a Semana Santa: procure reservar um momento especial de cada dia à oração. Uma boa opção é fazer a Via Sacra, ou pelo menos algumas estações dela por dia, para acompanhar Jesus mais de perto neste momento.

Você pode também fazer um jejum especial ao longo da Semana Santa, não só de alimentos, mas também de palavras e pensamentos negativos; jejum dos “ruídos” do dia a dia, para estar com o coração mais em silêncio, acompanhando Jesus em sua Paixão.

Escute a voz de Deus no seu coração: Ele guiará você em seus propósitos diários!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Cinzas: Páscoa no horizonte

Fonte: Catequese hoje
O Ano Litúrgico é um “tempo terapêutico” que toca, desvela e transforma todas as dimensões da vida. A partir desta perspectiva, a Quaresma e a Páscoa são consideradas tempos de intensa mobilização para a mudança interior e comunitária. A expressão bíblica para indicar essa transformação é “metánoia”, que indica mudança, conversão, fazer o retorno, ter diante dos olhos outro caminho a percorrer, tomar outro atalho com uma mudança de direção. 

De acordo com este tempo litúrgico, o caminho para a transformação começa simbolicamente com a “Quarta-feira de Cinzas”. Com a imposição das cinzas, reconhecemos a necessidade de dar outro rumo à vida, com todo o nosso ser. Mudar nosso coração de pedra por um coração de carne, misericordioso, com entranhas, humano. A liturgia na Igreja expressa isso mediante uma fórmula ritual: ao traçar a cruz com cinzas a fronte de cada um, proclama: “Convertei-vos e crede no Evangelho”. Ou seja, mude de caminho, com renovada decisão, e assuma a causa de Jesus de Nazaré: seu Reinado de justiça e de paz. 
As “cinzas” são o símbolo daquilo que morreu e foi reduzido à sua expressão mínima. Cinzas obtidas dos ramos que na celebração do ano anterior nos ajudou a fazer memória da entrada triunfante de Jesus em Jerusalém. O modo de louvar, de rezar, de celebrar do ano passado, já não serve mais; não podemos usar os mesmos ramos, os mesmos argumentos, a mesma intensidade. Daqui brota a necessidade de não nos apegarmos àquilo que serviu alguma vez para nosso crescimento espiritual e comunitário, para fazer aparecer a novidade de uma notícia que sempre desperta mais assombro. 
Os ramos transformados em cinzas, passaram pelo fogo. Essa é a nossa garantia: que aquilo que passa pelo fogo, é necessariamente renovado. Animar-nos, neste tempo de travessia, a acender o fogo para converter em cinza o que é caduco e ultrapassado em nós; e ao nos ver rodeados de cinzas, sentir-nos-emos esvaziados de nossas falsas seguranças e ilusões, de nossa prepotência e autocentramento. 
Das cinzas surgirá a maturação; as folhas caídas darão lugar ao novo broto e isto implica atrever-nos a viver com mais intensidade e criatividade, fazendo a dura travessia em direção ao novo que nos humaniza. As cinzas, também, apresentam a textura e a leveza para deixar-se espalhar pelo vento, para que o “sopro do Espírito” as leve para onde quer que seja, as lance em terras novas, conferindo-lhes novas fertilidades. 
Marcados pelas cinzas, deixamo-nos conduzir pelo Vento do Espírito para lugares onde seja necessário nossa presença, nosso testemunho, nossa profecia. Quaresma é tempo para confiar nas cinzas e no vento, para sair e criar o novo, preparar o novo mundo e fecundar a nova terra. 
Para ajudar a fazer a “travessia” de uma vida estreita e limitada a uma vida expansiva, aberta e comprometida, a liturgia quaresmal nos convida a viver as chamadas “práticas quaresmais” ou seja, o jejum, a esmola, a oração como atitudes que nos permitem abrir e ampliar espaços em nosso coração, para Deus e para os outros. São também práticas que nos fazem crescer na identificação e no seguimento de Jesus Cristo, pois a Quaresma implica “ter os olhos fixos n´Ele”, para deixar-nos impregnar pelo seu “modo de ser e viver”, alargando cada vez mais as quatro dimensões básicas da vida: relação consigo, com os outros, com a criação e com Deus. 
Fazer jejum não se limita a renunciar algo (alimento, bebida, vícios…); tal atitude pode nos levar a farisaísmos ou voluntarismos, quando o centro somos nós mesmos. Fazer jejum significa ativar e reforçar os dinamismos humanos oblativos, ou seja, aqueles que nos descentram e nos expandem na direção do serviço e do compromisso com o outro, sobretudo os mais pobres e excluídos. Se o jejum não nos faz mais compassivos, solidários, com espírito de partilha... ele se reduz a uma simples penitência, vazia de sentido. No seu horizonte, o outro não está presente. 
A quaresma deverá, então, ser um tempo para “jejuar alegremente”; e isto implica duas coisas:
- jejuar de julgar os outros e festejar a nobreza escondida em cada um; jejuar de preconceitos que nos afastam e fazer festa por aquilo que nos une na vida; jejuar das tristezas e celebrar a alegria; jejuar de pensamentos e palavras doentias e alegrar-nos com palavras carinhosas e edificantes; jejuar de lamentar fracassos e festejar a gratidão; jejuar de ódio e festejar a paciência santificadora; jejuar de pessimismos e viver a vida com otimismo como uma festa contínua; jejuar de preocupações, queixas e lamentações, e festejar a esperança e o cuidado providente de Deus; jejuar de pressas e ativismos e saber festejar o repouso reparador;... 
Algo disto também é vivido através da prática da “esmola”, que não se reduz a renunciar algo próprio, o que sobra. Implica fazer da vida uma contínua “oferta”, ou seja, uma atitude de vida atenta à realidade do outro, deixando-se afetar pela sua pobreza, sofrimento e exclusão. Trata-se de viver o espírito de partilha, colocando “pitadas” de misericórdia nos gestos de proximidade; ter um olhar contemplativo que sabe ler entre linhas, que está atento à sede de compaixão daqueles que o cercam; revelar uma forma de se relacionar com os outros de outra maneira, mais gratuita e desinteressada; não é tirar da bolsa, mas do coração; compartilhar o que se é e o que se tem, em suma, que seja expressão de amor.
Enfim, outra prática quaresmal que nos faz crescer na identificação com Jesus e a viver na perspectiva do outro é a oração. A oração, é vista, muitas vezes, como um modo de “terceirizar” soluções: pedir a Deus que faça o que nós não fazemos; e se Ele não faz será sua suprema vontade que tudo se mantenha igual, fechando a pessoa em sua cápsula tão distante da vida das pessoas. Quaresma é tempo propício para ter Jesus orante diante dos olhos, como referente e inspirador. 
A oração de Jesus o fazia mergulhar de cheio nas dores, nas exclusões e nas injustiças cotidianas, e o provocava a revisar suas práticas concretas, para cultivar vínculos mais semelhantes aos que Ele descobria como o sonho do Pai. Na oração, Jesus exalta os pequenos e excluídos; nas experiências compartilhadas de oração vai delineando sua missão e ampliando seus próprios limites, abre-se aos “pagãos”, reconhece e aceita o novo que brota das margens. 
Em atitude orante, Jesus abre os olhos e ouvidos dos cegos e surdos, põe de pé os paralíticos, anima os desfalecidos a recomeçar, cura os doentes... A solidão no monte o impulsiona a compreender com mais profundidade o sentido daquilo que vive e a comprometer suas mãos com maior decisão nas vidas daqueles com quem se encontra... 
Texto bíblico: Mt 6,1-6.16-18 

Na oração: Em nosso interior há todo um mundo de vozes, ruídos e imagens que surgem de nós mesmos, daqueles que nos rodeiam, de nossa comunidade e também de Deus. É preciso tomar consciência dos “movimentos internos” que acontecem na oração, acolhê-los, interpretá-los e verificar a direção que eles estão indicando. 
Daí a importância do silêncio na oração; ele é a chave a raiz da palavra carregada de vida; o silêncio é o território da palavra ousada e criativa; a palavra mais significativa brota de uma longa espera, de um prolongado silêncio; do silêncio brota a palavra que torna nossa vida mais intensa, abrindo-nos a Deus e aos outros; na oração aprendemos a distinguir e dar nome àquilo que vem de Deus; vamos aprendendo a escolher as cores que nos ajudam a preencher nossa vida, por dentro e por fora, com as tonalidades que melhor nos harmonizem com a paisagem que Deus quer pintar no mundo. 
Pe. Adroaldo Palaoro sj
Diretor do Centro de Espiritualidade Inaciana -CEI

Acabou a euforia. E agora?

Fonte: Cleófas
O carnaval passa rápido. Mas ainda que dure três dias, quando acaba pode deixar um sabor amargo.

Os dias de carnaval são vividos de muitas maneiras. Alguns aproveitam para descansar no campo ou na praia, outros vão para os retiros espirituais etc. E há aqueles que caem, de fato, na chamada “folia”. Mesmo para estes, os dias de carnaval não são iguais. Alguns gostam de, como se dizia antigamente, “brincar o carnaval”, e são capazes de ir aos clubes ou sair em algum bloco carnavalesco sem perder a compostura, isto é, sem cair na droga, na bebida ou na sexualidade fácil e sem compromisso.

Mas há outros que, infelizmente, fazem desses dias um tempo de liberação de todas as paixões desordenadas que “digladiam em nossos membros”, como dizia São Paulo. Esses, muitas vezes cansados de seus problemas de toda natureza, fazem desta festa dias de relaxamento e se entregam de corpo e alma às folias desregradas, regadas a bebidas, drogas, sexo etc. É claro que o fruto de tudo isso é ruim. O pecado gera tristeza. A virtude produz alegria na alma.

São Paulo fala muito claro desses pecados que matam na alma a graça de Deus: “Comportemo-nos honestamente, como em pleno dia: nada de orgias, nada de bebedeira; nada de desonestidades nem dissoluções; nada de contendas, nada de ciúmes” (Rm 13,13). Deus não nos quer dominados pelos pecados, pois eles nos escravizam: “Quanto à fornicação, à impureza, sob qualquer forma, ou à avareza… Nada de obscenidades, de conversas tolas ou levianas, porque tais coisas não convêm; em vez disto, ações de graças. Porque sabei-o bem: nenhum dissoluto, ou impuro, ou avarento – verdadeiros idólatras! – terá herança no Reino de Cristo e de Deus. Ao contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não façais caso da carne nem lhe satisfaçais aos apetites” (Ef 5,3-5).

Quando o carnaval termina, o que resta é a alegria? Nesses casos, não. A alegria é diferente do prazer. Este passa rápido, ainda que possa durar três dias; e quando passa, deixa sabor amargo. Sabemos que há muitas meninas que engravidam nesses dias, são enganadas e abusadas; depois, levam no ventre uma criança para gestar e criar. Sabemos a consequência de tudo isso. Não vale a pena. E quantos rapazes e garotas que se entregam à bebida e às drogas!

Acabada a folia, é hora de retomar o caminho da verdade e da vida, e Jesus nos aponta esse caminho. Se foi um tempo de devassidão, para quem é católico, é hora de pensar no que passou, confessar-se caso haja pecados e retomar a caminhada da fé.

Felizmente, temos agora um tempo de graça que a Igreja coloca para nós e o céu confirma: a Quaresma.

Nela, a Igreja nos aponta os “remédios” para uma alma adoecida pelo pecado: jejum, esmola e oração. Mas também leitura meditada da Palavra de Deus, confissão, Eucaristia, um terço de Nossa Senhora bem rezado, uma peregrinação, uma via-sacra. Enfim, são práticas que nos ajudam a vencer o pecado, a readquirir a graça de Deus e viver na Sua intimidade como Seus filhos amados.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Fonte: Aleteia
A Quaresma começa hoje e você ainda está a tempo de testar seus conhecimentos sobre este período tão especial para os católicos.

Responda às perguntas a seguir, com suas próprias palavras, e depois compare suas respostas com as que aparecem na segunda página.

1. O que significa a palavra “Quaresma” e em que consiste?

2. Quais são os dias de jejum e como eles são vividos?

3. Por que é feita uma cruz de cinzas na testa dos católicos, na Quarta-Feira de Cinzas?

4. Como se chamam os dias entre a Quarta-Feira de Cinzas e o 1º Domingo da Quaresma?

5. Cite 3 práticas de piedade que a Igreja recomenda na Quaresma.

6. O que significa a palavra “esmola”?

7. Quais são os dias de abstinência e em que consistem?

8. Mencione pelo menos 3 formas diferentes de orar.

9. Que aclamação da Missa é suprimida durante a Quaresma?

10. Que oração da Missa é suprimida durante a Quaresma?

11. Além da oração, esmola e jejum/abstinência, o que a Igreja nos pede naQuaresma?

12. De que maneiras concretas você vai viver a oração, esmola, jejum/abstinência e a reconciliação com Deus nesta Quaresma?

RESPOSTAS

1. Significa “quarenta”. É um tempo penitencial para examinar a nossa alma, arrepender-nos dos nossos pecados, endireitar o caminho e reorientar nossos passos rumo a Deus, para chegar bem preparados para a Semana Santa, na qual celebramos a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor.

2. Os dias de jejum são dois: Quarta-Feira de Cinzas e Sexta-Feira Santa. Ele é obrigatório dos 18 aos 59 anos. Os doentes são isentos. O jejum consiste em ter um café da manhã e jantar leves (comendo, por exemplo, a metade do que você comeria normalmente) e uma refeição completa (porém, simples) no almoço.

3. Esta prática não é realizada só por costume nem muito menos por superstição, e sim como sinal de arrependimento dos próprios pecados e propósito e emenda, de conversão.

4. Na liturgia da Igreja, esses dias são conhecidos como “Quinta-Feira depois das Cinzas”, “Sexta-Feira depois das Cinzas” e “Sábado depois das Cinzas”.

5. Oração, esmola e jejum/abstinência.

6. Misericórdia de Deus. Então, dar esmola não significa necessariamente dar uma moeda a um mendigo, mas em ser misericordiosos como Deus é misericordioso (cf. Lc 6, 36), ter compaixão dos outros, em especial dos mais carentes e sofredores, e fazer o que estiver ao nosso alcance para assisti-los sem humilhá-los.

7. A abstinência consiste em uma privação voluntária. É obrigatória a partir dos 14 anos. Consiste em abster-se de comer carne na Quarta-Feira de Cinzas, em todas as sextas-feiras da Quaresma – especialmente na Sexta-Feira Santa. Mas não podemos nos conformar com este mínimo, e sim buscar outras formas de abstinência que possam nos ajudar a fortalecer-nos espiritualmente, e também ajudar os outros. Por exemplo: abster-se de julgar e criticar, de reclamar, de ver televisão etc.

8. Há muitas formas de orar. Por exemplo: oração de adoração, de louvor, de ação e graças, de petição de perdão, de intercessão, de contemplação. A Missa contém todas elas e, por isso, é a melhor oração que existe.

9. A aclamação antes do Evangelho, conhecida como “Aleluia”.

10. A oração do Glória.

11. Ela nos convida a buscar o sacramento da Confissão para experimentar a felicidade de receber o perdão e o abraço de Deus. É como “deixar nossa ficha limpa” e recomeçar nosso caminho rumo à santidade.

12. Aqui a resposta depende de você, e só será incorreta se você disser que não fará nada.

RESULTADOS

De 10 a 12 acertos: Excelente! Você realmente sabe o que é a Quaresma. Agora, aproveite-a!

De 7 a 9 acertos: Você tem um bom conhecimento sobre a Quaresma, mas ainda falta um aprofundamento. Procure conhecer melhor a sua fé e viva-a!

De 4 a 6 acertos: Seu conhecimento sobre a Quaresma é limitado. Aproveite esta época para descobrir a riqueza da sua fé. Não se conforme com o que você aprendeu na infância!

Menos de 3 acertos: Pode ser que você tenha acertado estas poucas respostas inclusive por acaso. Não se resigne a ignorar sua fé. Você está perdendo um grande tesouro!

terça-feira, 20 de março de 2012

Quaresma: tempo de confissão, por quê?

Por que se confessar?
Porque é o Sacramento da Misericórdia de Deus. Quase todo dia a gente cai e se levanta. Ninguém quer ficar no chão. A gente pisa em falso porque não enxerga bem os passos e o caminho de Jesus. Erramos de caminho. Atrapalhamos a caminhada uns dos outros. Deus sempre dá a mão para a gente se deixar reconduzir. No sacramento da Penitência celebramos a coragem de pegar de novo na mão de Deus e voltar a andar no caminho dEle, que é o caminho da santidade. Pela confissão a gente recupera aquele estado de purificação e santidade que recebemos no Batismo.

Quem inventou a Confissão?
Jesus Cristo. Ele sempre convidou à penitência e à mudança de vida. Ele oferece sempre o perdão. “Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15); “Vai e não peques mais” (Jo 8,11); “estão perdoados os teus pecados” (Mt 9,2); “A quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; aqueles aos quais retiverdes ser-lhes-ão retidos” (Jo 20,23).

Por que se confessar com o sacerdote, se ele também é pecador?
Ninguém cresce sozinho, nem na vida biológica, nem na vida profissional… Nem na vida cristã. Precisamos uns dos outros. Somos uma comunidade de irmãos. Jesus deu aos Apóstolos (e seus sucessores) o poder de perdoar pecados: “a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados” (Jo 20,23).
Só Deus perdoa os pecados. Jesus exerce esse Poder Divino, e, em virtude de sua autoridade, transmite esse poder aos homens, para que o exerçam em seu Nome. Não é o padre quem nos perdoa, pois ele mesmo, ao final da confissão, diz: "Eu te perdoo EM NOME DO PAI, DO FILHO E DO ESPÍRITO SANTO. É Deus quem nos perdoa através do sacerdote.
Muitas pessoas não sabem, mas os padres também se confessam com outros padres. Da mesma forma os bispos, os cardeais e o Papa. Eles também se confessam com frequência e muitos possuem até um orientador espiritual para os auxiliar na caminhada rumo a Deus.

Com que frequência devo me confessar?
A Igreja recomenda AO MENOS uma confissão por ano, na ocasião da Páscoa. Mas não é verdade que ninguém gosta de receber o salário mínimo? Pois é. Na nossa vida espiritual também deve ser assim. Não devemos nos contentar com o mínimo. Devemos nos confessar sempre que nossa consciência nos acusar de alguma falta.

Quais as consequências do pecado e da falta de confissão?
As consequências negativas do pecado não são apenas a nivel individual. São, de igual modo, comunitárias e eclesiais (para toda a Igreja).
Podemos fazer uma comparação com uma imagem para que você possa compreender melhor. A Igreja seria como o pneu de uma roda de bicicleta. Essa roda possui vários raios (varetas) que se ligam ao pneu. Nós somos esses raios. Cada vez que alguém peca, um raio entorta e o movimento da roda fica comprometido. Se o pecado é grave, o raio entorta bastante. Por isso, é preciso que todos os raios da roda estejam bem ajustados, para que o todo não seja comprometido.

Como fazer uma boa confissão?
1. Reze ao Espírito Santo pedindo sua Luz para conhecer a Palavra e reconhecer sinceramente seus pecados.
2. Examine sua consciência, faça uma revisão de vida, desde a sua última confissão.
3. Arrependimento ou contrição por ter pensado ou agido contra os ensinamentos de Deus. Pedir ao Espírito Santo a graça de reconhecer seu pecado, e de sentir dor por ter pecado.
4. Confissão ou ato de acusação ao Padre. Chegando diante dele diga-lhe: “Padre, dá-me a benção porque pequei. Há… tantos meses (anos) não me confesso. Meus pecados são…” confesse somente os seus pecados; não precisa dar justificativas ou explicações de seus pecados.
5. Penitência: são as obras que o Padre exorta a fazer (orações, jejuns, oferta aos pobres, reparação…) reze, também, o ato de contrição, como segue o exemplo:
“Meu Deus, eu me arrependo de todo o meu coração, de vos ter ofendido, porque sei que sois bom e amável. Prometo com a vossa graça nunca mais pecar. Meu Jesus Misericórdia”.
6. Compromisso ou bom propósito de mudança de vida a partir da confissão.
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segunda-feira, 19 de março de 2012

Confissão em preparação para a Páscoa

Vamos ao encontro de Cristo na confissão. Ele é o bom pastor que conhece as suas ovelhas e as ovelhas escutam a sua voz chamando: Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados com o peso de vossos fardos e eu vos aliviarei. Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração. 

Deus fala pelo profeta Ezequiel: “Eu mesmo vou apascentar as ovelhas, procurarei aquela que se perdeu, reconduzirei a desgarrada, curarei a que se feriu ou que estiver doente e guardarei a que estiver gorda. (Ez 34,15-16). 

Quando decidimos confessar devemos pensar mais em Cristo do que nos nossos pecados. Claro que é necessário um bom exame de consciência, porém a força motivadora que nos move até o confessionário é a alegria do encontro com Cristo, pois Ele nos espera pacientemente. 
Como o Filho Pródigo, cada confissão é o reencontro com o Pai e experimentar novamente a alegria de ser salvo. Devemos sentir desejo por este encontro com a misericórdia. 
Durante toda a vida teremos que pedir perdão muitas vezes e o Senhor sempre nos perdoa. Somos amparados na esperança do salmista: “Tende piedade de mim Senhor, segundo a vossa imensa misericórdia. 
Sempre pedimos mais que merecemos e recebemos de Deus, mais do que pedimos. Deus não despreza um coração contrito. Por isso Deus nos pede somente a Contrição perfeita, ou seja, o reconhecimento humilde e sincero de nossas culpas, a acusação pessoal destes pecados, associada à dor pelo pecado. 
São Josémaria Escrivá ensinava que a confissão dever ser: concisa, concreta, clara e completa. Vale a pena cuidar bem destes quatro aspectos da confissão. 
A confissão também proporciona luz de Deus e fortaleza para nossa luta diária. Todo Sacramento é uma torrente transbordante de graças especiais (sacramentais) que são um auxílio indispensável. Mesmo não tendo pecados mortais a confessar, confessar-se dos pecados do dia-a-dia mostra uma delicadeza de alma e ajuda a evitar as ocasiões de pecar. A confissão sincera deixa sempre na alma uma grande paz. (Padre Funchal – Diocese de Osasco)  

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A caminhada para a Páscoa


A vida é caminhada, peregrinação. Somos povo a caminho, destinados à pátria celeste... Eis a mensagem da Escritura, especialmente do Novo Testamento. Mensagem que, na prática tendemos a ignorar ou na qual preferimos não pensar. O mundo do aqui e agora é que toma nossa atenção. Como se nada houvesse além do mundo visível e material. Perdemos nosso senso de direção e de propósito, esquecemos que destino mais alto nos aguarda. 
De tempo em tempo, precisa-se retomar a caminhada com ímpeto novo. A Quaresma é esse tempo, “tempo favorável”, em que iniciamos com novo propósito a caminhada que nos conduz, enfim, a Deus. Nosso objetivo imediato é a Páscoa, a passagem cristã, mas ela própria é símbolo e antegozo da festa pascal no céu. Por isso, a época quaresmal pode ser vista como microcosmo da própria vida. O caminho dessa alegria passa pela estreita porta da penitência. Ilusão esperar por alegria fácil ou instantânea. Implica observância que pode ir deveras contra nossa vontade. Haverá elemento de combate, de autorrestrição, de firmeza. Na oração da coleta na missa da quarta-feira de Cinzas, pedimos ao Senhor “para que a penitência nos fortaleça no combate contra o espírito do mal”, ao iniciarmos a Quaresma. Assim, devemos nos preparar para a batalha. Mas não deve haver a encenação farisaica da cara amarrada. O oferecimento deve ser feito com júbilo, já que “Deus ama a quem dá com alegria” (2Cor 9,7). No espírito da liturgia oriental, exclamemos: “guardemos todos esses dias com alegria”. (Fonte: Quaresma e Semana Santa, Vincent Ryan, OSB - Ed. Paulinas-1991)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Mensagem do Papa Bento XVI para a Quaresma 2012

O Papa pede para termos misericórdia de quem sofre

Na mensagem para a Quaresma 2012, divulgada nessa terça-feira, 7, no Vaticano, o Papa Bento XVI propôs uma reflexão sobre o trecho tirado da Carta aos Hebreus que diz "prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras" (10,24). O santo Padre deteve-se especialmente no versículo 24 que "em poucas palavras, oferece um ensinamento precioso e sempre atual sobre três aspectos da vida cristã: prestar atenção ao outro, o dom da reciprocidade e a santidade pessoal.
O primeiro elemento "prestar atenção" nos convida a fixar o olhar no outro, a começar por Jesus, e a estar atentos uns aos outros, a não se mostrar indiferente ao destino dos irmãos. Nas palavras do Santo Padre, a voz do Senhor chama cada um de nós a cuidar do outro e "se cultivarmos esse olhar de fraternidade, brotarão naturalmente do nosso coração a solidariedade, a justiça, bem como a misericórdia e a compaixão." 
Ele continua, dizendo que a Sagrada Escritura adverte quanto ao perigo de ter o coração endurecido por uma espécie de "anestesia espiritual", que nos torna cegos aos sofrimentos alheios. Coloca como exemplo dessa situação, duas parábolas de Lucas: a parábola do bom Samaritano em que o sacerdote e o levita "passam ao largo" do homem assaltado e espancado pelos salteadores e a parábola do rico avarento, em que o homem rico não se dá conta da condição do pobre Lázaro que morre de fome à sua porta. Nos dois casos, diz o Papa, deparamo-nos com o contrário de "prestar atenção", de olhar com amor e compaixão. E ainda nos questiona o Papa: "O que é que impede este olhar feito de humanidade e carinho pelo irmão? Com frequência, é a riqueza material e a saciedade, mas pode ser também o antepor a tudo os nosso interesses e preocupações próprias." E complementa, "sempre devemos ser capazes de "ter misericórdia por quem sofre; o nosso coração nunca deve estar tão absorvido pelas nossas coisas e problemas que fique surdo ao brado do pobre."
O Santo Padre nos alerta ainda, que o "prestar atenção" ao outro inclui, também, a solicitude pelo seu bem espiritual. Ele recorda um aspecto da vida cristã que anda esquecido: o da "correção fraterna, tendo em vista a salvação eterna." Enfatiza que a tradição da Igreja enumera entre as obras espirituais de misericórdia a de "corrigir os que erram. É importante recuperar esta dimensão do amor cristão. Não devemos ficar calados diante do mal... entretanto a advertência cristã nunca há de ser animada por espírito de condenação ou censura; é sempre movida pelo amor e a misericórdia e brota de uma verdadeira solicitude pelo bem do irmão."
O segundo elemento do versículo 24 é o dom da reciprocidade. Conforme exorta o Papa, "os discípulos do Senhor, unidos a Cristo através da Eucaristia, vivem numa comunhão que os liga uns aos outros como membros de um só corpo...Na Igreja, corpo místico de Cristo, verifica-se esta reciprocidade: a comunidade não cessa de fazer penitência e implorar perdão para os pecados dos seus filos, mas alegra-se contínua e jubilosamente também com os testemunhos de virtude e de amor que nela se manifestam. Que os membros tenham a mesma solicitude de uns para com os outros (1Cor 12,25) - afirma São Paulo - porque somos um e o mesmo corpo.
O terceiro elemento, nos diz Bento XVI,  que "nos estimularmos ao amor e às boas obras" significa caminhar juntos na santidade, impelindo-nos a considerar a vocação à santidade como o caminho constante na vida espiritual, a "aspirar aos carismas mais elevados e a um amor cada vez mais alto e fecundo".
Por fim, o Santo Padre nos conclama a acolhermos o convite, sempre atual, para tendermos à "medida alta da vida cristã" (João Paulo II). Que sintamos a urgência de esforçar-nos por adiantar no amor, no serviço e nas boas obras.
Leia na íntegra a Mensagem do Santo Padre

quinta-feira, 31 de março de 2011

ORAÇÃO, JEJUM, MISERICÓRDIA...

Nesse tempo quaresmal, somos convidados a trilhar um caminho de conversão, de confronto da nossa vida com a Palavra de Deus. A oração, através da escuta da Palavra de Deus, o jejum e a caridade são os meios que podem nos levar a uma verdadeira conversão. Mas, eles devem ser abraçados ao mesmo tempo. São inseparáveis. No pensamento de São Pedro Crisólogo, que foi bispo em Ravena, na Itália, no século V, e que reflete o pensamento da Igreja em todos os tempos, a oração, o jejum e a misericórdia devem caminhar juntos. No belíssimo Sermão 43, que transcrevo abaixo, São Pedro Crisólogo nos mostra como a prática simultânea dos três meios, pode nos levar à oração perfeita.
"Há três coisas, meus irmãos, três coisas que mantêm a fé, dão firmeza à devoção e perseverança à virtude. São elas a oração, o jejum e a misericórdia. O que a oração pede, o jejum alcança e a misericórdia recebe. Oração, misericórdia, jejum: três coisas que são uma só e se vivificam reciprocamente.
O jejum é a alma da oração e a misericórdia dá vida ao jejum. Ninguém queira separar estas três coisas, pois são inseparáveis. Quem pratica somente uma delas ou não pratica todas simultaneamente, é como se nada fizesse. Por conseguinte, quem ora também jejue; e quem jejua, pratique a misericórdia. Quem deseja ser atendido nas suas orações, atenda as súplicas de quem lhe pede; pois aquele que não fecha seus ouvidos às súplicas alheias, abre os ouvidos de Deus às suas próprias súplicas.
Quem jejua, pense no sentido do jejum; seja sensível à fome dos outros quem deseja que Deus seja sensível à sua; seja misericordioso quem espera alcançar misericórdia; quem pede compaixão, também se compadeça; quem quer ser ajudado, ajude os outros. Muito mal suplica quem nega aos outros aquilo que pede para si.
Homem, sê para ti mesmo a medida da misericórdia; deste modo alcançarás misericórdia como quiseres, quanto quiseres e com a rapidez que quiseres; basta que te compadeças dos outros com generosidade e presteza.
Peçamos, portanto, destas três virtudes – oração, jejum, misericórdia – uma única força mediadora junto de Deus em nosso favor; sejam para nós uma única defesa, uma única oração sob três formas distintas. Reconquistemos pelo jejum o que perdemos por não saber apreciá-lo; imolemos nossas almas pelo jejum, pois nada melhor podemos oferecer a Deus como ensina o Profeta: Sacrifício agradável a Deus é um espírito penitente; Deus não despreza um coração arrependido e humilhado (Cf. Sl 50,19).
Homem, oferece a Deus a tua alma, oferece a oblação do jejum, para que seja uma oferenda pura, um sacrifício santo, uma vítima viva que ao mesmo tempo permanece em ti e é oferecida a Deus. Quem não dá isto a Deus não tem desculpa, porque todos podem se oferecer a si mesmos.
Mas, para que esta oferta seja aceita por Deus, a misericórdia deve acompanhá-la; o jejum só dá frutos se for regado pela misericórdia, pois a aridez da misericórdia faz secar o jejum. O que a chuva é para a terra, é a misericórdia para o jejum. Por mais que cultive o coração, purifique o corpo, extirpe os maus costumes e semeie as virtudes, o que jejua não colherá frutos se não abrir as torrentes da misericórdia.
Tu que jejuas, não esqueças que fica em jejum o teu campo se jejua a tua misericórdia; pelo contrário, a liberalidade da tua misericórdia encherá de bens os teus celeiros. Portanto, ó homem, para que não venhas a perder por ter guardado para ti, distribui aos outros para que venhas a recolher; dá a ti mesmo, dando aos pobres, porque o que deixares de dar aos outros, também tu não o possuirás."
Dos Sermões de São Pedro Crisólogo, bispo (Sermão 43: PL 52,320.322)
Que possamos fazer desse tempo quaresmal, o verdadeiro tempo favorável para nossa mudança interior, à luz dos ensinamentos da Igreja, desde os primeiros séculos.
Paz e Bem!

quinta-feira, 10 de março de 2011

Como viver bem esse tempo forte de meditação, oração, jejum e esmola?

Neste tempo especial de graças que é a Quaresma devemos aproveitar ao máximo para fazermos uma renovação espiritual em nossa vida. O Apóstolo São Paulo insistia: "Em nome de Cristo vos rogamos: reconciliai-vos com Deus!" (2 Cor 5, 20); "exortamo-vos a que não recebais a graça de Deus em vão. Pois ele diz: Eu te ouvi no tempo favorável e te ajudei no dia da salvação (Is 49,8). Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação." (2 Cor 6, 1-2).
Cristo jejuou e rezou durante quarenta dias (um longo tempo) antes de enfrentar as tentações do demônio no deserto e nos ensinou a vencê-lo pela oração e pelo jejum. Da mesma forma a Igreja quer ensinar-nos como vencer as tentações de hoje. Daí surgiu a Quaresma.
Na Quarta-Feira de Cinzas, quando ela começa, os sacerdotes colocam um pouquinho de cinzas sobre a cabeça dos fiéis na Missa. O sentido deste gesto é de lembrar que um dia a vida termina neste mundo, "voltamos ao pó" que as cinzas lembram. Por causa do pecado, Deus disse a Adão: "És pó, e ao pó tu hás de tornar". (Gênesis 2, 19)
Este sacramental da Igreja lembra-nos que estamos de passagem por este mundo, e que a vida de verdade, sem fim, começa depois da morte; e que, portanto, devemos viver em função disso. As cinzas humildemente nos lembram que após a morte prestaremos contas de todos os nossos atos, e de todas as graças que recebemos de Deus nesta vida, a começar da própria vida, do tempo, da saúde, dos bens, etc.
Esses quarenta dias, devem ser um tempo forte de meditação, oração, jejum, esmola ('remédios contra o pecado'). É tempo para se meditar profundamente a Bíblia, especialmente os Evangelhos, a vida dos Santos, viver um pouco de mortificação (cortar um doce, deixar a bebida, cigarro, passeios, churrascos, a TV, alguma diversão, etc.) com a intenção de fortalecer o espírito para que possa vencer as fraquezas da carne.
Na Oração da Missa de Cinzas a Igreja reza: "Concedei-nos ó Deus todo poderoso, iniciar com este dia de jejum o tempo da Quaresma para que a penitência nos fortaleça contra o espírito do Mal".
Sabemos como devemos viver, mas não temos força espiritual para isso.A mortificação fortalece o espírito. Não é a valorização do sacrifício por ele mesmo, e de maneira masoquista, mas pelo fruto de conversão e fortalecimento espiritual que ele traz; é um meio, não um fim.
Quaresma é um tempo de "rever a vida" e abandonar o pecado (orgulho, vaidade, arrogância, prepotência, ganância, pornografia, sexismo, gula, ira, inveja, preguiça, mentira, etc.). Enfim, viver o que Jesus recomendou: "Vigiai e orai, porque o espírito é forte mas a carne é fraca".
Embora este seja um tempo de oração e penitência mais profundas, não deve ser um tempo de tristeza, ao contrário, pois a alma fica mais leve e feliz. O prazer é satisfação do corpo, mas a alegria é a satisfação da alma.
Santo Agostinho dizia que "o pecador não suporta nem a si mesmo", e que "os teus pecados são a tua tristeza; deixa que a santidade seja a tua alegria". A verdadeira alegria brota no bojo da virtude, da graça; então, a Quaresma nos traz um tempo de paz, alegria e felicidade, porque chegamos mais perto de Deus.
Para isso podemos fazer uma confissão bem feita; o meio mais eficaz para se livrar do pecado. Jesus instituiu a confissão em sua primeira aparição aos discípulos, no mesmo domingo da Ressurreição (Jo 20,22) dizendo-lhes: "a quem vocês perdoarem os pecados, os pecados estarão perdoados". Não há graça maior do que ser perdoado por Deus, estar livre das misérias da alma e estar em paz com a consciência.
Jesus quis que nos confessemos com o sacerdote da Igreja, seu ministro, porque ele também é fraco e humano, e pode nos compreender, orientar e perdoar pela autoridade de Deus. Especialmente aqueles que há muito não se confessam, têm na Quaresma uma graça especial de Deus para se aproximar do confessor e entregar a Cristo nele representado, as suas misérias.
Uma prática muito salutar que a Igreja nos recomenda durante a Quaresma, uma vez por semana, é fazer o exercício da Via Sacra, na igreja, recordando e meditando a Paixão de Cristo e todo o seu sofrimento para nos salvar. Isto aumenta em nós o amor a Jesus e aos outros.
Não podemos esquecer também que a Santa Missa é a prática de piedade mais importante da fé católica, e que dela devemos participar, se possível, todos os dias da Quaresma. Na Missa estamos diante do Calvário, o mesmo e único Calvário. Sim, não é a repetição do Calvário, nem apenas a sua "lembrança", mas a sua "presentificação"; é a atualização do Sacrifício único de Jesus. A Igreja nos lembra que todas as vezes que participamos bem da Missa, "torna-se presente a nossa redenção".
Assim podemos viver bem a Quaresma e participar bem da Páscoa do Senhor, enriquecendo a nossa alma com as suas graças extraordinárias; podendo ser melhor e viver melhor.
Felipe Aquino (Fonte: Canção Nova)

quarta-feira, 9 de março de 2011

A coerência entre fé e vida

Durante o tempo da Quaresma, agora iniciado, um aspecto será muito importante em nossa vida de conversão: a transparência, a sinceridade de coração. Quando ouvimos que não é apenas para rasgar as vestes externas, mas o coração; que não é para pronunciar os louvores de Deus apenas com os lábios, mas com o coração, recordamos a advertência do Sermão da Montanha no domingo que precedeu a Quaresma: não basta dizer Senhor, Senhor!

Entra no reino quem tem diante dos olhos, como seu horizonte, a vontade de Deus, as suas palavras. Daí a urgência, para nós e para as nossas comunidades, de sermos transparentes e coerentes. Que estejamos unidos com a Igreja que santifica, instrui, guia acolhendo, anunciando nos fatos e nas suas escolhas concretas a misericórdia de Deus, fazendo sentir-se perdoados, encontrando realmente os pobres. Somos chamados a olhar o mundo e os homens com o olhar misericordioso do Pai para que não nos tornemos cegos, olhando somente para nós mesmos.

São Palavras para estarem em nossa mente e em nossas atitudes (como se as amarrássemos na fronte e nas mãos), de tal forma que concretamente e com toda transparência busquemos uma vida de sincera conversão. Ouvir e colocar a Palavra em prática! Somente se estivermos abertos à graça de Deus e assim formos capacitados a amar, perdoar, acolher e respeitar, a nossa vida estará firme, será segura, porque estaremos colocando em prática o que disse o Senhor. Só assim nossa vida estará sendo construída sobre a rocha.

Construir a casa sobre a areia, ou seja, quando apenas ouvimos, mas não colocamos em prática, é o mesmo que buscar a si mesmo, fechar-se, não sendo capaz de olhar para frente, não dar-se conta, pensar pequeno, cuidar apenas dos próprios interesses. Precisamos construir sobre a rocha, colocando em prática a Palavra, construir sobre o coração de Deus!

Corremos o risco de uma vida fechada como se vivêssemos uma dissociação que faz movimentar a vida em vias paralelas ou em andares separados. De uma parte Deus, a quem dirigimos a nossa oração, a nossa meditação, a nossa ação em seu Nome; de outra, os nossos interesses e o resto da vida. É como se provássemos salvar a obediência a Deus e, ao mesmo tempo, subtrairmo-nos às exigências que a conversão exige. É nessa direção que precisamos buscar a coerência neste tempo quaresmal agora iniciado. Que a nossa vida transpareça as nossas convicções e vice-versa.

Nos domingos anteriores, quando escutamos a boa notícia da figura do homem novo no Sermão da Montana, meditamos sobre as palavras de Jesus, que diz que nós não podemos servir a dois senhores: eis que às vezes a nossa vida é uma desastrada tentativa de servir a dois senhores. O Evangelho sugere-nos que é da nossa vida cotidiana que se compreende verdadeiramente se temos ou não um só Senhor; é da vida cotidiana que dizemos aos outros quem é verdadeiramente o nosso Senhor.

Que o tempo de conversão e o silêncio da Quaresma nos encontrem disponíveis a dar passos nessa direção, correspondendo melhor ao chamado de Deus para vivermos o nosso Batismo, a nossa vida cristã com coerência e alegria.
D. Orani João Tempesta, Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ