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sexta-feira, 15 de maio de 2015

O Papa Francisco e o futuro da Igreja

Fonte: Blog Carmadélio
Kerry Weber, editora executiva da revista America, dos jesuítas dos EUA, autora do livro “Mercy in the City”
Não interessa se ele está vestindo um poncho, falando para o Congresso ou admitindo que é um pouco ludita, parece que não passa um dia sem que o Papa Francisco seja notícia. E não são apenas os católicos que parecem estar ligados em cada palavra do Santo Padre. Pessoas de todas as origens respeitam a preocupação do papa pelos pobres, sua sinceridade, sua alegria. Nós nunca sabemos a próxima coisa que o que o Papa Francisco vai fazer. E isso é exatamente o que é tão emocionante.
Francisco lembra-nos em ser abertos ao Deus das surpresas. E ele usa continuamente a atenção que lhe é dada para levar seus seguidores de volta a Cristo. Eu já ouvi histórias de muitos jovens católicos, que antes se sentiam alienados, agora reconsiderando a relação com a Igreja, graças ao exemplo de Francisco. Mas, embora Francisco possa tornar a Igreja mais convidativa, ele não é razão suficiente para fazer as pessoas permanecerem nela. Felizmente, há muitas boas razões se ter esperanças sobre o futuro da Igreja Católica, e muitas razões para que os jovens católicos permaneçam por aqui, mesmo depois que passar o frenesi sobre Francisco. Aqui estão apenas algumas:
Crescente ênfase sobre a natureza global da Igreja. Graças às maravilhas da Internet, é mais fácil do que nunca para os jovens se conectarem com pessoas ao redor do mundo, e queremos que a nossa Igreja reflita essa diversidade. Os 20 novos cardeais nomeados pelo Papa Francisco representam 18 países diferentes. O grupo é diversificado, o que esperamos possa ajudar a aumentar a conscientização sobre a grande variedade de desafios enfrentados pelos católicos em diferentes regiões do globo. Algumas vozes globais já estão ganhando proeminência: bispos africanos têm manifestado preocupação com temas que vão da pobreza à poligamia ao Boko Haram. E o cardeal Luis Tagle, das Filipinas, chamou atenção recentemente sobre as dificuldades enfrentadas por muitos trabalhadores nas Filipinas.
Parcerias mais fortes entre leigos e ordens religiosas. Muitas ordens religiosas estão formalmente colaborando com leigos e leigas, em um esforço para aumentar a consciência dos seus carismas. A organização “The Jesuit Collaborative”, em parte, promove programas de liderança e retiros para jovens que querem enriquecer-se com a espiritualidade inaciana.
As Irmãs da Misericórdia estabeleceram o ramo chamado “Mercy Associates” [Associados da Misericórdia], a qual faço parte. Isso significa que eu me comprometi a tentar viver os valores de seu ministério, oração e espiritualidade em minha própria vida de leiga. As Irmãs da Misericórdia trabalham em estreita colaboração com os Associados, e nos veem como parceiros na sua missão e ministério. Como muitos jovens continuam a procurar experiências significativas de vida em comunidade, essas parcerias podem oferecer uma constante conexão para uma comunidade de fé, mesmo quando nos mudamos de um lugar para outro, ajudando-nos a incorporar essa espiritualidade em nossas vidas cotidianas. 
Maior apoio para as mulheres em papéis de liderança da Igreja. Desde o Concílio Vaticano II, as mulheres têm atuado em um número sem precedentes de cargos de liderança na Igreja. Elas lideram paróquias, escolas, hospitais e agências de serviços sociais. Um grande número de mulheres são ministras leigas, profissionais e teólogas, e algumas ensinam em seminários católicos. O Papa Francisco está entre aqueles que pedem um papel maior para as mulheres, especialmente em locais de autoridade na Igreja. No entanto, a este respeito, pouco progresso tem sido feito, e o próprio Francisco usa frequentemente uma terminologia desanimadora quando fala das mulheres. E embora alguns católicos esperam por uma discussão mais aprofundada sobre a ordenação de mulheres ao sacerdócio,Francisco disse que a ordenação de mulheres “não é uma questão aberta à discussão”. No entanto, muitos católicos – homens e mulheres – sugeriram uma série de maneiras criativas de forma que as mulheres católicas possam ocupar posições na Igreja, como à frente de uma congregação ou concílio na Cúria Romana, servindo no corpo diplomático da Santa Sé.
Maiores esforços para ouvir. Os jovens católicos querem ser ouvidos; e eles têm ideias que vale a pena ouvir. Várias dioceses fizeram esforços deliberados para coletar as opiniões dos católicos em nível paroquial antes do Sínodo sobre a Família. 
Um chamado contínuo a amar. Muitos jovens encontram esperança no Papa Francisco, porque ele constantemente nos lembra aquilo que Cristo nos lembrou: Amar-nos uns aos outros. Quando as pessoas se preocupam com o futuro da Igreja, muitas vezes essas preocupações estão relacionadas com as coisas tangíveis, os edifícios, as escolas, os cheiros e os sinos da liturgia. E a Igreja, de fato, inclui essas coisas. Mas é muito fácil esquecer que a Igreja também existe em cada um de nós. Ela existe nos pais juntando os seus filhos para ir à missa. Ela existe no jovem que duvida de Deus. Ela existe no homem ajoelhado diante da Eucaristia. Ela existe nos voluntários que servem comida e conhecem os convidados pelo nome em sua cozinha comunitária. Ela existe nos avós que rezam terços para os seus netos, e nos netos correndo em círculos em torno de seus avós Ela existe no perdão dos sobreviventes do genocídio, pessoas que conheci em Ruanda, e nos homens que conheci quando trabalhei na Prisão de San Quentin. Ela existe entre as pessoas de todas as classes e raças, Ela não conhece fronteiras políticas ou pastorais. A Igreja vai para as periferias. Está nas periferias. E está no centro de tudo que fazemos.
A Igreja é imperfeita. Eu sou apaixonada pela Igreja, por isso sempre há a possibilidade de ela partir meu coração. E ela já fez isso com alguma frequência. Mas a minha vulnerabilidade, essa fragilidade, muitas vezes permite um ponto de entrada para o Espírito Santo. Embora pesquisa após pesquisa mostre que muitos jovens estão optando por deixar para trás essa coisa toda de religião, eu descobri que a melhor maneira para lidar com minhas frustrações com a Igreja é aprofundar a minha fé. E então, mais e mais, encontro um sinal de esperança, o Espírito que trabalha, fora de vista, mesmo quando a Igreja ou o mundo parece estagnado e imutável. Para muitos jovens, de fato, as lições que aprendemos com a Igreja Católica fundamentaram o nosso desejo de trabalhar contra as injustiças dentro dela. Eu me importo com essa bela, controversa, hierárquica, histórica, falha, inspirada, abençoada e dolorosamente lenta instituição. Eu não sei o que o futuro reserva para a Igreja. Mas perseverar na incerteza, com esperança, é exatamente o que significa ter fé.
A Igreja é guiada pelo Espírito. Assim, onde quer que a Igreja vá, eu vou com ela. E eu estou aqui por opção. Eu estou aqui porque acredito, e porque todos os dias tenho de enfrentar minha incredulidade. Nesse meio tempo, tudo o que podemos fazer é continuar a trabalhar conjuntamente para tentar construir o Reino de Deus porque acreditamos que o Espírito Santo vai continuar a guiar a Igreja em direção ao que é verdadeiro, bom e belo. Nós nunca sabemos o que o Espírito Santo vai fazer a seguir. E isso é exatamente o que é tão emocionante.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Saiba quais serão as atividades mais importantes na vida da Igreja em 2015

Fonte: ACI Digital
Um novo ano acaba de começar e com este uma série de atividades e aniversários na vida da Igreja Universal, que comemorou nesta quinta, dia 1º de janeiro, a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus.
Em primeiro lugar é preciso destacar que o ano de 2015 está dedicado à Vida Consagrada, decisão anunciada pelo Papa Francisco em 29 de novembro de 2013 ao final do encontro com a União de Superiores Gerais, assim –informou a Rádio Vaticano-, espera-se que o Santo Padre publique uma nova Constituição Apostólica sobre a vida contemplativa depois da Sponsa Christi promulgada pelo Papa Pio XII em 1950.
O Santo Padre terá em janeiro a sua primeira viagem do ano. Os destinos serão: Sri Lanka entre os dias 12 e 15 de janeiro e as Filipinas de 15 a 19 de janeiro. Depois, em setembro, o Papa viajará à Filadélfia (Estados Unidos) para participar do Encontro Mundial das Famílias.
Além disso, em 2015, serão celebrados os 60 anos do Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM), que reúne 22 conferências episcopais e que foi instituído em 1955 por Pio XII.
Do mesmo modo, durante 2015 será celebrado o Bicentenário do nascimento de São João Bosco, fundador da família salesiana. Os eventos foram apresentados em uma conferência de imprensa internacional em 6 de fevereiro de 2014.
Além disso, a Igreja recordará o décimo aniversário da morte de São João Paulo II. Na Polônia, seu país natal, o Parlamento decidiu no último dia 5 de dezembro consagrar o ano de 2015 ao Papa Wojtyla.
Também acontecerá a XIV Assembleia Geral Ordinária – Sínodo da Família – que acontecerá entre os dias 4 e 25 de outubro sobre o tema “A vocação e a missão da família na Igreja e o mundo contemporâneo”.
Finalmente, este ano a Igreja na Irlanda comemora 1.400 anos da morte de São Columbano, evangelizador da ilha. Para isso, os bispos e religiosos irlandeses têm previsto uma série de eventos para promover as vocações nesta nação, sob o título de “Empreende a viagem. Seja a alegria do Evangelho”.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

As três lições de Bento XVI

Aleteia
No início de fevereiro do ano passado, ninguém podia imaginar. As notícias sobre o Papa se concentravam no “Vatileaks”, um episódio que fez Bento XVI “sofrer injustamente e, com ele, muitas pessoas”, segundo explicou alguns dias atrás o cardeal Pietro Parolin.
Doze meses depois, o Papa Francisco foi eleito o personagem do ano pela revista Time, e o Facebook reconheceu que ele foi o trending topic do ano. Inclusive na Rússia, o nível de consenso sobre este Papa supera 71%, algo sem precedentes na história.
Mas como isso foi possível? A resposta está na renúncia profética de Bento XVI. Aqui estão as três lições que o Papa emérito deixa para a Igreja:

Primeira lição: uma Igreja humilde
A mansidão do gesto de renúncia de Bento XVI mostrou como a credibilidade da Igreja não procede do poder ou da influência política ou econômica. A credibilidade da Igreja depende de seu apego à verdade. E, como dizia Santa Teresa de Jesus, a humildade é a verdade. O mundo rendeu-se perante o gesto de humildade, baseado na verdade.

Segunda lição: uma Igreja que arrisca
Em segundo lugar, Bento XVI mostrou de maneira evidente o que já disse o Papa Francisco: “prefiro mil vezes uma Igreja acidentada a uma Igreja fechada e doente”. O primeiro gesto de renúncia de um papa em uma época moderna estava cheio de questionamentos e perigos. Se fosse submetido a uma consulta de cardeais, seguramente a maioria teria desaconselhado. Os fatos demonstram, um ano depois, a grandeza dessa frase de Bergoglio, que Bento XVI viveu na própria pele.

Terceira lição: uma Igreja com fé
Se alguém tivesse previsto no início do ano passado o que estaria por vir, seria considerado louco. Com sua renúncia, Bento XVI mostrou que quem governa a barca de Pedro não é um homem com nome e sobrenome. Quando a Igreja vive a fé até o fim, experimenta uma força regeneradora inusitada: é a força de Jesus de Nazaré, Deus feito homem para aquele que crê.
Fonte: Il Sismografo

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Papa destaca maior necessidade da Igreja atualmente

Fonte: Canção Nova
Papa Francisco afirmou em uma longa entrevista divulgada nesta quinta-feira, 19, que a maior necessidade da Igreja hoje é a "capacidade de curar as feridas e de aquecer o coração dos fiéis". 
Em entrevista exclusiva à Revista jesuíta italiana La Civiltà Cattolica, o Santo Padre afirmou que sonha como uma "Igreja Mãe e Pastora". "Os ministros da Igreja devem ser misericordiosos, tomar a seu cargo as pessoas, acompanhando-as como o bom samaritano que lava, limpa, levanta o seu próximo. Isto é Evangelho puro. Deus é maior que o pecado", destacou. 
Francisco disse ainda que, por vezes, a Igreja encerrou-se em pequenas coisas e preceitos, porém, o mais importante é o primeiro anúncio: "Jesus Cristo salvou-te". Portanto, segundo o Pontífice, a atitude é a primeira reforma necessária na Igreja, e as reformas organizativas e estruturais são secundárias. 
"Os ministros do Evangelho devem ser capazes de aquecer o coração das pessoas, de caminhar na noite com elas, de saber dialogar e mesmo de descer às suas noites, na sua escuridão, sem perder-se. O povo de Deus quer pastores e não funcionários ou clérigos de Estado. Os bispos, em particular, devem ser capazes de suportar com paciência os passos de Deus no seu povo, de tal modo que ninguém fique para trás, mas também para acompanhar o rebanho que tem o faro para encontrar novos caminhos", enfatizou.
O Santo Padre falou também de temas complexos como o aborto e uniões homossexuais. Francisco recordou que, em Buenos Aires, recebia cartas de pessoas homossexuais que sentiam-se condenadas pela Igreja. "Mas a Igreja não quer fazer isso", explicou. E recordou que, em sua viagem de retorno do Rio de Janeiro, disse que se uma pessoa homossexual é de boa vontade e está à procura de Deus, ele não seria "ninguém para julgá-lo". 
"É necessário sempre considerar a pessoa. Aqui entramos no mistério do homem. Na vida, Deus acompanha as pessoas e nós devemos acompanhá-las a partir da sua condição. É preciso acompanhar com misericórdia. Quando isto acontece, o Espírito Santo inspira o sacerdote a dizer a coisa mais apropriada. Esta é também a grandeza da confissão: o fato de avaliar caso a caso e de poder discernir qual é a melhor coisa a fazer por uma pessoa que procura Deus e a sua graça". 
O Pontífice afirmou o mesmo em relação às mulheres que cometaram aborto. E complementou: "Não podemos insistir somente sobre questões ligadas ao aborto, ao casamento homossexual e uso dos métodos contraceptivos. Isto não é possível. Eu não falei muito destas coisas e censuraram-me por isso. Mas quando se fala disto, é necessário falar num contexto. De resto, o parecer da Igreja é conhecido e eu sou filho da Igreja, mas não é necessário falar disso continuamente". 
Na entrevista, realizada em três encontros no mês de agosto com o padre jesuíta Antonio Spadaro, especialista em comunicação e diretor da revista italiana La Civiltà Cattolica, Papa Francisco falou ainda, entre outros assuntos, sobre o que pensa de si mesmo, sua experiência a frente da Igreja, sua vocação jesuíta e sobre o rumo que pretende dar à Igreja em seu Pontificado.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

A Jornada Mundial da Juventude que a mídia não mostrou

Por: Equipe Christo Nihil Praeponere
www.padrepauloricardo.org

Os dias em que Deus confirmou sua existência para 3,5 milhões de jovens do mundo inteiro

Quem não pôde participar da Jornada Mundial da Juventude e teve de se contentar com as análises da mídia perdeu aspectos fundamentais desse evento que movimentou o país. É bem verdade que as lentes das câmeras conseguiram alcançar pontos importantes e, muitas vezes, belos da Jornada, mas nenhuma delas foi capaz de atingir o coração da JMJ-Rio 2013. Não obstante o clima de festa ocasionado pelo encontro, o que, de fato, marcou a alma dos jovens foi muito mais que a sensação simplista de uma viagem, mas o toque concreto com todos os artigos da fé que compõem o corpo da Igreja que é o próprio Corpo de Cristo.
A começar pela chegada dos peregrinos ao Rio de Janeiro, o Brasil e as demais partes do planeta puderam experimentar a universalidade da Igreja, desde os alegres cantos africanos à acolhida fraternal do povo carioca. Cada bandeira hasteada na praia de Copacabana revelava a dimensão da Noiva de Cristo que a acolhia e a vigiava de braços abertos de cima do Corcovado. Uma cena que deixou a Cidade Maravilhosa ainda mais... maravilhosa. Dos confins do mundo, aonde chegaram os profetas missionários de outrora, vieram as novas gerações de adoradores do Senhor, cuja única missão, concedida pelo Santo Padre, é ir novamente pelo mundo e anunciar o Evangelho a toda criatura.
O Rio de Janeiro que amargava tristes depredações e padecia sob um clima de guerra civil sem precedentes semanas atrás, se convergiu num mar de pessoas que cantava louvores a Deus e pedia a intercessão da Mãe Aparecida. Imagem suficiente para arrancar lágrimas de policiais e sorrisos de bebês que, mesmo sem compreender concretamente o que lá acontecia, sabiam que era algo santo. O ódio dos protestos dos indignados foi afogado pela amor de Cristo. As profanações de meia-dúzia de coitados foram ofuscadas pela sacralidade de 3,5 milhões de batizados. De filhos do Altíssimo. De pessoas que, como pediu o Santo Padre na cerimônia de sua acolhida, botaram fé na verdade, no caminho e na vida que só se encontram em Jesus.
A Jornada Mundial da Juventude apresentou novamente às nações a pujança da Igreja e a sua capacidade de se renovar. Não, a Igreja não está morta. Pelo contrário, vive e se multiplica para além daqueles que profetizaram seu enterro e que, aliás, já estão enterrados. A história se repete e mais uma vez é a Igreja quem sai vitoriosa. Se em Madrid foram dias em que Deus parecia existir, como confessou o jornalista agnóstico Vargas Llosa, no Rio foram dias em que Ele confirmou sua existência. Diferente do que se viu dias atrás, dessa vez os jovens não saíram às ruas para depredar, mas para construir. E construir em cima da Rocha. E por isso gritavam: Esta é a juventude do Papa! Melhor, dos Papas. De Bento e de Francisco, pois a única ruptura proposta por eles é a ruptura com o pecado, não com a fé de dois mil anos como sugerem alguns teólogos mal intencionados por aí.
Os cantos que tomaram as ruas do Rio de Janeiro ainda encontrarão eco em muitos corações. Naquela praia, onde se celebrou a Missa de envio dos peregrinos, novamente exortou Jesus pela boca do Santo Padre: "Ide pelo mundo e fazei discípulos de todas as nações". E neste momento, em que muitos jovens ainda se encontram em ônibus ou aviões voltando para suas casas, também a cruz de Cristo vai com eles para indicar o caminho da Luz da Fé, a única capaz de conduzir o homem para a salvação eterna, onde as portas do inferno não prevalecerão.

sábado, 20 de abril de 2013

Bento XVI, o humilde servo da vinha do Senhor

Fonte: padrepauloricardo.org

O dia de hoje, 19 de abril de 2013, recorda uma data especial. Há oito anos se iniciava o pontificado de Bento XVI, como ele mesmo iria se definir, o "pobre e humilde servo da vinha do Senhor". Palavras estranhas para um mundo cada vez mais mergulhado na autossuficiência e no orgulho. Mas, passado todo esse tempo, o que ninguém pode negar é que Joseph Ratzinger realmente foi pobre e humilde, mesmo sendo quem era: o Arcebispo de uma Arquidiocese, o Prefeito de uma Congregação importante, o Papa. Na verdade, o que ele era, de fato, se resume nestas poucas palavras: um servo que fez o que deveria fazer (Lc 17, 10).
Joseph Ratzinger nunca foi do agrado da mídia. Não era alguém ávido por aplausos. Aliás, sempre criticou aqueles que o buscavam por pura "hipocrisia religiosa". O estimado teólogo se preocupava mais com Deus e com a melhor maneira de servi-lo. E por isso, não hesitava em agir contra sua vontade para fazer a de Seu Senhor. Não é de se espantar, por conseguinte, que diria aos seus colegas da Congregação para Doutrina da Fé a respeito da sua eleição como Bispo de Roma, que lhe aconteceria o mesmo que Jesus dissera a Pedro: "Virá o dia em que serás conduzido a um lugar que não queres ir"(Jo 21, 18).
É claro que um homem assim causaria espanto no mundo, sobretudo naqueles seduzidos pelo prurido de escutar novidades (II Tm 4, 3). Quem se opõe ao erro está sujeito ao escarnecimento público, ao martírio da ridicularização. E isso foi o que menos faltou na vida de Ratzinger. Nazista, cardeal panzer, homofóbico, reacionário. A lista de calúnias é imensa. Todas vindas de um grupo que quer a Igreja prostrada diante do mundo, quando, na verdade, é o mundo que precisa se prostrar, pois é ele que está sujo pela miséria do pecado, da imundície, da podridão, da crise da queda do Éden. É o mundo que necessita da Igreja e dos seus Sacramentos.
Durante esses gloriosos oito anos de pontificado, poucos puderam perceber a grandeza e, ao mesmo tempo, a pequenez por detrás daquela batina branca. Bento XVI representa claramente o paradoxo do Cristianismo, comentado por Chesterton em sua "Ortodoxia". Todas aquelas vestes sacerdotais que enchiam os olhos dos que acompanhavam suas Missas, escondiam um homem de hábitos simples e humildes. Bento XVI sabia que tudo aquilo não era para ele, mas para um Outro: "Se a Igreja deve continuar a converter, a humanizar o mundo, como pode, na sua liturgia, renunciar à beleza, que é unida de modo inseparável ao amor e, ao mesmo tempo, ao esplendor da Ressurreição? Não, os cristãos não devem se contentar facilmente, devem continuar fazendo de sua Igreja o lar do belo, portanto do verdadeiro, sem o que o mundo se torne o primeiro círculo do inferno". [1]
Durante suas viagens, sempre antecedidas de grandes barulhos da mídia anticlerical, Bento XVI tinha o dom de desarmar a qualquer um e fazê-los escutar. David Cameron, primeiro-ministro inglês, diria acerca da visita do Santo Padre ao Reino Unido em 2010 que "o Papa falou para um país de seis milhões de católicos, mas foi ouvido por 60 milhões de cidadãos". Vargas Llosa, Nobel de Literatura e agnóstico confesso, iria mais longe. Sobre a Jornada Mundial da Juventude em Madrid, Espanha, teria a humildade de reconhecer que foram dias "em que Deus parecia existir".
Mas foi no Brasil, na sua visita à Fazenda da Esperança, um centro de recuperação de dependentes químicos, localizado na cidade de Guaratinguetá-SP, que Bento XVI surpreenderia a todos. Sem avisar a equipe de segurança, o Santo Padre decidiu abrir caminho entre um público de 2 mil pessoas, dentre os quais, ex-traficantes, drogados, prostitutas e criminosos, para abraçá-los e abençoá-los. O gesto fez com que o ex-dependente químico Antônio Eleutério Neto dissesse que Bento XVI era "um homem de uma humildade muito grande, muito próximo de Deus, que desarmou a todos com o seu sorriso."
Esse é o Papa Bento XVI. O homem da Palavra de Deus que evangelizou a todos através de seus gestos e discursos. Certamente, seu Ministério Petrino ficará marcado na história da Igreja recente como um dos mais importantes e fecundos para a espiritualidade cristã. Desde a sua contribuição teológica às suas ações pastorais. Que as próximas gerações possam encontrar neste tesouro deixado pelo Papa Emérito uma bússola segura para suas dúvidas e conflitos. Obrigado, Papa Emérito Bento XVI.
Referência
(1) MESSORI, Vittorio. "A Fé em crise? O Cardeal Ratzinger se interroga." Ed. Epul, São Paulo, 1985. p. 95-97.

Por: Equipe Christo Nihil Praeponere

quarta-feira, 13 de março de 2013

A Barca de Pedro navega na História.

(... E está nas mãos de Deus!)
Percival Puggina
Tão grande é a importância das instituições na vida dos povos que muito já escrevi sobre os cuidados que elas requerem. Mas sempre abordei o tema pensando em política. Claro que, sendo católico, não me era desconhecido o fato de que a Igreja é uma instituição, aliás, a mais antiga e benéfica na história. Tampouco me é estranho o conceito, presente na doutrina católica, de que essa instituição é um organismo que sofre com o pecado de cada um. Até entre os 12 escolhidos a dedo por Jesus havia um Judas. 
Os últimos dias, desde que Bento XVI anunciou sua renúncia, colocaram a Igreja no centro do interesse midiático. Tal interesse vasculhou, como é dever da imprensa, desvios de conduta e crimes de que são acusados membros de sua hierarquia. Não fosse a Igreja uma instituição, estaríamos falando, por exemplo, de pedofilia na Austrália, na Escócia, na Irlanda; de negociata em Roma; ou da fértil vida sexual de um presidente paraguaio. Sendo instituição, tais condutas são debitadas a ela e fazem padecer todo corpo eclesial. Como leigo, sinto desconforto e sou tomado de justa indignação. Por isso, espero que o conclave escolha um pontífice dotado de determinação e energia para capinar seu quintal, apartando e entregando à justiça dos homens as ervas daninhas que nele se infiltraram. 
*** 
A barca de Pedro navega na História. Mas não entrega o leme aos poderes terrenos, nem abre velas para os ventos da opinião pública. A Igreja sente e compreende o tempo presente, mas não necessariamente atende os clamores que dele procedem. Ela é progressista em tudo que pode mudar sem renunciar ao patrimônio doutrinário que recebeu. A este ela deve conservadora fidelidade. Ninguém é constrangido a atender o que a Igreja prescreve. Ao contrário do que ocorre nos regimes que a consideram "ópio do povo", nos quais é discriminada ou criminalizada toda expressão de fé, a nave de Pedro é um venerável espaço de liberdade. 
É um grande paradoxo o fato de que os mais insistentes palpites e sugestões sobre mudanças na Igreja vêm, principalmente, de não crentes, de ateus militantes, e de adversários ideológicos da moral cristã. Embora tantos creiam ou opinem no sentido de que o próximo conclave será marcado pela necessidade de um aggiornamento progressista, mundano, a escolha do novo pontífice refletirá a tensão entre os que pretendem manter o controle sobre a burocracia vaticana (onde o Vatileaks sugere haver cobras e lagartos) e os que vão ao conclave dóceis à influência do Espírito Santo sobre sua Igreja. Não é difícil prever de que lado virá a fumaça branca. 
Especial para a REVISTA VOTO, edição de março de 2013
Fonte: Blog do Carmadélio

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Não praticantes


Eduardo Machado 


Ainda que eu fale todas as línguas, dos homens, dos anjos, da mídia... e use todas as línguas para proclamar dogmas, emitir opiniões em entrevistas polêmicas ou fazer comentários de botequim... se não tenho amor, sou como uma campainha estridente, incômoda, medíocre, desagradável e inútil. 
Ainda que eu tenha ao meu lado e ao meu serviço toda a ciência, toda a tecnologia e todo o conhecimento... se não tenho amor, tudo isso é apenas insensível e estéril erudição. 
O amor é paciente, até com aqueles que, do alto da sua religiosidade atrofiada e hipócrita, julgam-se no direito de criticar a Igreja, como se ela fosse uma instância externa, superior, distante. Eu, leigo sou Igreja, tanto quanto meus irmãos na fé, os padres, bispos, religiosos e religiosas com quem convivo. 
E ainda que me envergonhe de muitas coisas, tenho orgulho em dizer que a Igreja é minha família. E da minha família eu até posso falar mal, pois conheço as suas entranhas, mas fico indignado vendo pessoas que se dizem católicos “não praticantes” pegando carona no senso comum, fácil e generalizante, para acusar, criticar e desrespeitar a minha família a minha Igreja. 
Para sermos verdadeiros e coerentes, temos que reconhecer que o cristianismo católico, como opção de fé e de vida, não chega nem perto dos milhões que aparecem no Censo. Há um número imenso de pessoas que são, na verdade, católicos hereditários. Se dizem católicos porque nasceram numa família que se diz católica. O catolicismo é mero caldo de cultura, um verniz que cobre a pele, mas não chega ao coração. 
Por isso, muitos desses católicos não praticantes optam pelo conforto descompromissado das críticas superficiais e dos comentários de botequim. 
Para esses, relembro uma crônica que aqui já compartilhei e que, quem sabe, pode ajudar a refletir sobre nossa responsabilidade que não é de IR à igreja, mas de SER Igreja. 

Numa pequena cidade, quase uma vila do interior dessas Minas Gerais, um jovem padre assumiu a paróquia local que há anos estava vazia. Não houve recepção alguma. Apenas uma velha senhora, beata antiga que cuidava da igreja, ajudou na arrumação da casa paroquial. Tudo ajeitado, uma limpeza geral e o padre colocou à porta da igreja um aviso: 
“No próximo domingo, 9 horas, missa para reabrir as atividades da Igreja em nossa comunidade.” 
No domingo, a velha beata e mais meia dúzia de companheiras acompanharam a missa rezando seus terços e mal respondendo às orações do ritual, habituadas que estavam ao tempo da missa em latim. 
O padre então resolveu ir às ruas, conversar com as pessoas, conhecer melhor o seu arredio rebanho. Por toda parte frieza e indiferença. Aqui e ali, referências ao vigário antigo que havia “aprontado” e deixado na cidade uma triste lembrança. 
Anos de abandono, dificuldades do bispo com os poucos padres da diocese, o comodismo que aos poucos foi envolvendo a todos, o fato é que a maioria não via com bons olhos a volta de um padre àquela comunidade. Na verdade todos estavam com “um pé atrás” em relação à Igreja. 
O padre voltava desanimado para casa quando, ao passar diante de um boteco ouviu alguém gritar em tom de zombaria: 
“Êh, sô padre, desiste que aqui a Igreja morreu!!!” 
O padre parou ao ouvir aquilo, pensou em responder, mas ao ouvir os risos de todos apenas sorriu e continuou seu caminho. Levava no rosto uma expressão enigmática que, nos dias seguintes, daria muito o que falar... 
Pois acontece que, dois dias depois, um cartaz à porta da igreja anunciava: 
“Fui avisado de que a Igreja morreu. É preciso, portanto, providenciar o enterro. Assim, conforme a tradição, faremos no próximo domingo, às 9 horas, uma missa de corpo presente e, em seguida, o enterro da Igreja. 
Conto com a presença de todos, o vigário”. 
Durante o resto da semana não houve outro assunto na vila... 
Curiosos, todos se perguntavam e especulavam sobre o que andaria pela cabeça daquele padre. No boteco afirmavam que ele era louco varrido, o que era bem típico desses padres modernos. 
O fato é que, no domingo, pouco antes das 9hs. a igreja já estava cheia. Toda a vila estava lá . Gente por todos os cantos, se acotovelando e olhando assombrados para um caixão negro rodeado por quatro castiçais, colocado bem diante do altar. O padre não mentira, a defunta estava lá. Murmúrios de espanto e surpresa corriam entre todos. O caixão estava fechado. 
A curiosidade ficou dividida entre aquela cena insólita e um grupo de jovens que tocava e cantava animadamente, convidando o povo a aprender as músicas da missa. O padre os convidara da sua antiga paróquia e eles enchiam a igreja de alegria com o seu canto. E tudo ficava ainda mais esquisito, com aquele cenário de velório inundado por canções que falavam de esperança, participação, comunidade, perdão... 
Às 9 horas o padre entrou e começou a celebração da Missa. Na liturgia da palavra foi lido o texto da Carta de S. Paulo aos Coríntios capítulo 12, versículos de 12 a 27. Falava da Igreja como um corpo onde cada um, como os membros, tem uma função e uma dignidade especial. No texto do Evangelho de Mateus, capítulo 13, versículos de 47 a 50, Jesus falava, através de uma parábola, que a Igreja é como uma rede jogada ao mar: pesca de tudo, peixes bons e maus. 
No sermão, o padre falou de tolerância, misericórdia, perdão. Todos ouviam e percebiam como a vida que viviam era um espelho daquelas palavras. O Rito Penitencial tocou o coração de cada um. 
A celebração foi envolvendo a todos que, praticamente se esqueceram do caixão. Mas ao final da Missa, após uma benção emocionada, o padre avisou: “Agora, conforme o costume, antes do enterro, vamos nos despedir da falecida. Organizem uma fila para passar diante do caixão”. 
E o povo, novamente agitado pela curiosidade, passou lentamente diante daquele estranho ataúde. Cada um passava, olhava e saía com ar envergonhado. 
Houve quem risse, meio sem graça. Houve quem chorasse... 
A maioria ficou pensativa e calada... 
DENTRO DO CAIXÃO, HAVIA APENAS UM ESPELHO...

(Fonte: Rede Catedral - Belo Horizonte - MG)