domingo, 30 de novembro de 2014

Que maravilhoso e belo é o tempo do Advento!

Fonte: O Fiel Católico

O TEMPO DO ADVENTO começa com as vésperas do domingo mais próximo ao 30 de novembro e termina antes das vésperas do Natal. Para os cristãos, é um tempo de preparação, de expectativa e alegria, em que os fiéis, esperando o Nascimento do Salvador do Mundo, vivem o arrependimento, com penitência (para nos tirar do nosso sonambulismo do pecado e fazer nascer em nós a verdadeira esperança) e promovem a fraternidade e a paz. A palavra advento, do latim Adventus, do verbo advenire, significa vinda, chegada, começo, início, princípio. Os dias que vão de 16 a 24 de dezembro (Novena de Natal) são para nos prepararmos mais especificamente para a grande Festa do Natal do Senhor.

Com o Advento, a Igreja inicia o novo Ano Litúrgico. Esse tempo litúrgico possui dupla característica: é um tempo de preparação para as solenidades do Natal, em que se comemora a Primeira Vinda do Filho de Deus entre os homens, e também um tempo em que, por meio desta lembrança, voltam-se os corações para a expectativa da Segunda Vinda do Cristo no fim dos tempos. Por este duplo motivo, o Tempo do Advento se apresenta como um tempo de piedosa e alegre expectativa.

O Advento é, portanto, um tempo especial para que façamos uma séria e profunda revisão sobre nossa vida pessoal e também sobre o mundo em que vivemos. É um momento privilegiado para averiguarmos se a Semente de Amor lançada por Jesus Cristo no coração dos homens está nascendo e frutificando.

O Natal é uma celebração que nos transmite profundas verdades de vida. Ao contemplarmos a gruta de Belém, descobrimos o imenso Amor de Deus, – Criador e Todo-Poderoso, Alfa e Ômega, Princípio e Fim de todas as coisas, – que se presta a assumir nossa mísera condição humana e vir ao mundo, sob a frágil forma de uma criança, para nos salvar. É Deus que se humaniza para divinizar o homem.

Celebrar o Natal é descobrir, na pequenez e na pobreza do Presépio, a Grandeza e a Riqueza do Amor divino. É perceber a lição de humildade radical que o Cristo veio nos ensinar. É optar pelo Caminho que Ele veio nos mostrar, Caminho que, em última análise, é Ele próprio. É acolher com total sinceridade e abertura a este Deus – que é, ao mesmo tempo, infinito em grandeza e pequenino; majestoso e tão humilde, – no mais profundo de nossas almas, corações e mentes, juntamente com as verdades que Ele veio nos comunicar, vivendo-as no nosso cotidiano. Isto inevitavelmente nos tornará seres humanos melhores, mais amorosos e um pouco mais plenos a cada dia. É assumir compromisso com os princípios e causas do Evangelho, lutando em defesa da vida, ao lado dos que sofrem, proclamando sem medo as verdades eternas, como fizeram os primeiros cristãos. É ser reflexo de Jesus neste mundo de dores, incompreensões e dificuldades.

Os cristãos devem celebrar o Natal com tal espírito. E é por ser uma comemoração tão importante que se faz necessário que nos preparemos bem; – é esta a finalidade do Tempo do Advento.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Nossa Senhora das Graças, rogai por nós

Felipe de Aquino
Hoje é dia de Nossa Senhora das Graças!
Nossa Senhora foi a única criatura que nunca ofendeu a Deus, por isso o Anjo a chama de “cheia de Graça”; assim, ela encanta o coração de Deus e Este lhe atende todas as súplicas como nos mostra as Bodas de Caná da Galileia. Se os nossos pecados dificultam a nossa comunhão com Deus e nos impedem de obter suas graças, isto não ocorre com Nossa Senhora, então, como boa Mãe, ela se põe como nossa magnífica intercessora.
Mais do que em outros dias, hoje é dia de Graças; peça tudo o que desejar a Nossa Senhora das Graças e já comece a agradecer; pois, se for para o seu bem, Deus lhe concederá pelas mãos benditas de Sua Mãe querida. Afinal, ela é a Filha predileta do Pai, a Esposa bendita do Espírito Santo e a Mãe Santa do Filho de Deus.
O que ela não consegue de Deus?

sábado, 22 de novembro de 2014

Festa de Cristo Rei

Dom Alberto Corrêa Taveira
Arcebispo de Belém do Pará

As estruturas de poder estão presentes em cada canto do mundo, lutam por elas as pessoas através de eleições, sucessão, golpes ou tramoias. Alguém vai sempre exercer o poder, e sua dinâmica conduz o mundo para frente ou para trás, podendo inclusive levar a enormes desastres. Gente de todas as idades acaba assistindo filmes ou espetáculos, retratos do quotidiano, que reportam as lutas pelo domínio de fatias da vida social, tomam partido, torcem pela parte que lhes é simpática e tantas vezes aplaudem a derrota ou morte de pessoas e grupos. No correr da história alternam-se os poderosos, utiliza-se o poder que, em princípio, deveria emanar do povo, manipulam-se as massas e as esperanças se acendem ou se apagam segundo as tendências de cada época.
É neste mundo, carregado de conflitos e lutas, que alguns até já consideraram indispensáveis para chegar à solução dos grandes problemas da sociedade, que a Palavra de Deus anuncia uma realidade chamada "Reino". A história do Povo de Deus no Antigo Testamento foi também acompanhada pela constituição de reino e reinos, lutas pelo poder, desastres e esperanças. Invasões, exílios, domínio de potências estrangeiras, tudo fez parte da história que se fez sagrada porque conduzida pelo amor do próprio Deus, Senhor desta história, que misteriosamente conduz os acontecimentos.
Mesmo apanhando e sofrendo muito, aquele povo tinha como ponto de honra a escolha feita por Deus. Diante de todas as forças, havia uma certeza: "Tu, porém, Israel, és o meu servo, foste tu, Jacó, a quem eu escolhi, descendência de Abraão, meu amigo! Lá num canto do mundo eu te dei a mão, eu te chamei lá dos confins da terra. Eu te disse: Tu és o meu servo. Eu te escolhi e não te deixei. Não tenhas medo, que eu estou contigo. Não te assustes, que sou o teu Deus. Eu te dou coragem, sim, eu te ajudo. Sim, eu te seguro com minha mão vitoriosa. Ficarão envergonhados e desapontados todos os que têm raiva de ti. Ficarão como nada e destruídos os que quiserem lutar contra ti. Vais procurar sem nunca encontrar quem queira combater contra ti. Os que quiserem te armar guerra, serão como o vazio e o nada. Isso, porque eu sou o Senhor, o teu Deus, eu te pego pela mão e digo: Não temas, que eu te ajudarei. Não tenhas medo, vermezinho Jacó, não te assustes, Israel, mísero inseto! Eu te ajudarei” – oráculo do Senhor, que é o teu Libertador, o Santo de Israel" (Is 41, 8-14).

Na voz dos profetas acendeu-se a esperança de que seriam cumpridas as promessas com a chegada do Messias, enviado de Deus, a quem caberia restaurar o Reino. Muitos desanimaram, mas permaneceu um "resto" fiel, gente de fibra, que tinha a certeza da fidelidade de Deus e passava às sucessivas gerações a mesma esperança.

E as promessas se cumpriram, mas do jeito de Deus, quando muitos até projetavam a realização do Reino modo muito parecido com os reinos, exércitos e conquistas conhecidos! De repente, aparece Jesus, com o rosto da simplicidade e da pobreza. É chamado nazareno, por ter vivido num lugar de gente briguenta, de onde não se esperava nada de bom (Cf. Jo 1, 46). Reúne discípulos que certamente não faziam parte do melhor que pudesse existir na sociedade do tempo. Atrás dele vão doentes, pecadores, escória da população, e ninguém passa em vão ao seu lado. Entra em casa de todos, maus e bons, ricos e pobres. Multidões acorrem a ele e a esperança se acende. Mostra-se apaixonado pelo Reino de Deus e quer anunciá-lo. Para que os simples o compreendam, utiliza parábolas, histórias do cotidiano, tiradas do grande livro da vida. Convida as pessoas a descobrirem o mistério do Reino, presente e ao mesmo tempo escondido, que não impõe, mas está bem perto, mora ao lado das pessoas. O próprio Jesus é o Reino de Deus presente e a adesão à sua pessoa significa entrar e viver no Reino. O Reino de Deus está no meio das pessoas (Cf. Lc 17, 21). Seu trono é a Cruz, prova definitiva e plena de amor, com a qual a morte é vencida e a vida resplandece na Ressurreição do Senhor e as portas se abrem para todos.

O Reino de Deus não chega pela força, mas exige o uso do precioso dom da liberdade. Diante dele há que se tomar uma decisão: "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo" (Mt 6, 33). E buscá-lo é optar por valores que significam caminhar contra a correnteza da avassaladora luta pelo poder, presente no mundo e dentro de cada pessoa. Uma das escolhas se chama "serviço" (Cf. Mc 10, 45), buscar não o domínio sobre os outros, mas exercitar a disponibilidade para construir o bem das pessoas. Quer dizer converter-se a cada dia, frente às responsabilidades pessoais, especialmente as que significam poder sobre quem quer que seja. Outro passo é a confiança na Providência Divina, pois o mundo não foi abandonado por quem o criou, mas é misteriosamente guardado e acompanhado pelo Senhor, que sabe conduzir tudo para o bem.

Acreditar no Reino de Deus é decidir-se a contribuir pela sua implantação e exige uma sensibilidade especial em relação às pessoas, como se expressa o Senhor na Parábola do Juízo final. Ver alguém com fome e dar de comer, com sede e dar de beber; receber em casa o forasteiro, vestir quem está nu, cuidar dos doentes e visitar os presos. São situações tão concretas e humanas, que dizem respeito justamente ao Reino de Deus. Não se trata de sonhar com alguma manifestação gloriosa do Senhor, mas apenas reconhecer sua presença. Ele como que se esconde atrás de cada pessoa humana. O Reino se faz presente a cada momento. Acreditar nele é viver bem o dia a dia e não fugir das responsabilidades. Deus entrou na vida humana de forma irreversível, para que cada ato de amor humano introduza a humanidade nas realidades da eternidade.

Na Solenidade de Cristo Rei do Universo, abram-se as portas para que todos se sintam acolhidos e bem recebidos. É o que a Igreja suplica: Deus eterno e todo-poderoso, que dispusestes restaurar todas as coisas no vosso amado Filho, rei do universo, fazei que todas as criaturas, libertas da escravidão e servindo à vossa majestade, vos glorifiquem eternamente. Amém.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Papa manda instalar chuveiros para moradores de rua em Roma

O Papa Francisco mandou instalar chuveiros em uma área da Praça de São Pedro para que os moradores de rua que circulam nos arredores do Vaticano possam ter onde se lavar.
A decisão foi tomada depois que um colaborador do Papa, Dom Konrad Krajewski, convidou um mendigo para jantar, no início de outubro. O convidado, um senhor italiano chamado Franco, que completaria 50 anos naquele dia, disse que não poderia ir porque estava com mau cheiro e não tinha onde tomar banho.
Então o colaborador do Papa mandou reformar os banheiros destinados aos turistas, posicionados na colunata de Bernini, na Praça de São Pedro, para que três deles tenham chuveiro. As reformas iniciam na próxima semana.
E a medida não para por aí. As paróquias de Roma mais frequentadas por moradores de rua também foram convidadas a fazer o mesmo.
Dom Krajewski responde àqueles que se incomodam com a presença dos mendigos: “a Basílica existe para custodiar o Corpo de Cristo e nos pobres nós servimos o corpo sofredor de Jesus. Desde sempre, na história de Roma, os pobres se reúnem em volta das basílicas”.
No dia do aniversário daquele morador de rua, o senhor Franco, Dom Krajewski insistiu no convite e conseguiu levá-lo para jantar e celebrar o seu dia.

Aborto e eutanásia, pecados contra o Criador

Fonte: Aleteia

O Papa Francisco recebeu os médicos católicos nesse sábado e pronunciou um dos discursos mais fortes de seu pontificado, denunciando a reprodução assistida, o aborto e a eutanásia como expressões de uma cultura que joga e experimenta com a vida, especialmente com a mais fraca e indefesa.
A defesa da vida humana, disso o Papa, “envolve profundamente a missão da Igreja”. Essa não pode renunciar “a participar do debate que tem como objeto a vida humana, apresentando a própria proposta fundada sobre o Evangelho”. Esta proposta é contrária hoje, porque para muitos “a qualidade da vida está ligada principalmente às possibilidades econômicas, ao ‘bem-estar’, à beleza e à apreciação da vida física, esquecendo outras dimensões mais profundas - relacionais, espirituais e religiosas - da existência”. Trata-se de um grave erro, porque “à luz da fé e da reta razão, a vida humana é sempre sagrada e sempre ‘de qualidade’. Não existe uma vida humana mais sagrada do que a outra, como não há uma vida humana qualitativamente mais significativa que outra”. Sobretudo os médicos devem relembrar que “a vida humana é sempre sagrada, válida e inviolável, e como tal deve ser amada, defendida e cuidada”. E os médicos católicos devem respeitar “o ensinamento do Magistério da Igreja no campo médico-moral”.
Concretamente, hoje, os médicos católicos se encontram diante de desafios e problemas de consciência em temas sobretudo de reprodução assistida, aborto e eutanásia “O pensamento dominante propõe às vezes uma ‘falsa compaixão’": seria uma ajuda à mulher favorecer o aborto, um ato de dignidade procurar a eutanásia, uma conquista científica ‘produzir’ um filho, considerado como um direito ao invés de acolhê-lo como dom; ou usar vidas humanas como cobaias de laboratório para salvar, supostamente, outras. Diante destes desafios, “a fidelidade ao Evangelho da vida e ao respeito da mesma como dom de Deus, às vezes requer escolhas corajosas e contra a corrente que, em particulares circunstâncias, podem acrescentar a objeção de consciência”. 
A grande tentação hoje, disse o Papa, é “experimentar com a vida”. Mas fazer esses tipos de experimento com a vida é mau. "‘Fazer’ filhos ao invés de acolhê-los como dom. Brincar com a vida. Estejam atentos! Que isto é um pecado contra o Criador: contra Deus Criador, que criou as coisas”. 
O Papa Francisco lembrou a objeção segundo a qual estes são temas religiosos, e a Igreja não deveria interferir com as leis dos Estados, nem poderia impor a sua doutrina aos não católicos. “Não - disse o Papa - não é um problema religioso” e nem mesmo “um problema filosófico. É um problema científico, porque ali existe uma vida humana e não é lícito fazer uma vida humana para resolver um problema. ‘Mas, escuta, no pensamento antigo, no pensamento moderno, a palavra matar significa o mesmo!’. O mesmo vale para a eutanásia: todos sabemos que com tantos anciãos, nesta cultura do descarte, se faz esta eutanásia de maneira escondida. Mas existe também outra. E isto é dizer a Deus: ‘Não, o fim da vida faço eu, como quero’. Pecado contra Deus Criador. Pensem bem nisso”. Um convite voltado aos médicos, aos políticos e também a qualquer católico com as ideias pouco claras.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Dez Ensinamentos de São Tomás de Aquino

Fonte: Blog Felipe de Aquino

1. Levar os homens à verdade é o maior benefício que se pode prestar aos outros.

2. A santidade não consiste em saber muito, meditar muito, pensar muito. O grande mistério da santidade é amar muito.

3. Quanto mais um ser se afasta de Deus mais ele aproxima do nada. Mas quanto mais ele se aproxima de Deus, tanto mais se distancia do nada.

4. Paciente não é aquele que não vê o mal, mas quem não se deixa dominar pela tristeza.
5. Nunca toques numa ferida que não possas curá-la.

6. A oração dominical ( Pai-Nosso) é a mais perfeita das orações. Nela não só pedimos tudo quanto podemos desejar corretamente, mas ainda segundo a ordem em que convém desejá-lo. De modo que esta oração, não só nos ensina a pedir, mas ordena também todos os nossos afetos.

7. A esperança cristã é a espera certa da felicidade eterna.

8. A oração é necessária não para que Deus conheça as nossas necessidades, mas para que nós fiquemos conhecendo a necessidade que temos de recorrer a Deus, para receber oportunamente os socorros da salvação.

9. O bem de Cristo é comunicado a todos os membros, e essa comunicação se faz através dos sacramentos da Igreja.

10. Não ponhas em dúvida se é ou não verdade, aceita com fé as palavras do Senhor, porque ele, que é a verdade, não mente.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Santo Sudário é “catequese vivente que só a fé explica”

ACI Digital
O Custódio Pontifício do Sudário de Turim, o Arcebispo italiano Cesare Nosiglia, afirmou que o Santo Sudário que, segundo a tradição, foi o pano que envolveu o corpo de Jesus Cristo depois de sua paixão, é uma catequese vivente sobre a fé.
O Arcebispo de Turim apresentou na Sala de Imprensa da Santa Sé a nova exposição do Santo Sudário, que acontecerá no próximo ano, entre dos dias 19 de abril e 24 de junho sob o lema “O Amor maior”.
Em uma entrevista concedida ao Grupo ACI, Dom Nosiglia assegurou que “todo aquele que vem para rezar e para vê-lo, sai impressionado. Tenho certeza de que isso acontece porque é Deus quem olha para eles, quem os chama, há uma mensagem que chega ao coração e à consciência… este sudário é uma catequese vivente que só a fé explica”.
O Prelado afirma que o Santo Sudário descreve perfeitamente a paixão de Jesus narrada pelos Evangelhos. “Encontramos os sinais do Senhor martirizado no Sudário, desde o rosto até a coroa de espinhos, a flagelação em todo o corpo, tanto nas costas como no resto do corpo… depois de tantas investigações que foram feitas e ainda há por fazer”.
“Ninguém conseguiu até agora dar uma resposta que defenda uma posição, só a fé dá a possibilidade de acolher esta realidade da paixão do Senhor, é o Evangelho apresentado em sua realidade crua, mas também em sua beleza e sua profundidade”, disse.
Em 5 de novembro, ao final da Audiência Geral na Praça São Pedro, o Papa Francisco anunciou que visitará Turim (Itália), no dia 21 de junho de 2015 para venerar o Santo Sudário.
Na arquidiocese italiana já começaram os preparativos. “Esperamos que o Papa nos confirme na fé, precisamos de uma injeção de fé em um mundo cada vez mais afastado do evangelho e da tradição cristã. Com a fé em Jesus podemos redescobrir o sentido da humanidade e a sua plenitude”, assinalou Dom Nosiglia.
O Papa Francisco enviou no dia 30 de março de 2013 uma mensagem por ocasião da exposição televisiva do Santo Sudário na Itália, onde animou a deixar-nos olhar pelo homem do Sudário como uma realidade que nos questiona até o mais profundo do coração.
“Este rosto tem os olhos fechados, é o rosto de um defunto e, entretanto, misteriosamente nos olha e, no silêncio, nos fala. Como isso é possível? Como é possível que o povo fiel, como vós, queira parar diante deste ícone de um homem flagelado e crucificado?”
“Esta imagem –gravada no tecido– fala ao nosso coração e nos leva a subir o monte do Calvário, a olhar o madeiro da cruz, a submergir-nos no silêncio eloquente do amor”, expressou o Santo Padre.
Segundo a história da Igreja, os primeiros cristãos levaram consigo o Santo Sudário para preservá-lo da perseguição. Desde Jerusalém e ao longo dos séculos, o Sudário passou por Edesa, Constantinopla, Atenas, Lirey, Chambery e finalmente, chegou a Turim, onde hoje em dia, foi objeto de numerosas pesquisas.
As pesquisas demonstram que este percurso descrito pela história coincide com a procedência dos 57 tipos de pólen que estão incrustados no tecido.

domingo, 19 de outubro de 2014

Homilia do Papa Francisco da Beatificação do Papa Paulo VI

Fonte: ACI Digital


O Papa Francisco presidiu neste domingo a cerimônia de beatificação de Paulo VI e encerramento do Sínodo da Família 2014, na qual destacou o trabalho evangelizador de seu predecessor e agradeceu pelo dom do Sínodo.
À continuação, apresentamos a íntegra da homilia pronunciada pelo Santo Padre:
Acabamos de ouvir uma das frases mais célebres de todo o Evangelho: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22, 21).
À provocação dos fariseus, que queriam, por assim dizer, fazer-Lhe o exame de religião e induzi-Lo em erro, Jesus responde com esta frase irônica e genial. É uma resposta útil que o Senhor dá a todos aqueles que sentem problemas de consciência, sobretudo quando estão em jogo as suas conveniências, as suas riquezas, o seu prestígio, o seu poder e a sua fama. E isto acontece em todos os tempos e desde sempre.
A acentuação de Jesus recai certamente sobre a segunda parte da frase: “E [dai] a Deus o que é de Deus”. Isto significa reconhecer e professar – diante de qualquer tipo de poder – que só Deus é o Senhor do homem, e não há outro. Esta é a novidade perene que é preciso redescobrir cada dia, vencendo o temor que muitas vezes sentimos perante as surpresas de Deus.
Ele não tem medo das novidades! Por isso nos surpreende continuamente, abrindo-nos e levando-nos para caminhos inesperados. Ele renova-nos, isto é, faz-nos “novos” continuamente. Um cristão que vive o Evangelho é “a novidade de Deus” na Igreja e no mundo. E Deus ama tanto esta “novidade”!
“Dar a Deus o que é de Deus” significa abrir-se à sua vontade e dedicar-Lhe a nossa vida, cooperando para o seu Reino de misericórdia, amor e paz.
Aqui está a nossa verdadeira força, o fermento que faz levedar e o sal que dá sabor a todo o esforço humano contra o pessimismo predominante que o mundo nos propõe. Aqui está a nossa esperança, porque a esperança em Deus não é uma fuga da realidade, não é um álibi: é restituir diligentemente a Deus aquilo que Lhe pertence. É por isso que o cristão fixa o olhar na realidade futura, a realidade de Deus, para viver plenamente a existência – com os pés bem fincados na terra – e responder, com coragem, aos inúmeros desafios novos.
Vimo-lo, nestes dias, durante o Sínodo Extraordinário dos Bispos: “sínodo” significa “caminhar juntos”. E, na realidade, pastores e leigos de todo o mundo trouxeram aqui a Roma a voz das suas Igrejas particulares para ajudar as famílias de hoje a caminharem pela estrada do Evangelho, com o olhar fixo em Jesus. Foi uma grande experiência, na qual vivemos a sinodalidade e a colegialidade e sentimos a força do Espírito Santo que sempre guia e renova a Igreja, chamada sem demora a cuidar das feridas que sangram e a reacender a esperança para tantas pessoas sem esperança.
Pelo dom deste Sínodo e pelo espírito construtivo concedido a todos, – com o apóstolo Paulo – “damos continuamente graças a Deus por todos vós, recordando-vos sem cessar nas nossas orações” (1 Tes 1, 2). E o Espírito Santo, que nos concedeu, nestes dias laboriosos, trabalhar generosamente com verdadeira liberdade e humilde criatividade, continue a acompanhar o caminho que nos prepara, nas Igrejas de toda a terra, para o Sínodo Ordinário dos Bispos no próximo Outubro de 2015. Semeamos e continuaremos a semear, com paciência e perseverança, na certeza de que é o Senhor que faz crescer tudo o que semeamos (cf. 1 Cor 3, 6).
Neste dia da beatificação do Papa Paulo VI, voltam-me à mente estas palavras com que ele instituiu o Sínodo dos Bispos: “Ao perscrutar atentamente os sinais dos tempos, procuramos adaptar os métodos (…) às múltiplas necessidades dos nossos dias e às novas características da sociedade” (Carta ap. Motu próprio Apostolica sollicitudo).
A respeito deste grande Papa, deste cristão corajoso, deste apóstolo incansável, diante de Deus hoje só podemos dizer uma palavra tão simples como sincera e importante: Obrigado! Obrigado, nosso querido e amado Papa Paulo VI! Obrigado pelo teu humilde e profético testemunho de amor a Cristo e à sua Igreja!
No seu diário pessoal, depois do encerramento da Assembleia Conciliar, o grande timoneiro do Concílio deixou anotado: “Talvez o Senhor me tenha chamado e me mantenha neste serviço não tanto por qualquer aptidão que eu possua ou para que eu governe e salve a Igreja das suas dificuldades atuais, mas para que eu sofra algo pela Igreja e fique claro que Ele, e mais ninguém, a guia e salva” (P. Macchi, Paolo VI nella sua parola, Brescia 2001, pp. 120-121). Nesta humildade, resplandece a grandeza do Beato Paulo VI, que soube, quando se perfilava uma sociedade secularizada e hostil, reger com clarividente sabedoria – e às vezes em solidão – o timão da barca de Pedro, sem nunca perder a alegria e a confiança no Senhor.
Verdadeiramente Paulo VI soube “dar a Deus o que é de Deus”, dedicando toda a sua vida a este “dever sacro, solene e gravíssimo: continuar no tempo e dilatar sobre a terra a missão de Cristo” (Homilia no Rito da sua Coroação, Insegnamenti, I, 1963, p. 26), amando a Igreja e guiando-a para ser “ao mesmo tempo mãe amorosa de todos os homens e medianeira de salvação” (Carta enc. Ecclesiam suam, prólogo).

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Santa Margarida Maria Alacoque, devoção ao Sagrado Coração de Jesus

Fonte: Canção Nova
Deus suscitou este luzeiro, ou seja, portadora da luz, que é Cristo, num período em que na Igreja penetrava as trevas do Jansenismo (doutrina que pregava um rigorismo que esfriava o amor de muitos e afastava o povo dos sacramentos). O nome de Santa Margarida Maria Alacoque está intimamente ligado à fervorosa devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Nasceu na França em 1647, teve infância e adolescência provadas, sofridas. Órfã de pai e educada por Irmãs Clarissas, muito nova pegou uma estranha doença que só a deixou depois de fazer o voto à Santíssima Virgem.

Com a intercessão da Virgem Maria, foi curada e pôde ser formada na cultura e religião. Até que provada e preparada no cadinho da humilhação, começou a cultuar o Santíssimo Sacramento do Altar e diante do Coração Eucarístico começou a ter revelações divinas.
“Eis aqui o coração que tanto amou os homens, até se esgotar e consumir para testemunhar-lhe seu amor e, em troca, não recebe da maior parte senão ingratidões, friezas e desprezos”. As muitas mensagens insistiram num maior amor à Santíssima Eucaristia, à Comunhão reparadora nas primeiras sextas-feiras do mês e à Hora Santa em reparação da humanidade.
Incompreendida por vários, Margarida teve o apoio de um sacerdote, recebeu o reconhecimento do povo que podia agora deixar o medo e mergulhar no amor de Deus. Leão XIII consagrou o mundo ao Sagrado Coração de Jesus e o Papa Pio XIII recomendou esta devoção que nos leva ao encontro do Coração Eucarístico de Jesus. Santa Margarida Maria Alacoque morreu em 1690 e foi canonizada pelo Papa Bento XV em 1920.
Santa Margarida Maria Alacoque, rogai por nós!

Oração do Papa Paulo VI para pedir chuva

Nesses tempos de tanta preocupação com a seca que assola diversas regiões do nosso país, voltemos nosso coração a Deus, pedindo sua misericórdia, para que desça sobre nós a chuva abençoada que traz esperança e vida!
“Deus, nosso Pai, Senhor do Céu e da terra

Tu és para nós existência, energia e vida

Criaste o homem à Tua imagem

a fim de que com o seu trabalho ele faça frutificar

as riquezas da terra

colaborando assim na Tua criação.

Temos consciência da nossa miséria e fraqueza:

nada podemos fazer sem Ti.

Tu, Pai bondoso, que sobre todos fazes brilhar o sol

e fazes cair a chuva,

tem compaixão de todos os que sofrem duramente

pela seca que nos ameaça nestes dias.

Escuta com bondade as orações que Te são dirigidas

com confiança pela Tua Igreja,

como satisfizeste súplicas do profeta Elias

que intercedia em favor do Teu povo.

Faz cair do céu sobre a terra árida

a chuva desejada

a fim de que renasçam os frutos

e sejam salvos homens e animais.

Que a chuva seja para nós o sinal

da Tua graça e da Tua bênção:

assim, reconfortados pela Tua misericórdia,

dar-te-emos graças por todos os dons da terra e do céu,

com os quais o Teu Espírito satisfaz a nossa sede.

Por Jesus Cristo, Teu Filho,

que nos revelou o Teu amor,

fonte de água viva, que brota para a vida eterna. Amem”.

Papa Paulo VI

(Angelus de 04/07/l976, L´Osservatore Romano, 11/07/1976)