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sábado, 28 de julho de 2012

O que leva um jovem cientista a invadir uma sala de cinema e assassinar doze pessoas?

Será um distúrbio emocional, um surto psicótico, uma ação isolada de um jovem esquizofrênico, ou fruto de uma sociedade que cada vez mais incute na cabeça das pessoas a necessidade de ser “grande” ou ser “completo em tudo”? 

Há até uma década atrás, nós, pais, nos dávamos por satisfeitos quando conseguíamos ingressar um filho em uma faculdade, conferindo a ele a oportunidade de graduar-se em um curso superior. Graças a Deus, nos dias de hoje ficou muito mais fácil para nós, pais e para nossos filhos o ingresso em um curso universitário. Com a pluralidade de cursos em faculdades particulares, somada ao crescente acesso ao crédito estudantil: tem-se oportunizado a mais pessoas, cada vez mais, o ingresso a cursos de nível superior. 

Quase ou todo progresso tem suas conseqüências! 

É possível hoje se fazer uma preparação de provas para exame supletivo de ensino fundamental e médio e prestar os exames em uma banca oferecida pelas secretarias de ensino dos estados, ou seja, pode-se em uma semana concluir o ensino fundamental e médio e em poucos dias ingressar em uma faculdade! Tem-se também uma gama enorme de cursos de graduação e pós-graduação com aulas on-line. Portanto, fica cada vez mais acessível uma graduação seja ela de nível técnico ou de nível superior. 

Tudo isso é para nós motivo de alegria e de satisfação! Porém não podemos jamais nos esquecer, enquanto pais e avós e provedores de famílias que, em meio a tantos avanços, deixemos de valorizar o meio familiar para nossos filhos e netos; devemos procurar nos aproximar cada vez de sua convivência – sobretudo de suas relações de amizades no tempo hodierno, quando relações familiares ficam cada vez mais “longínquas”. Muitas vezes, nossos filhos conversam um com o outro muito mais pela internet do que sentados na sala de visitas de nossa casa. Muitas vezes, também, nos distanciamos ou nos permitimos distanciar por conta dos nossos afazeres e nossas atividades e quando temos tempo de conversar ou de sentar numa mesa de jantar, não o fazemos e perdemos grande oportunidade de estarmos próximos de nossos queridos filhos, netos, sobrinhos etc. 
Além de tudo isso, também nossas relações com nossos amigos vão ficando cada vez mais no plano virtual (celular, e-mail, redes sociais etc.). Vamos deixando de nos reunir, até mesmo, para a reza do terço em família ou para os encontros de círculos de estudos religiosos, bíblicos, etc. E bem sabemos todos nós, que temos a experiência vivencial dentro destes grupos, a importância que eles têm para nós, pois, além do momento de oração, nos propiciam também uma relação de amizade entre as pessoas e, com elas, uma aproximação com toda a família pertencente àquele grupo. 
Tornam-se cada vez mais frequente e plural, a manifestação e profissão de diversos credos religiosos dentro da uma mesma família e, até mesmo, em uma mesma pessoa. Casais em segunda união e com ela vem à relação entre filhos de “um” com o filho do “outro”, e, não raro, relações conjugais entre estes filhos. Avós, que muitas vezes, são, não só provedores da educação como também das necessidades econômicas e financeiras dos netos. Pais ausentes por conta de trabalho e, muitas vezes, levados a uma qualificação profissional fora de seu domicílio, e até mesmo fora do país. Este cenário somado à grande influência da mídia hodierna com sua cultura, que chega de maneira mais acessível a todas as pessoas, assim como aos jovens, deve ser para nós, pais e avós, cada vez, mais motivo de nos colocarmos em oração e pedir ao Espírito de Deus, sabedoria, a fim de vivermos tais situações tão favoráveis, do ponto vista de formação cultural e intelectual, mas, ao mesmo tempo, tão secular do ponto de vista de humanização. 
“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Noticia aos pobres; enviou-me pra proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos”. Lc 4, 18 – 19. 
Em nossa cidade, tantas vezes abrimos o jornal e encontramos noticias como: “HOMEM EXECUTADO COM 37 TIROS NO BAIRRO MANSUR” (edição correio de Uberlândia do dia 27 de julho de 2012). Na mesma edição do Jornal anuncia também: “JOVEM DE 21 ANOS MORRE AO SER ATINGIDO POR SETE DISPAROS” ... 
Ainda continuam vivas em nossa memória, as notícias de um jovem que, há pouco mais um ano atrás, invade uma escola no bairro do Realengo na cidade do Rio janeiro, mata 11 crianças, deixando várias feridas e, depois, se suicida. Também, em agosto do ano passado, o Jornal Correio de Uberlândia noticiou: Um adolescente de 16 anos foi apreendido ontem à noite pela Polícia Militar ) suspeito de ser um dos incendiários da Escola Estadual Guiomar de Freitas Costa – Polivalente, localizada no bairro Roosevelt, zona norte de Uberlândia. O garoto, que é ex-aluno, também indicou à polícia outros três menores que estariam envolvidos no atentado ocorrido na madrugada de quarta-feira
Notícias que contrastam com a que segue na publicação a seguir: 
Governo promete oferecer 75 mil bolsas de estudo no exterior até 2014: Anúncio foi feito pela presidente Dilma Rousseff durante o programa Café com a Presidenta: Hoje, cerca de cinco mil brasileiros estudam no exterior com bolsas concedidas pelo governo em países como França, Alemanha e Estados Unidos. Com a meta do Pronatec de oferecer 75 mil oportunidades até 2014, a expectativa é que 18 mil bolsas sejam distribuídas por ano. Para Dilma Rousseff, a proposta de aumentar o número de brasileiros que estudam fora faz parte do plano de qualificação da mão de obra brasileira, algo que ela considera essencial para o Brasil prosseguir nesse novo ciclo de seu desenvolvimento. (Fonte: http://noticias.universia.com.br/tag/75-mil-bolsas-de-estudo-no-exterior_dilma-bolsa-de-estudo/
Diante de tantas situações, que não são somente motivo de perplexidade, mas também motivo de reflexão, devemos pensar no que podemos ou devemos fazer a partir de nossas relações familiares, sobretudo, em relação aos nossos jovens! Iluminemo-nos nas Santas Palavras do Evangelho: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Noticia aos pobres; enviou-me pra proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos”. Lc 4, 18 – 19. 
(Virmones Pereira de MirandaEstudante do quinto período de Teologia na Faculdade Católica de Uberlândia - Uberlândia - julho de 2012) 

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Dia dos Avós

Hoje, 26 de julho, celebramos o dia de São Joaquim e Sant’Ana, pais de Maria Santíssima e avós de Jesus e comemoramos o Dia dos Avós, homenageando todos os avós, desde aqueles mais jovens e ativos aos mais idosos e dependentes. 
É muito bom curtir uma avó ou avô cheio de vida, lúcido, saudável, que ajuda no cuidado com os netos, leva-os para passear, ajuda na lida doméstica e, às vezes, até nas despesas... Mas, por que não tratarmos com o mesmo carinho, aquele vovô que está confuso, que se esquece das coisas, aquela vovó que não participa das conversas, que está alheia ao que acontece à sua volta, que não tem mais disposição para o trabalho, que apresenta sinais de incapacidade para as coisas mais banais? Será que nós, pais e mães, nos esquecemos de ensinar aos nossos filhos, que esses também são avós, que um dia cuidaram dos filhos e netos, trocaram fraldas, fizeram papinha, buscaram na escola... e também merecem receber carinho, proteção, abraço? 
Sempre é tempo de mudar! O texto abaixo nos lembra das necessidades e carências do vovô e vovó que, muitas vezes, fica esquecido em um canto da casa ou colocado em um asilo, sem sequer uma visita ou um abraço. 
Para ler, refletir e agir... 

Testamento 

Adaptação livre de texto de Liliam Alicke 
Por Eduardo Machado 

Uma das maiores conquistas do mundo moderno é o avanço da Medicina, em especial a Medicina Preventiva, desenvolvendo métodos e técnicas que ajudam a preservar e alongar com qualidade a vida humana. Hoje é cada vez mais comum encontramos pessoas na chamada terceira idade vivendo de forma absolutamente produtiva, prazerosa, integrada e feliz. 
No entanto, a conquista da longevidade também colocou em evidência uma das doenças mais traiçoeiras do nosso tempo, o chamado Mal de Alzheimer. Antigamente, quando um idoso, uma idosa começava a apresentar sintomas como esquecimento, confusão mental, dificuldades de locomoção ou para desempenhar tarefas simples, o diagnóstico familiar era um só: caduquice! 
Hoje sabemos que não. O Mal de Alzheimer, uma vez instalado, vai lentamente comprometendo o funcionamento do cérebro da pessoa, mas preserva, por muito tempo, as funções vitais, o que gera um paradoxo: pessoas, com a saúde considerada “perfeita” e, ao mesmo tempo, incapacitadas para as ações mais comuns e banais no cotidiano. 
Lembrei-me disso ao ler uma crônica de Lilian Alicke, que me permiti adaptar e compartilhar com vocês. No texto, uma senhora idosa ao fazer o seu testamento, deixa o seguinte recado: 

“Junto com meu testamento, no qual lego a meus filhos e amigos a minha vontade de viver, meu amor a Deus e a toda a criação, faço um pedido: 
Se, por ventura, no meu cérebro a senilidade penetrar sorrateiramente, a demência se infiltrar inesperadamente e o esquecimento, a falta de lucidez e a confusão se instalarem, por favor, lembrem que eventualmente, ainda tenho uma vaga idéia de minha identidade; gosto de ser chamada pelo meu nome, aquele que meus pais me deram; 
Posso ainda saber onde estou e com quem estou. E posso estar gostando ou não de onde estou e com quem estou; 
Faço ainda questão daquele tipo de sapato que usei por toda a minha vida. Gosto ainda de usar a roupa ao estilo que sempre preferi; a roupa dos outros, colocada em mim, de qualquer jeito, sem cuidado, me entristece. 
A falta de atenção em me ajudar na higiene pessoal me traz ansiedade. A comida de um estilo que não conheço, com um tempero que me é estranho, não me apetece, 
As fraldas de vez em quando me incomodam e me deixam envergonhada. Gostaria, às vezes, de caminhar livre para espairecer e ver a natureza. 
Minha falta de sono não é proposital, nem intencional. A falta de interesse, meu olhar ausente, estão além do meu controle. Minha falta de jeito para coisas simples, como usar os talheres, é inexplicável para mim mesma; o esquecimento e a solidão me deixam traumatizada. 
Por isso, receber visitas me faz lembrar que sou importante; receber um abraço e um beijo me diz que alguém ainda tem afeto por mim. 
Quando alguém gasta tempo comigo, me dando uma palavrinha, conversando sobre banalidades ou coisas sérias, me ajudando a lembrar coisas antigas que ainda guardo na pouca memória, sinto uma alegria enorme, que nem sempre sei expressar, lembro que sou gente, que tenho uma história. 
Tenho também dores que às vezes não tenho como explicar. Nem sempre o que me fazem fazer é o que eu gostaria de estar fazendo. Meu olhar vago não reflete o que sinto. E se não dou um abraço é porque os meus braços não me obedecem mais; se não dou um beijo é porque meus lábios não sabem mais como fazer isso. 
Se não te digo que valorizo sua dedicação, sua paciência e seu amor por mim, é porque, em algum lugar dentro de mim, a ponte entre os meus afetos e a realidade se partiu, e perdi o caminho que me levaria a compartilhar meus sentimentos com você. 
Do lado de cá dessa ponte, eu continuo sendo a pessoa que te amou por toda a vida...”

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Uma reflexão sobre Mateus 6, 34)

Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.” (Mt 6:34)
Na semana, há dois dias maravilhosos com os quais nunca me preocupo. São dois dias em que não me permito sentir medo nem apreensões. E isso para mim é sagrado. Um deles é o “ontem”, com seus problemas, ansiedades, dores, sofrimentos, erros, falhas e equívocos. Ontem já passou e se acha fora do meu alcance. Não posso desfazer nenhum dos atos que pratiquei nem desdizer uma palavra que falei. Então, tudo que se acha contido nesse dia, que se relaciona comigo – meus erros, tristezas e pesares – agora se encontra nas mãos do grande Amor, que tira mel da rocha e transforma em águas doces as correntes amargas do deserto. Assim sendo, a não ser pelas lembranças agradáveis, doces e suaves, que se apegam ao coração do dia como um perfume de rosas, não tenho mais nada a ver com o ontem. Foi meu; agora pertence a Deus.
O outro dia com o qual também não me preocupo é o amanhã. É que o amanhã, com todos os seus perigos, fardos e possíveis problemas, com a grande probabilidade de erros, falhas e equívocos, também se acha fora do meu alcance, como o seu falecido irmão, o ontem. Ele pertence a Deus. O sol do amanhã ainda irá nascer. Seja em meio a um esplendor rosado ou a uma máscara de nuvens gotejantes, mas ainda está para nascer.
E enquanto ele não vem, o mesmo Deus de amor e paciência que segura o ontem também tem nas mãos o amanhã. Então, a não ser pela estrela de esperança que brilha radiante na face do amanhã, não tenho comigo nada desse dia, que ainda não nasceu. Tudo que lhe diz respeito se acha aos cuidados do Amor infinito, que é mais alto que as estrelas, mais amplo que os céus, mais profundo que os mares. O amanhã pertence a Deus. Depois será meu!
Portanto, resta-me apenas um dia da semana: hoje. E qualquer homem pode encarar as batalhas de hoje. Qualquer mulher pode suportar os fardos de um dia. Qualquer pessoa pode resistir às tentações de hoje. Ah, amigos, nós só sucumbiremos se, por vontade própria, acrescentarmos ao hoje os pesos dessas duas eternidades – o ontem e o amanhã. São fardos que apenas o Deus todo-poderoso pode carregar.
O que enlouquece os homens não são as experiências de hoje. É o pesar por algo que aconteceu ontem e o temor do que o amanhã pode lhes trazer.
Esses dias pertencem a Deus. Deixemo-los nas mãos dele!
Por isso, penso, vivo e caminho apenas um dia de cada vez. É a melhor maneira de se viver. Esse é o dia do homem. Então, cumprindo meu dever, vou vivendo e realizando meu trabalho nesse dia que é nosso. E Deus – o Deus todo-poderoso e cheio de amor – cuida do ontem e do amanhã. – Bob Burdette

“O amanhã é um segredo de Deus; mas o hoje é todo nosso.”
Todos os nossos amanhãs passam por Deus, antes de chegarem a nós.

À noitinha, ouvi uma voz sussurrar suavemente:
“Não carregues teus ontens para o amanhã.
Nem sobrecarregues esta semana com as tristezas do passado.
Vai pegando teus fardos a medida que surgirem.
Não tentes aumentar o peso do dia presente com o dos que virão.
Dá primeiro um passo, depois outro. Anda assim, um dia de cada vez.”

Julia Harris May
(Fonte: Fontes no Vale - Devocional Diário - Lettie Cowman)

segunda-feira, 14 de março de 2011

Questão de escolha

... Tenho pensado muito no valor dos pequenos gestos e suas repercussões. Não há mágica que possa nos salvar do absurdo. O jeito é descobrir as migalhas de vida que sob as realidades insistem em permanecer. São exercícios simples...
Retire a poeira de um móvel e o mundo ficará mais limpo por causa de você. É sensato pensar assim. Destrua o poder de uma calúnia, vedando a boca que tem ânsia de dizer o que a cabeça ainda não sabe, e alguém deixará de sofrer por causa de seu silêncio.
Nestas estradas de tantos rostos desconhecidos é sempre bom que deixemos um espaço reservado para a calma. Preconceitos são filhos de nossos olhares apressados. O melhor é ir devagar.
Que cada um cuide do que vê. Que cada um cuide do que diz. A razão é simples: o Reino de Deus pode começar ou terminar na palavra que escolhemos dizer.
É simples...
Padre Fábio de Melo