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domingo, 1 de junho de 2014

A terceira via do papa Francisco

Fonte: Aleteia

O Papa que ficou em pé na frente de dois muros

Pe. Dwight Longenecke
No último domingo, durante a sua visita à Terra Santa, o papa Francisco mandou parar o papamóvel para fazer um momento não previsto de oração silenciosa aos pés do muro de concreto construído pelos israelenses na fronteira com o território palestino. Levantado para impedir os terroristas palestinos de entrar em Israel, o muro se tornou um símbolo da opressão que os palestinos sentem: denunciando-o como símbolo de apartheid, eles afirmam que o muro os torna prisioneiros na sua própria terra.
Uma semana depois que as negociações entre palestinos e israelenses fracassaram mais uma vez, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, criticou a atenção do papa ao muro e culpou os palestinos de politizar a visita de Francisco. Netanyahu explicou que o muro é uma medida de segurança e convidou o papa a fazer uma visita semelhante a outro muro: um memorial às vítimas judaicas do terrorismo palestino. O papa aceitou e permaneceu em silêncio diante de mais uma parede, antes de visitar um segundo memorial às vítimas judaicas da opressão: o famoso Memorial do Holocausto Yad Vashem.
Dois muros. Dois povos divididos por uma animosidade que não se estende apenas pelos últimos cinquenta anos, desde que os judeus voltaram para Israel, mas por milênios. Quando lemos o Antigo Testamento, vemos que os inimigos históricos do povo judeu eram os filisteus, palavra que é simplesmente a versão mais antiga de “palestinos”. Os palestinos modernos são descendentes de uma grande variedade de povos antigos, e os filisteus, tais como os palestinos de hoje, eram o povo que habitava as terras da Palestina.
As batalhas entre palestinos e hebreus continuaram ao longo de milhares de anos. Será que existe maneira de quebrar este ciclo de recriminação, vingança e ódio? Existe maneira de resolver de forma pacífica a disputa no Oriente Médio?
Do ponto de vista humano, parece impossível. Mas a influência dos papas na política mundial é muitas vezes subestimada. O poder pacífico de João Paulo II ajudou a derrubar outro muro, em Berlim, e a descerrar a Cortina de Ferro. Será que o papa Francisco pode ser um dos protagonistas de um eventual processo de paz no Oriente Médio? Será que Francisco, com o nome do padroeiro dos promotores da paz, pode vislumbrar um novo caminho a ser seguido? O papa exortou os líderes da região a buscarem a paz: "Eu imploro àqueles que exercem cargos de responsabilidade a não deixarem pedra sobre pedra na busca de soluções justas para problemas complexos", disse ele. "O caminho do diálogo, da reconciliação e da paz deve ser constantemente retomado, com coragem e sem descanso".
Francisco convidou o líder palestino Mahmoud Abbas e o presidente de Israel, Shimon Peres, para um encontro de oração no Vaticano. Comentando sobre a situação na Terra Santa, o papa declarou: "Há necessidade de intensificar os esforços e as iniciativas para criar as condições de uma paz estável, baseada na justiça, no reconhecimento dos direitos de cada indivíduo e na segurança mútua". A paz "deve ser resolutamente buscada, mesmo que cada lado tenha de fazer certos sacrifícios".
Será que o papa pode fazer a diferença? No cenário mundial, há muito poucas figuras internacionais que mantêm credibilidade, que representam valores humanos e que evocam um chamamento superior. O papa parece ser respeitado por todos e pode usar a sua influência para levar as partes em conflito a discutir a paz. Boa vontade e esforço humano oferecem dois caminhos para se avançar rumo à paz, mas há um terceiro fator dominante, que os repórteres negligenciam. Esse fator é simbolizado pela visita de Francisco a um terceiro muro: o histórico Muro das Lamentações, em Jerusalém.
Levantado na base do Monte do Templo, ele é tudo o que resta do grande templo construído pela primeira vez pelo rei Salomão e reconstruído por Herodes, o Grande. As suas pedras hoje milenares já estavam de pé quando Jesus Cristo purificou o templo e foi julgado perante Pilatos naquele mesmo local. De uma perspectiva católica, é o lugar onde Cristo, o Príncipe da Paz, pagou o preço da paz.
O papa Francisco se alçou diante desse terceiro muro com seus dois amigos: um líder judeu e um líder muçulmano. Conforme o costume, ele inseriu no muro um pedaço de papel com uma oração: era a Oração do Senhor, em espanhol. Os três amigos mostraram juntos uma terceira via: diante do terceiro muro, eles mostraram o terceiro poder que pode superar as divisões e os conflitos e encaminhar, finalmente, a paz.

domingo, 25 de maio de 2014

Terra Santa: Papa lembra dramas das crianças

Fonte: Agência Ecclesia
O Papa lembrou hoje os problemas que atingem milhões de crianças em todo o mundo, durante a Missa a que presidiu em Belém, na praça junto à basílica que assinala o local do nascimento de Jesus.
“Também hoje as crianças choram (e choram muito), e o seu choro interpela-nos. Num mundo que descarta diariamente toneladas de alimentos e medicamentos, há crianças que choram, sem ser preciso, por fome e doenças facilmente curáveis”, lamentou Francisco, perante cerca de 10 mil pessoas reunidas na Praça da Manjedoura.
A segunda Missa presidida pelo Papa na viagem à Terra Santa, iniciada este sábado na Jordânia, recordou ainda as “crianças-soldado” e os “pequenos trabalhadores-escravos”.
“Também hoje as crianças precisam de ser acolhidas e defendidas, desde o ventre materno”, declarou.
Francisco lamentou que num mundo que desenvolveu “as tecnologias mais sofisticadas”, ainda existam “tantas crianças em condições desumanas”, que vivem à margem da sociedade, “nas periferias das grandes cidades ou nas zonas rurais”, crianças “exploradas, maltratadas, escravizadas, vítimas de violência e de tráficos ilícitos”.
“Demasiadas são hoje as crianças exiladas, refugiadas, por vezes afogadas nos mares, especialmente nas águas do Mediterrâneo: de tudo isto nos envergonhamos hoje diante de Deus, Deus que se fez Menino”, afirmou.
Francisco chegou em automóvel descoberto à Praça da Manjedoura, onde foi acolhido pela autarca local, Vera Baboun, depois de um encontro com as autoridades palestinas, no palácio presidencial.
O Papa disse ser uma “grande graça” celebrar a Eucaristia junto do lugar onde nasceu Jesus e saudou todos os que “trabalham para manter viva a fé, a esperança e a caridade nestes territórios”.
A Missa, num espaço completamente lotado, contou com delegações de fiéis vindas de Gaza e da Galileia, imigrantes da Ásia e da África.
“O Menino Jesus, nascido em Belém, é o sinal dado por Deus a quem esperava a salvação, e permanece para sempre o sinal da ternura de Deus e da sua presença no mundo”, referiu Francisco.
O Papa acrescentou que hoje as crianças também são “sinal de esperança, sinal de vida” e o “diagnóstico” do estado de saúde “duma família, duma sociedade, do mundo inteiro”.
“Quando as crianças são acolhidas, amadas, protegidas, tuteladas, a família é sadia, a sociedade melhora, o mundo é mais humano”, realçou.
Francisco questionou os presentes sobre a sua atitude perante as crianças de hoje, falando em “pessoas que exploram as imagens das crianças pobres para fins de lucro”.
A homilia, que se concluiu com uma oração à Virgem Maria, apelou a “um novo estilo de vida, onde as relações deixem de ser de conflito, de opressão, de consumismo, para serem relações de fraternidade, de perdão e reconciliação, de partilha e de amor”.
O Papa falou em italiano, tendo sido a sua intervenção posteriormente traduzida para a assembleia, mas pronunciou algumas palavras em árabe, durante a celebração litúrgica.
O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, acompanhou a cerimônia e cumprimentou Francisco no momento do abraço da paz.

Os presidentes de Israel e da Palestina aceitam o convite do Papa

Fonte: Zenit
Esta manhã, (25 de maio), antes do Regina Caeli, na conclusão da Missa na Praça da Manjedoura, em Belém, o Papa disse: "Neste lugar, onde nasceu o Príncipe da Paz, gostaria de dirigir um convite a você, Sr. Presidente, Mahmoud Abbas, e ao Sr. Presidente Shimon Peres, para elevarem juntos comigo uma intensa oração pedindo a Deus o dom da paz. Ofereço a minha casa no Vaticano para hospedar este encontro de oração”.
A imprensa israelense anunciou e foi confirmado pelo diretor da Sala de Imprensa vaticana, padre Federico Lombardi, dizendo que os dois chefes de Estado "estarão no Vaticano muito em breve”. De fato, acrescentou, “para cumprir-se o convite do Papa, o encontro deveria acontecer antes do final do mandato de Peres”, que é em Julho. É provável, portanto, que o encontro seja já no próximo mês.
Peres aceitou imediatamente o convite de Bergoglio, por meio do seu porta-voz que afirmou: “O presidente aceita a iniciativa do Papa e disse que valoriza todos os esforços para alcançar a paz entre Israel e seus vizinhos".
Também o Comitê Executivo da Organização para a Libertação da Palestina - refere a agência de notícias palestina Maan, citando, por sua vez CNN - confirmou que "a OLP aceita o convite do Papa Francisco para uma oração conjunta pela paz juntamente com Israel no Vaticano".

O Papa Francisco na Terra Santa

Fonte: Canção Nova
Com o tema da unidade “Para que sejam um”, o Papa Francisco iniciou neste sábado, 24, sua viagem à Terra Santa. O avião com o Pontífice e sua comitiva decolou do aeroporto romano de Fiumicino no horário previsto, às 8h15 locais. Francisco embarcou carregando sua maleta preta, depois de saudar as autoridades presentes. Até a capital jordaniana, o Papa percorreu 2.365 km em três horas e 45 minutos.
No aeroporto internacional da cidade, Francisco foi acolhido pelo Núncio Apostólico e pelo representante do Rei Abdallah II Hussein, o Príncipe Muhammed. Duas crianças entregaram ao Pontífice dois buquês de íris preta – símbolo do Reino Hachemita.
Amã, Belém e Jerusalém: três dias, três cidades escolhidas com duas motivações principais. A primeira, recordar os 50 anos do abraço entre Paulo VI e Atenágoras, e assim dar um novo impulso ao diálogo ecumênico. A segunda, reforçar o apelo à paz no Oriente Médio.
A primeira etapa da viagem de Francisco à Terra Santa, em Amã, prevê quatro eventos.
Desde a sua chegada à Jordânia, às 13h locais, até o jantar na Nunciatura Apostólica, às 20h55, não está previsto qualquer repouso por decisão do próprio Papa. Aliás, os três dias de viagem serão marcados por esse ritmo intenso, sem descanso entre um compromisso e outro.
Após a cerimônia de boas-vindas no Palácio Real, o Pontífice se dirige ao estádio internacional de Amã, para presidir à Santa Missa.
Está prevista a presença de numerosos refugiados cristãos provenientes da Palestina, da Síria e do Iraque. Durante a celebração, cerca de 1.400 crianças recebem a Primeira Comunhão.
Do estádio, Francisco se dirige para o local do batismo de Jesus, às margens do rio Jordão, para um momento de oração silenciosa e o rito da bênção das águas.
Ali mesmo, na igreja latina ainda em construção, o Papa encontra cerca de 600 refugiados e jovens com deficiência, aos quais faz seu terceiro pronunciamento desta viagem.
O dia se encerra com o jantar na Nunciatura Apostólica.
Considerando que a viagem ao Brasil, por conta da JMJ, em julho de 2013, foi definida por Bento XVI, a peregrinação à Terra Santa é a primeira viagem apostólica agendada pelo próprio Papa Francisco.