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domingo, 16 de outubro de 2016

Por que os católicos amam tanto Nossa Senhora?

Fonte: padrepauloricardo.org.br
Nós, católicos, realmente amamos muito Nossa Senhora, e temos muitas razões para isso.
Os católicos precisamos admitir: realmente, nós falamos muito de Nossa Senhora; realmente, nós rezamos muito a ela e somos (extremamente) devotos dos mistérios que envolvem a sua vida;realmente, as nossas casas estão cheias de imagens de Nossa Senhora; realmente, nós usamos todo tipo de adereços para mostrar que a amamos: terços, escapulários, broches, correntinhas, chaveiros, estampas... O que não nos faltam são sinais para demonstrarmos que, de fato, todo católico é mariano e a Igreja Católica está intimamente ligada à pessoa de Nossa Senhora.
Reconhecer isso é muito importante para mantermos um debate saudável e frutuoso com os protestantes. Quando eles nos acusam de "carregar nas tintas" com Maria, quando criticam as nossas procissões, ladainhas e novenas, quase sempre insinuando um "exagero" de nossa parte, não devemos ter medo de afirmar a nossa verdadeira identidade. Ao invés de ficarmos nos desculpando — como muitas vezes fazemos, respondendo às frases decoradas do adversário —, é preciso que estudemos com profundidade a nossa fé, para que estejamos em condições de dar a quem quer nos peça as razões de nossa devoção à Virgem Maria.
Mas voltemos ao nosso ponto inicial. Realmente, nós amamos muito Nossa Senhora. Mas isso tem uma razão de ser, que se chama Jesus Cristo. Quem quer que compreenda um pouco o mistério da pessoa de Cristo é incapaz de permanecer indiferente ou apático à Virgem Maria.
Antes de mais nada, é preciso que tenhamos em mente o que aconteceu naquele grande dia, narrado pelo Evangelho de São Lucas, quando o arcanjo Gabriel anunciou a Maria que ela seria a mãe de Jesus. Para entendermos bem o que se passou naquela data, vamos nos servir também de outros trechos das mesmas Escrituras, extraindo daí as conclusões necessárias para a nossa vida cristã.
Após a saudação, Gabriel revela a Maria algo extraordinário que irá acontecer: "Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus" (Lc 1, 31). A frase é impressiva porque, conforme Maria dirá mais adiante (cf. Lc 1, 34), ela não conhece homem algum, é virgem. Ora, que uma virgem conceba e dê à luz um filho, já é algo extraordinário. Mas coisa ainda maior do que isso está para ser revelada.
"Ele será grande — continua o anjo — e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim" (Lc 1, 32-33). O que São Lucas evangelista condensa na expressão "Filho do Altíssimo", São João o explica com detalhes no prólogo de seu Evangelho (cf. Jo 1, 1ss): "O Verbo se fez carne, e habitou entre nós", ele diz, o Verbo "que estava desde o princípio junto de Deus" e que "era Deus". Isso significa que Maria, sendo virgem, não seria mãe simplesmente de um homem, mas do próprio Deus encarnado.
Talvez já tenhamos passado muitas vezes por essa passagem dos Evangelhos — às vezes até sem lhe dar a devida atenção —, mas, agora, eu convido você a prestar mais atenção ao que está sendo dito pelo Autor Sagrado.
Antes mesmo que os fatos narrados na Bíblia acontecessem, as pessoas sabiam quem era Deus. Através das coisas que existem na natureza, elas eram capazes de perceber, com a sua razão, a existência de um criador, do que os filósofos anteriores a Cristo chamaram de "o ato puro" e "o primeiro motor imóvel". Os judeus, por sua vez, foram escolhidos por esse ente transcendente para receber algo a mais sobre a Sua identidade: aprenderam não somente que Deus existia e que era eterno e infinito, mas também que Ele era um ser pessoal, que amava as Suas criaturas e Se preocupava com elas, a ponto de Se comunicar com seres de carne e osso — os patriarcas e os profetas — para revelar a Sua vontade aos homens.
"Muitas vezes e de muitos modos Deus falou outrora aos nossos pais, pelos profetas", diz o autor da Carta aos Hebreus. "Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo" (Hb 1, 1-2). O que acontece no episódio da Anunciação é de uma grandeza absolutamente fora do comum: o Criador dos céus e da terra, não satisfeito em falar com os homens, quer tornar-se um deles; não contente em enviar mensageiros, deseja mandar ao mundo o Seu próprio Filho.
Que Ele "queira" e "deseje" fazer-se homem, no entanto, precisa ser bem entendido: como não existe "mudança de planos" em Deus, como Ele é "o mesmo ontem, hoje e sempre" (Hb 13, 8), o decreto pelo qual escolheu vir ao mundo não está inserido no tempo, é eterno; do mesmo modo, tampouco o meio e as circunstâncias que Ele escolheu para descer ao mundo estavam sujeitos a alguma hesitação. Por isso, também é possível dizer que Maria foi predestinada, desde sempre, a ser a mãe de Deus feito homem.
Os protestantes não aceitam que se chame Maria de "Mãe de Deus", mas a coisa é muitíssimo clara: ela o é! Como criatura humana, obviamente, ela não deu origem à natureza divina, mas gerou a carne humana de Cristo, que está hipostaticamente unida à Segunda Pessoa da Santíssima Trindade — e isso é suficiente para que a chamemos de "Mãe de Deus". Se não pudermos fazê-lo, tampouco poderemos dizer que temos uma mãe, afinal, nem mesmo as nossas mães nos deramtudo o que somos. Os seres humanos somos formados de corpo e alma e os nossos pais dão origem apenas à nossa parte material (nossa alma espiritual é criada diretamente por Deus). Mesmo assim, quando perguntam o nome da mãe de alguma pessoa, ninguém fica fazendo estas distinções: "Ele não tem mãe, só o corpo dele, o resto veio de Deus". Se alguém perguntasse de quem Jesus era filho, igualmente, mesmo quem acreditasse em Sua divindade não perderia tempo nessas minúcias. Basta tomar como exemplo Santa Isabel, que, à visita de Maria, não hesitou em chamá-la de "Mãe do meu Senhor" (μήτηρ τοῦ Κυρίου μου, no original grego) (Lc 1, 43).
De qualquer modo, ainda que os protestantes não reconheçam o dogma da maternidade divina de Nossa Senhora, tal como proclamada no antiquíssimo Concílio de Éfeso, em 431, isso não muda os fatos narrados no Evangelho de São Lucas: que Deus, saindo da eternidade, escolhe Maria como instrumento para entrar na história dos homens e salvá-los.
Isso, por si só, explica dois outros importantes versículos do mesmo Evangelho.
O primeiro é a saudação do anjo Gabriel a Maria, chamando-a de "cheia de graça" (Lc 1, 28). Essa plenitude de graça, que é a santidade de Maria, foi concedida a ela por Deus justamente por causa de sua maternidade divina, como reconheceu o Papa Pio IX, ao proclamar o dogma da Imaculada Conceição: "A beatíssima Virgem Maria (…), em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original" [1]. A expressão "Salvador do gênero humano" é importante porque mostra que também Maria, sendo criatura humana, precisou ser salva. Isso não está em questão, pois é ela mesma quem canta, em seu Magnificat: "Meu espírito exulta em Deus, meu Salvador" (Lc 1, 47). A salvação de que gozou a Santíssima Virgem, no entanto, não foi como a ação restituidora e atrasada de um remédio, mas como a ação protetora e preservante de uma vacina.
O segundo versículo é a afirmação contida no mesmo cântico mariano, de que "todas as gerações, de agora em diante, me chamarão feliz, porque o Poderoso fez para mim coisas grandiosas" (Lc 1, 48-49) — coisas grandiosas, poderíamos dizer, que não foram operadas na vida de nenhuma outra criatura; coisas grandiosas e de uma ordem absolutamente superior a quaisquer benefícios que Deus conceda aos homens; "maravilhas", diz uma outra tradução, que fazem a Igreja venerá-la acima de todos os anjos e santos do Céu, com culto especial, como explica Santo Tomás de Aquino:
"Como a Virgem bem-aventurada é uma simples criatura racional, não lhe é devida uma adoração de latria, mas unicamente uma veneração de dulia; de forma mais eminente, contudo, do que às outras criaturas, por ser a mãe de Deus. Por isso, se diz que lhe é devido não um culto de dulia qualquer, mas de hiperdulia." [2]
Chega a ser um insulto, portanto, dizer (ou até mesmo insinuar) que Maria foi uma mulher qualquer — insulto esse que não atinge apenas a Virgem Maria, mas a própria Pessoa Trinitária do Filho, que por um decreto eterno a escolheu e a honrou como Sua mãe. O fato de Maria estar intimamente ligada ao mistério da união hipostática reveste-a de uma dignidade sublime, maior do que a de todos os santos e santas do Céu… juntos! A que outra mulher, de fato, Deus enviou um anjo do Céu para comunicar que ela seria mãe de Seu Filho? A quem mais é possível chamar de "mãe do meu Senhor", como declarou Santa Isabel a Maria? Em que personagem bíblica ou mesmo da história humana Deus realizou uma obra tão estupenda quanto esta?
Essas são, portanto, as verdadeiras perguntas que precisam ser respondidas.
Não adianta abrir Êxodo 20 e acusar, com o dedo da outra mão em riste, que católicos são idólatras porque "fazem imagens", porque, tomando ao pé da letra o texto bíblico, toda fotografia é uma imagem: para cumprir o preceito divino, de acordo com a exegese iconoclasta, álbuns de família precisariam ser rasgados e fotos de perfil do Facebook deletados — sem falar da arca da aliança, enfeitada de querubins por ordem do mesmo Deus que deu as tábuas da Lei a Moisés (cf. Ex 25, 18).
O que Deus proíbe desde sempre é que se preste culto de adoração à criatura em vez do Criador; tanto não impede, porém, a honra e a veneração às criaturas à medida em que participam de Seu senhorio, que Ele manda, na mesma passagem de Êxodo 20, que os homens honrem os seus pais, sob a promessa recompensatória de uma longa vida sobre a terra (cf. Ex 20, 12).
Jesus de Nazaré, a propósito, modelo perfeito de obediência à Lei, é retratado também por São Lucas sendo submisso aos seus pais (cf. Lc 2, 51). O próprio Jesus honrou Maria Santíssima. Se Ele o fez — e o faz até hoje, pois não deixou de ser seu filho —, tampouco nós deixaremos de amá-la.
Por Equipe Christo Nihil Praeponere

domingo, 24 de abril de 2016

Um belo conto sobre Nossa Senhora

Fonte: Aleteia

Ele renunciou aos próprios olhos para poder contemplar Nossa Senhora!
E a resposta dela a esse pequeno órfão foi muito mais que iluminadora!

A catedral de Notre-Dame de Paris é muito rica em histórias e milagres. Eis o relato de um deles, recolhido em um belo conto medieval.

Um menino órfão, que vivia aos cuidados dos padres da catedral de Notre-Dame, começou a andar um pouco triste e pensativo. O padre, vendo a tristeza no rosto inocente, se aproximou e lhe perguntou:

– O que está acontecendo? Por que tens andado pensativo e tão triste?

– É que eu vejo que muitos meninos têm mãe para poderem abraçar, mas eu não tenho…

Compadecido da situação do menino inocente, o padre lhe falou com sorriso caridoso:

– Meu filho, você não sabe que tem a mãe mais bela de todas as mães? Para as crianças que não conheceram sua mamãe na terra, Nossa Senhora assume uma maternidade toda especial!

Contente e já confortado, o menino saiu de lá com a convicção alegre de que a sua mãe era a mais linda de todas as mães!

Toda vez que ia até a catedral, ele rezava de modo mais especial; porém, fazia agora um pedido inesperado: o menino queria ver a sua mãe pessoalmente – e, para isso, não só rezava, mas fazia também sacrifícios.

Num daqueles dias maravilhosos do mês de maio, Paris estava toda florida e a catedral ornada de flores. Logo pela manhã, o menino foi encontrado desmaiado perto da imagem de Nossa Senhora. Socorrido pelo padre e cercado pelos fiéis, ele acordou nos braços do religioso com um sorriso celestial. Perguntam-lhe o que tinha acontecido. E ele respondeu:

– Minha mãe atendeu meu pedido! Nossa Senhora me apareceu! E ela é, realmente, a mais linda de todas as mães!

– Mas o que aconteceu com seus olhos? – perguntou-lhe o padre, vendo o olho direito do menino todo branco e opaco.

– É que Nossa Senhora me perguntou se, para poder vê-la, eu aceitava não enxergar mais do olho direito.

O milagre se espalhou como um vendaval pela região. Muitas pessoas iam à catedral pela manhã para ver o menino rezar à Santíssima Virgem.

Perguntavam-lhe o que estava pedindo dessa vez. E ele sempre respondia:

– Quero ver novamente a minha mamãe tão linda que está no céu!

– Mas e se Nossa Senhora lhe perguntar se você aceita perder também o outro olho e ficar cego definitivamente?

O pequeno respondia:

– Minha mãe que está no céu é tão linda que, depois de vê-la mais uma vez, eu não quero mais ver nada deste mundo!

E assim passou-se um mês em orações e penitências. Certa manhã, enquanto rezava diante da imagem de Nossa Senhora, o menino ergueu a cabeça, sorriu e desmaiou novamente.

Todos os que estavam no local se perguntavam se ele teria visto a mais uma vez a Santíssima Virgem. O tumulto se agrandava.

O padre acolheu o menino em seus braços e o chamava pelo nome… A face do pequeno resplandecia de um brilho extraordinário… Ainda com os olhos fechados, ele exclamou:

– Eu vi minha mamãe!

E, ao abrir os olhos… os dois estavam normais.

Nossa Senhora lhe restituíra o olho direito, devolvendo-lhe a visão perfeita!

É que a sua imensa fé de criança não precisava dar nenhuma prova de sinceridade.

domingo, 25 de outubro de 2015

Por que o Papa Francisco sempre leva flores para Nossa Senhora?

Fonte: Aleteia

Durante a visita do Papa Francisco aos Estados Unidos, cada vez que ele entrava em uma igreja (antes de fazer qualquer outra coisa), levava um ramo de flores à capela dedicada a Nossa Senhora.

Eu me converti recentemente ao catolicismo. Não fui criada na tradição de festas de maio dedicadas a Maria nem entendia o costume de oferecer presentes materiais a uma representação artística dela.

No último dia da visita do Papa aos EUA, depois da missa em meu bairro, decidi fazer uma visita a Maria. Eu havia visto mulheres idosas, especialmente filipinas, e sabia aonde ir. Ajoelhei-me diante da imagem de Maria com o Menino Jesus e a observei.

Sinceramente, eu esperava ver apenas gesso branco, mas fiquei impressionada ao ver que Maria parecia olhar para mim através daquela imagem, com uma expressão maternal e a mão livre aberta como se fosse um convite.

Está claro: estas imagens criadas por artistas pretendem nos surpreender e estimular nossa imaginação, para que possamos contemplar Maria como nossa mãe. As imagens de Maria nos recordam que Ela é nossa mãe, mãe de Jesus. E a resposta correta é a reverência.

Que bom filho é o Papa Francisco, que oferece flores à sua Mãe!

As flores a Maria são um sinal da nossa gratidão pelo seu papel na história da salvação.

Por que oferecer flores? As flores são um presente divino da natureza. E nós precisamos desse aspecto físico e visual para nos unir àquilo que vai além da nossa humanidade, além do nosso mundo.

Oferecer um presente material vai além das palavras e orações. É a expressão de gratidão de um filho a uma boa mãe, que quer somente o melhor para nossas almas.

Ao ver as flores diante de uma imagem de Maria, recordamos seu amor por nós, e esse amor traz grande beleza e esperança às nossas vidas.

As flores são uma lembrança física, um símbolo da realidade espiritual da nossa relação com Nossa Senhora.

As homilias e discursos pronunciados pelo Papa Francisco em sua visita aos Estados Unidos oferecem muito material para nossas reflexões e inspirações. Igualmente, o exemplo desta simples e constante homenagem a Maria me deixam muito mais rica espiritualmente do que era antes.

E você, já levou flores a Nossa Senhora? O que está esperando?

sábado, 10 de outubro de 2015

“Viva a Mãe de Deus e nossa”

Fonte: Elo da Fé

Padre Claudemar (Diocese de Uberlândia)

Daqui a dois anos, em 2017, o Brasil celebrará os 300 anos de um de seus maiores símbolos: o encontro da imagem de 36 cm de Nossa Senhora da Conceição, aparecida no Rio Paraíba a três pescadores no ano de 1717.
De lá para cá, são anos de devoção à Mãe de Deus, cultuada nessas terras de Santa Cruz como a “Senhora Aparecida”, cuja expressão de fé e de piedade popular a reconheceu como padroeira do Brasil.
O Brasil ainda estava em gestação. Faltava-lhe quase tudo, inclusive, uma identidade religiosa. Afinal, se cada país tinha um olhar especial da mãe de Deus, era justo que esta nação contasse com a sua própria face estampada no rosto da mãe de Jesus. E talvez essa seja a sua prerrogativa mais visível: a Senhora do Brasil é de traços eminentemente mestiços. Seu semblante evoca a nossa multiplicidade, nossa cultura e nosso jeito continental de ser.
A cor negra na pele da imagem da mãe de Deus trouxe alento aos homens e mulheres escravizados, desejosos de libertação. Identificar-se com eles, num momento em que se era lícito segregar o ser humano por causa de sua cor, tornou Maria ainda mais próxima dos brasileiros e de todos aqueles que se viam desprovidos de sua dignidade e de seu direito de ir e vir.
A “mãe negra” foi achada nas águas barrentas de um rio. Primeiro, encontrou-se o corpo. Lançada novamente a rede, os pescadores encontraram a cabeça da imagem. Estavam em busca de peixe para alimentar o novo governador à época em visita à vila de Guaratinguetá. Após a pesca da imagem, abundantes foram os peixes encontrados. Isso nos faz lembrar aquela outra pesca, narrada pelos evangelistas (cf. Lc 5, 1ss).
Os discípulos haviam labutado uma noite inteira, sem sucesso. Pela manhã, Jesus foi ao encontro deles. Dirigindo-lhes a palavra, disse: “Lançai as redes para águas mais profundas”. Pedro, o pescador por excelência, respondeu-lhe: “Mestre, trabalhamos uma noite inteira, e não pescamos nada. Mas, por causa da Tua Palavra, lançarei as redes”. E grande foi a quantidade de peixes recolhidos!
Ao longo desses três séculos, os discípulos de Jesus continuam a lançar suas redes e a olhar com confiança para aquela que é ovacionada como a “mãe de Deus e nossa”. Diante dos olhos pequenos e negros da imagem de Maria em seu Santuário Nacional, já passaram homens ilustres e simples, reis e rainhas, camponeses e plebeus, jovens e crianças, idosos e papas.
Aos pés de Nossa Senhora Aparecida foram deixadas inúmeras réplicas de partes do corpo humano como sinal das curas e dos milagres operados graças à sua materna intercessão.
Há 11 anos, temos em nossa Diocese um Santuário dedicado à Mãe de Deus sob o auspicioso título de “Nossa Senhora Aparecida”. Daqui, nossos corações vibram, pois se encontram com aquele outro coração que nos foi confiado pelo Crucificado: “Filho, eis aí tua mãe”. E, desde então, nós a trouxemos para casa. Ela vive e convive conosco e, daqui, nos orienta: “fazei tudo o que Ele vos disser”.
Nossa Senhora Aparecida, rogai pela Diocese de Uberlândia.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

A mais antiga oração de Nossa Senhora

No ano de 1927, no Egito, foi encontrado um fragmento de papiro que remonta ao século III. Neste fragmento estava escrito: “À vossa proteção recorremos Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita!”.
Esta oração conhecida com o nome “Sub tuum praesidium” (À vossa proteção) é a mais antiga oração a Nossa Senhora que se conhece. Tem ela uma excepcional importância histórica pela explícita referência ao tempo de perseguições dos cristãos (Livrai-nos de todo perigo) e uma particular importância teológica por recorrer à intercessão de Maria invocada com o título de Theotókos (Mãe de Deus).
Este título é o mais belo e importante privilégio da Virgem Santíssima. Já no século II, era dirigido à Maria e foi objeto de definição conciliar em Éfeso no ano de 431. Maria, Mãe de Deus! Qual é, na mente da Igreja e da Tradição, o genuíno e profundo sentido deste dogma mariano central? São Tomás afirma que pelo fato de ser mãe de Deus: “A Bem Aventurada Virgem Maria está revestida de uma dignidade quase infinita, a causa do bem infinito que é o mesmo Deus. Portanto, não se pode conceber nada mais elevado que ela, como nada pode haver mais excelso que Deus”(Suma Teológica 1, q.25, a.6 ad 4.). E, de acordo com o Catecismo da Igreja Católica.
Denominada nos Evangelhos “a Mãe de Jesus” (João 2,1;19,25[a72]), Maria é aclamada, sob o impulso do Espírito, desde antes do nascimento de seu Filho, como “a Mãe de meu Senhor” (Lc 1,43). Com efeito, Aquele que ela concebeu Espírito Santo como homem e que se tornou verdadeiramente seu Filho segundo a carne não é outro que o Filho eterno do Pai, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade. A Igreja confessa que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus (CIC 495)
O Concílio de Éfeso tem a glória de ser o grande Concílio Mariano, pois seu dogma destruiu a maior heresia contra a Virgem e pôs a pedra angular de toda a Mariologia. A igreja com o decorrer do tempo iria descobrindo os grandes tesouros encerrados na Maternidade Divina de Maria.
Porém, é necessário compreender o que a Igreja quer dizer quando fala em Maria como mãe de Deus. Jesus Cristo, segunda pessoa da Santíssima Trindade, existe desde toda a eternidade. Ele procede do Pai por uma geração espiritual, na qual não intervém evidentemente nenhuma criatura humana. Portanto, Maria não é mãe do Filho de Deus quanto à sua origem divina, mas é mãe do “verbo encarnado”, do Filho de Deus feito homem.
Maria deve ser chamada Mãe de Deus, porque a maternidade se refere sempre à pessoa. A mãe de um homem não é só a mãe de seu corpo. Ela é mãe da pessoa toda. Assim também Maria é mãe de seu Filho, como pessoa divina e humana que Cristo é.
Convém ainda recordar que esta questão já foi tratada na era patrística, isto é, no Cristianismo primitivo. De fato, Nestório, bispo de Constantinopla, negava o título de “Theotokos” (“Mãe de Deus”) a Maria. Nestório sabia muito bem que isto significava a consequente negação da natureza de Cristo, homem e Deus.
A mesma história patrística mostra a forte reação dos cristãos contra Nestório, que resultou no Concílio de Éfeso, no ano de 431, reconhecendo a legitimidade do título de Mãe de Deus, dado a Maria, e condenando as ideias nestorianas.
Por Diácono Inácio de Almenida EP.
Fonte: Gaudium Press

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

A verdadeira devoção à Nossa Senhora

Dom Redovino Rizzardo, cs
Bispo de Dourados (MS)
Há alguns anos, o Pe. Zezinho recebeu, de um ex-católico, uma longa carta, que foi assim resumida por ele: «Maria não pode nada. Menos ainda as imagens dela, que vocês adoram. Sua igreja continua idólatra. Já fui católico e, hoje, sou feliz porque só creio em Jesus. Você, com suas canções, é o maior propagador, da idolatria mariana. Converta-se enquanto é tempo se não quiser ir para o inferno!». Pensando que a resposta do Pe. Zezinho conserva ainda hoje a sua validade, resolvi transformá-la no meu artigo semanal.
«Sua carta chega a ser cruel. Em quatro páginas, você consegue mostrar o que um verdadeiro evangélico não pode ser. Seus irmãos mais instruídos na fé sentiriam vergonha de ler o que você disse em sua carta contra nós, católicos, e contra Maria, a mãe do Cristo que você diz conhecer mais do que eu.
O irônico de tudo isso é que, enquanto você sai por aí agredindo a mãe de Jesus e diminuindo o papel dela no cristianismo, um número enorme de evangélicos fala dela com o maior carinho e começa a compreender a devoção dos católicos por ela. Você pegou o bonde atrasado e na hora errada, e deve ter ouvido os pastores errados, porque, entre os evangélicos, tanto como entre nós, católicos, Maria é vista como a primeira cristã e a figura mais expressiva da evangelização depois de Jesus. Eles sabem da presença firme e fiel de Maria ao lado do Filho divino.
Evangélico é quem pauta sua vida pelos evangelhos e, para ser um bom evangélico, não precisa agredir os católicos e a mãe de Jesus. Você é muito mais antimariano do que cristão ou evangélico. Seu negócio é agredir Maria e os católicos. Nem os bons evangélicos querem gente como você no meio deles.
Quanto ao que você afirma: que nós adoramos Maria, sinto pena de você. Quando católico, segundo você afirma, já não sabia quase nada de Bíblia por culpa da nossa igreja; agora que virou evangélico, parece que sabe menos ainda de Bíblia, de Jesus, de Deus e do reino dos céus. Você regrediu. Está confundindo culto de veneração com culto de adoração, está caluniando quem tem imagens de Maria em casa, ao acusá-lo de idólatra. Ora, há milhões de católicos que usam das imagens e sinais do catolicismo de maneira serena e inteligente. Se você usava errado, teria que Ao invés disso, foi para outra igreja aprender a decidir quem vai para o céu e quem vai para o inferno. Tornou-se juiz da fé dos outros. Deu um salto gigantesco em seis meses; de católico tornou-se evangélico, pregador de sua igreja e já se coloca como a quarta pessoa da Santíssima Trindade, porque está decidindo quem vai para o céu e quem vai para o inferno.
Sua carta é pretensiosa. Sugiro que estude mais evangelismo e, em poucos anos, estará escrevendo cartas bem mais fraternas e mais serenas do que esta. Desejo de todo o coração que você encontre bons pastores. Há muitíssimos homens de Deus nas igrejas evangélicas que ensinarão a você como ser um bom cristão e como respeitar a religião dos outros. Isso, você parece que perdeu quando deixou de ser católico. Era um direito que você tinha: procurar sua paz. Mas parece que não a encontrou ainda, a julgar pela agressividade de suas palavras.
Quanto a Maria, nenhum problema. Ela é excelente caminho para Jesus. Até porque, quem está perto de Maria, nunca está longe de Jesus. Ela nunca se afastou dele. Tire isso por você mesmo! Se você se deu ao trabalho de me escrever uma carta para me levar a Jesus, e se acha capaz disso, imagine, então, o poder da mãe de Deus que, ao contrário do que talvez lhe ensinem, não está dormindo! Ou você acha que Jesus até agora não conseguiu levar nem mesmo a mãe dele para o céu? O sangue dele tem ou não tem poder? Não cantam isso na sua nova igreja? De Jesus ela entende mais do que você. Ou, inebriado com a nova fé, você se acha mais capaz do que ela? Se você pode sair por aí escrevendo cartas para aproximar as pessoas de Jesus, Maria pode milhões de vezes mais com sua prece de mãe. Ela já está no céu, e você ainda está aqui apontando o dedo contra os outros e decidindo quem vai ou quem não vai para lá.
Grato por sua carta. Mostrou-me porque devo lutar pela compreensão entre as igrejas. É por causa de gente como você!».