domingo, 20 de março de 2016

Por que variam as datas da Semana Santa

Fonte: ACI Digital
Cada ano as datas do Tríduo Pascal variam. Este ano o tempo de Páscoa começará no próximo 27 de março. No calendário da Igreja Semana Santa é uma nova data, sempre diferente no calendário: existe uma razão histórica para isso. São as fases da Lua que guiam o calendário da Igreja para as celebrações dos mistérios da Morte e Ressurreição de Cristo.


Duante a Semana Santa, os cristãos celebram a ressurreição de Cristo, a festa mais importante do calendário litúrgico. De fato, durante os três primeiros séculos da fé esta era a única festa que se celebrava. Não havia outros tempos litúrgicos nem outras solenidades.

A origem da data se deve ao fato que a morte de Cristo ocorreu ao redor da festa da Páscoa Judia. Os Evangelhos se referem a esta celebração na passagem bíblica da última ceia, em que Jesus se reúne com seus discípulos para celebrar esta festa na que os judeus recordavam a saída do Egito.

Os judeus, de acordo às suas normas, devem renovar cada ano esta celebração no dia 15 do mês de Nisan, que começa com a primeira lua nova da primavera.

Lua cheia

Com o passar do tempo e embora algumas regiões no mundo não aderissem, a Igreja começou a unificar a data da Páscoa. Desde o I Concilio Ecumênico da Nicéia no ano 325, a Semana Santa se celebra no primeiro domingo de lua cheia depois do equinócio primaveril (ao redor de 21 de março).

Assim, o domingo de Páscoa acontece em um parêntese de 35 dias, entre em 22 de março e em 25 de abril.

As datas de Páscoa se repetem em um período de 5.700.000 anos e nesse intervalo de tempo a data mais frequente é o 19 de abril. Na maioria das vezes a Semana Santa cai durante a primeira ou segunda semana de abril.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Para além de Spotlight

Equipe Christo Nihil Praeponere

Blog. Padre Paulo Ricardo

Foi durante a nona estação da Via Crucis que o então Cardeal Joseph Ratzinger proferiu aquele desabafo constrangedor. Ainda soam frescas em nossas memórias as suas lamentações: "Quanta sujeira há na Igreja, e precisamente entre aqueles que, no sacerdócio, deveriam pertencer completamente a Ele". Era a Semana Santa do ano de 2005, e o Papa João Paulo II havia pedido justamente ao prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé — o homem que, por vários anos, teve de lidar diretamente com os sacerdotes transgressores — a preparação dos textos meditativos da Paixão de Cristo. Na época, não havia como não relacionar as palavras do cardeal aos escândalos de pedofilia outrora descobertos.

Recentemente, a pedofilia voltou a aterrorizar os fiéis católicos do mundo todo, após a Academia de Cinema ter condecorado Spotlight com o Oscar de melhor filme do ano. Para quem não sabe, o filme trata da cobertura que o jornal americano Boston Globe fez acerca dos crimes sexuais do padre John Geoghan, e de como, ao longo de 36 anos, esse mesmo sacerdote pôde circular tranquilamente por suas paróquias, graças à proteção do bispo. Quando o caso veio à tona, em 2002, uma série de outras denúncias surgiram, pelo que se descobriu a grande máfia que havia por de trás daqueles monstruosos abusos. Tratava-se, evidentemente, de um esquema diabólico de acordos e ameaças, que envolvia clérigos, advogados e familiares — um show de horrores.

É claro que escândalos como esses, que trazem a marca de um sacerdote, de um "homem de Deus", por assim dizer, chocam e minam a credibilidade da Igreja. Como continuar a professar o Creio depois de tantas demonstrações de fraqueza e malícia por parte do clero? Essa pergunta se impõe e exige uma tomada de posição. Embora se possa criticar um ponto ou outro de Spotlight, a verdade é que o filme não é nada anticatólico — no sentido de um panfleto contra a Igreja —, mas uma imagem assustadora de crimes reais praticados por padres e acobertados por quem estava mais preocupado com a estética do que com a dignidade das vítimas. Não se pode negar, fatos são fatos.

Outro fato, porém, é que a Igreja Católica, enquanto instituição divinamente fundada por Jesus, não pode ser confundida com os pecados de seus membros — ainda que estes façam parte da hierarquia e ocupem os cargos mais altos do clero — "nem é sua culpa se alguns de seus membros sofrem de chagas ou doenças", como recorda o Papa Pio XII [1]. Uma coisa é o Corpo Místico de Cristo, ao qual se deve toda veneração, outra bem diferente são as estruturas humanas que, por sua própria natureza, estão sujeitas ao erro. São Pedro apascentou as ovelhas de Cristo durante longos anos, mas isso não o impediu de negar Jesus por três vezes. Judas era um dos doze apóstolos — era uma das colunas —, e mesmo assim a sua traição levou o Filho de Deus para o sacrifício na cruz. Vemos, portanto, que os escândalos clericais existem desde o início do cristianismo, desde o momento em que Jesus decretou que Simão seria a rocha da Igreja, para depois repreendê-lo e chamá-lo de "pedra de tropeço" por deixar-se levar por insinuações diabólicas.

Aliás, longe de manifestarem qualquer deficiência da Igreja, esses escândalos reforçam o caráter infalível e perpétuo dela, como continuação da Encarnação de Cristo na história, necessária à salvação, uma vez que nenhuma outra instituição no mundo sobreviveria por tantos anos, tendo à sua testa homens tão débeis, a não ser que fosse pela graça divina. É por isso que, na contramão daqueles bispos e sacerdotes que, temendo prejudicarem a própria imagem, optaram por acobertar esses crimes ao invés de denunciá-los, os grandes santos e pastores da Igreja nunca silenciaram acerca da má conduta de padres e religiosos; antes, fizeram ecoar aos quatro cantos da terra o horror que era para Deus e para o mundo a podridão dentro do ministério sagrado, quando exercido por homens vaidosos e dissimulados.

No século XI, período em que a Igreja sofria terrivelmente com a má disciplina dos sacerdotes, São Pedro Damião fez-se ouvir pelo papa Leão IX com o que poderíamos considerar o Spotlight da época. No Liber Gomorrhianus (Livro de Gomorra), o doutor da Igreja escreveu abertamente sobre as imoralidades dos clérigos da época, inclusive sobre abusos contra menores, exortando o Santo Padre a tomar providências urgentes contra aqueles crimes. Como projeto de reforma, o santo não propunha apenas mudanças estruturais e burocráticas — apesar de serem necessárias, é verdade —, mas, principalmente, a busca pela santidade através da fidelidade às virtudes cristãs, como castidade, oração, penitência etc. Em suma, o caminho de reforma proposto por São Pedro Damião era nada mais que o velho mas sempre eficaz caminho da mística e da ascese, infelizmente abandonado nos dias de hoje, pelo que podemos compreender os motivos da nova crise.

Talvez seja possível dizer que o erro de Spotlight, bem como de toda a crítica secular, é que ela não abraça a totalidade da situação e acaba por omitir o mais importante remédio para o problema. É fora de dúvida que a Igreja deve oferecer uma resposta concreta a cada caso de abuso sexual, punindo exemplarmente tanto pedófilos quanto acobertadores, e procurando reparar, na medida do possível, as chagas que foram abertas por seus crimes. Toda essa sujeira, no entanto, encarada com olhar sobrenatural, indica uma "crise de santos" [2]. Quando se perde a dimensão da busca pela santidade, seja entre progressistas, seja entre conservadores, o resultado só pode ser o escândalo e a corrupção a níveis desastrosos, sobretudo no meio clerical. Bem disse Bento XVI que, entre os fatores que contribuíram para a crise, estava "a tendência, até da parte de sacerdotes e religiosos, para adotar modos de pensamento e de juízo das realidades seculares sem referência suficiente ao Evangelho" [3]. Sem o desejo sincero de conformar-se a Jesus, nada pode assegurar uma vocação.

A Igreja, por sua vez, brilha e segue sua caminhada por esta terra, sabendo que "não são as maiorias ocasionais que se formam (...) que decidem o seu e o nosso caminho". Pelo contrário, os santos "são a verdadeira maioria determinante segundo a qual nos orientamos", pois "eles são os nossos mestres de humanidade, que não nos abandonam nem na dor e na solidão e na hora da morte caminham ao nosso lado" [4]. Por isso, ainda podemos crer com a Igreja e sentirmo-nos seguros dentro desta barca, que apesar de agitada pela tempestade, navega firmemente até o seu destino final.

Como rezou o Cardeal Ratzinger durante a Via Crucis de 2005, rezemos também nós: "Tende piedade da vossa Igreja: também dentro dela, Adão continua a cair. Mas Vós Vos erguereis. Vós Vos levantastes, ressuscitastes e podeis levantar-nos também a nós. Salvai e santificai a vossa Igreja. Salvai e santificai a todos nós."

Igreja: três anos com Francisco

Fonte: Agência Ecclesia

O Papa do Sul do mundo trouxe preocupações específicas para a reforma da Igreja e a transformação da sociedade global

A Igreja Católica assinala neste domingo o terceiro aniversário da eleição de Jorge Mario Bergoglio como Papa, um pontificado que nos últimos meses conheceu momentos como o Sínodo sobre a Família ou a encíclica ‘Laudato si’.

As viagens internacionais e a convocação de um Jubileu extraordinário da Misericórdia foram outros pontos de destaque, a que se somaram o encontro histórico com o patriarca ortodoxo de Moscovo e a visita à sede da ONU, em Nova Iorque.

Francisco tem proposto uma mudança do paradigma econômico e financeiro internacional, como tinha deixado bem vincado na exortação ‘Evangelii Gaudium’ ou no seu discurso em Estrasburgo, perante o Parlamento Europeu, em defesa da democracia face ao poder dos mercados.

Com a encíclica 'Laudato si', Francisco abriu as fronteiras do seu discurso e colocou a Igreja Católica na liderança do movimento mundial para a defesa do ambiente, congregando à sua volta apoios das mais diversas proveniências.

O Papa tem estado próximo dos mais pobres e excluídos, na defesa de uma globalização mais plural, que respeite a identidade de todos e os excluídos, um discurso marcado pela vivência no Sul do mundo.

O primeiro pontífice da América Latina tem mostrado preocupação com a situação do Velho Continente, desejando uma ‘refundação da Europa', particularmente necessária perante as crises de refugiados e do terrorismo internacional.

O Papa tem repetido mensagens em favor da paz nas várias regiões do mundo afetadas por conflitos, assumindo a defesa dos cristãos no Médio Oriente, perseguidos pelo autoproclamado ‘Estado Islâmico’, e criticando quem justifica ataques terroristas com as suas convicções religiosas.

O cardeal Jorge Mario Bergoglio foi eleito como sucessor de Bento XVI a 13 de março de 2013, após a renúncia do agora Papa emérito; assumiu o inédito nome de Francisco e é o primeiro pontífice jesuíta na história da Igreja.

Em 36 meses, o Papa argentino visitou o Brasil, Jordânia, Israel, Palestina, Coreia do Sul, Turquia, Sri Lanka, Filipinas, Equador, Bolívia, Paraguai, Cuba e Estados Unidos da América, Quénia, Uganda, República Centro-Africana, e o México, bem como as cidades de Estrasburgo (França), onde passou pelo Parlamento Europeu e o Conselho da Europa, Tirana (Albânia) e Sarajevo (Bósnia-Herzegovina).

Realizou também dez viagens na Itália, incluindo passagens por Assis e pela ilha de Lampedusa, bem como uma homenagem no centenário no início da I Guerra Mundial, para além de outras visitas a paróquias na Diocese de Roma.

Entre os principais documentos do atual pontificado estão as encíclicas 'Laudato si', dedicada a questões ecológicas, e 'Lumen Fidei' (A luz da Fé), que recolhe reflexões de Bento XVI, bem como a exortação apostólica 'Evangelii Gaudium' (A alegria do Evangelho).

O Papa promoveu um Sínodo sobre a Família, em duas sessões, com consultas alargadas às comunidades católicas, e deu início ao Jubileu da Misericórdia, terceiro ano santo extraordinário na história da Igreja Católica, 50 anos depois do encerramento do Concílio Vaticano II.

Francisco tem sublinhado a sua preocupação com as “periferias” geográficas e existenciais da humanidade, que exigem respostas da Igreja e da sociedade.

Internamente, tem promovido também a reforma dos organismos centrais da Igreja Católica, em particular a estrutura de coordenação para as atividades econômicas e administrativas.

O Papa criou um Conselho de Cardeais, para o aconselhar no governo da Igreja e na revisão da Constituição Apostólica ‘Pastor Bonus’, sobre a Cúria Romana; o grupo com cardeais dos cinco continentes propôs a criação de uma comissão específica para os casos de abusos sexuais, à qual Francisco deu luz verde.

Os primeiros anos de pontificado são analisados na mais recente edição do Semanário ECCLESIA, com uma entrevista a Adriano Moreira e um dossier que inclui ainda textos de vaticanistas internacionais e testemunhos de vários bispos e outros portugueses que tiveram oportunidade de contactar com Francisco.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Papa: nenhuma condenação à morte seja executada no Ano da Misericórdia

Fonte: Comunidade Shalom

O Jubileu extraordinário da Misericórdia é uma ocasião oportuna para promover no mundo formas mais maduras de respeito da vida e da dignidade de toda pessoa. Foi o que disse o Papa no Angelus deste II Domingo da Quaresma (21/02), no qual a liturgia da Igreja nos apresenta o Evangelho da Transfiguração.

Referindo-se ao Congresso internacional que se realizará esta segunda-feira em Roma intitulado “Por um mundo sem a pena de morte”, o Santo Padre fez um veemente apelo em favor da abolição da pena capital.

O mandamento “não matar” tem valor absoluto.

“Efetivamente, as sociedades modernas têm a possibilidade de reprimir eficazmente o crime sem tirar definitivamente a quem o cometeu a possibilidade de redimir-se. O problema deve ser enquadrado na ótica de uma justiça penal que seja sempre mais conforme à dignidade do homem e ao desígnio de Deus sobre o homem e sobre a sociedade e também a uma justiça penal aberta à esperança da reinserção na sociedade. O mandamento “não matar” tem valor absoluto e diz respeito tanto ao inocente quanto ao culpado.”

Mesmo o criminoso mantém inviolável o direito à vida, dom de Deus, frisou o Papa dirigindo-se em seguida aos governantes:

“Faço um apelo à consciência dos governantes, a fim de que se chegue a um consenso internacional em prol da abolição da pena de morte. E proponho àqueles que entre estes são católicos que realizem um gesto corajoso e exemplar: que nenhuma condenação seja executada neste Ano Santo da Misericórdia.”

Em seguida, o Papa Francisco fez uma exortação não somente aos cristãos, mas também a todos os homens de boa vontade: “Todos os cristãos e os homens de boa vontade são hoje chamados a trabalhar não somente pela abolição da pena de morte, mas também a fim de melhorar as condições carcerárias, no respeito pela dignidade humana das pessoas privadas da liberdade.”

Viagem ao México: experiência de transfiguração

Na alocução que precedeu a oração mariana, atendo-se à liturgia deste domingo na qual nos é apresentado o Evangelho da Transfiguração, o Santo Padre lembrou a sua recente viagem apostólica ao México dizendo ter sido uma experiência de transfiguração:

“A viagem apostólica que realizei nos dias passados ao México foi uma experiência de transfiguração. Como assim? Porque o Senhor mostrou-nos a luz da sua glória através do corpo da sua Igreja, do seu Povo santo que vive naquela terra. Um corpo muitas vezes ferido, um Povo muitas vezes oprimido, desprezado, violado em sua dignidade. Efetivamente, os vários encontros vividos no México foram repletos de luz: a luz da fé que transfigura os rostos e ilumina o caminho.”

Francisco explicou que o “baricentro” espiritual desta sua peregrinação foi o Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe.

“Permanecer em silêncio diante da imagem de Mãe era aquilo a que propunha por primeiro. E agradeço a Deus por ter-me concedido. Contemplei e deixei que me olhasse Aquela que traz impressos em seus olhos os olhares de todos os seus filhos, e recolhe as dores pelas violências, os sequestros, os assassinatos, os vilipêndios em detrimento de tanta gente pobre, de tantas mulheres.”

Guadalupe: Santuário mariano mais visitado do mundo

O Papa ressaltou que Guadalupe é o Santuário mariano mais visitado do mundo e que de todo o Continente americano “vão ali rezar onde a Virgem Morenita se apresentou ao índio São Juan Diego, dando início à evangelização do continente e à sua nova civilização, fruto do encontro entre diferentes culturas”.

E esta é propriamente a herança que o Senhor entregou ao México, ressaltou o Santo Padre:

“Proteger a riqueza da diversidade e, ao mesmo tempo, manifestar a harmonia da fé comum, uma fé sincera e robusta, acompanhada de uma grande carga de vitalidade e de humanidade.”

Encontro entre Francisco e Kirill: evento é luz profética de Ressurreição

Aludindo à viagem de ida ao México, o Pontífice acenou também o encontro ocorrido em Cuba entre ele e o Patriarca de Moscou e de todas as Rússias, Kirill, em encontro pelo qual disse elevar um louvor especial à Santíssima Trindade.

“Um encontro muito desejado também por meus Predecessores. Também esse evento é uma luz profética de Ressurreição, da qual hoje o mundo precisa mais do que nunca. A Santa Mãe de Deus continue a guiar-nos no caminho da unidade. Rezemos a Nossa Senhora de Kazan, da qual o Patriarca kirill me presentou um ícone.”

Por fim, o Papa presentou mais uma vez, aos que estavam na Praça São Pedro, a “medicina espiritual” chamada Misericordinha: uma caixinha que contém a coroa do Terço e imagem de Jesus Misericordioso. Francisco concedeu a todos a sua Bênção apostólica, desejou um bom domingo, bom almoço e pediu que rezassem por ele.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

"As lágrimas dos que sofrem não são estéreis”, diz Francisco na Basílica de Guadalupe

A correspondência secreta entre São João Paulo II e uma mulher casada: escândalo para um mundo doente.

Fonte: Aleteia
Fez alarde na mídia, entre ontem e hoje, a notícia de que São João Paulo II manteve uma “relação de grande proximidade“, ao longo de mais de 30 anos, com a filósofa polonesa naturalizada norte-americana, Anna-Teresa Tymieniecka.

A correspondência intercambiada entre o papa e a filósofa, segundo a mídia, teria sido “mantida em segredo” pela Biblioteca Nacional da Polônia durante anos.

A história

Eles se conheceram em 1973. Karol Wojtyla era arcebispo de Cracóvia. Anna-Teresa viajou dos Estados Unidos até a Polônia para conversar com o então cardeal sobre um livro de filosofia que ele tinha escrito.

Pouco tempo depois, começou a correspondência entre o cardeal e a filósofa, que decidiram trabalhar em uma versão ampliada do livro. Os dois se encontraram a partir de então muitas vezes e intensificaram a correspondência, que, naturalmente, com o tempo, se tornava menos formal.

Em 1976, o cardeal Wojtyla participou de um encontro católico nos EUA e foi convidado por Anna-Teresa para ficar na casa de campo da família, em Vermont. Grande apaixonado pela natureza, Wojtyla aparece em fotos daquele verão bastante alegre e descontraído junto à família de Anna-Teresa.

Em setembro do mesmo ano, ele escreve para ela:

“Minha querida Teresa, recebi as três cartas. Você escreve que está arrasada, mas não consegui encontrar resposta para essas palavras (…) No ano passado, já estava buscando uma resposta para essas palavras: ‘Eu pertenço a você’. E, finalmente, antes de partir da Polônia, encontrei uma forma: um escapulário. A dimensão na qual aceito e sinto você em todo lugar em todos os tipos de situações, quando você está perto e quando está distante”.

O teor dessas cartas pode dar a entender que Anna-Teresa tinha se apaixonado pelo cardeal. Esta é a opinião, por exemplo, de Marsha Malinowski, a comerciante de manuscritos que negociou a venda das cartas para a Biblioteca Nacional da Polônia. “Acho que isto se reflete completamente na correspondência”, conclui ela, em entrevista à rede BBC.

Anna-Teresa não foi a única mulher com quem o futuro papa João Paulo II manteve correspondência e amizade. Desde a juventude, Karol Wojtyla cultivou uma saudável relação de proximidade com várias amigas, entre elas Wanda Poltawska, psiquiatra com quem trocou cartas ao longo de décadas.

O que causou barulho na mídia no caso de Anna-Teresa foi a “intensidade pessoal” das cartas e o fato de que a filósofa era casada. De fato, após o horror nazista e a Segunda Guerra Mundial, ela tinha se mudado para estudar nos Estados Unidos, onde se casou e teve três filhos.

Uma amizade intensa e familiar

O marido de Anna-Teresa, Hendrik Houthakker, também era amigo de João Paulo II. Hendrik era um renomado economista de Harvard e, após a queda do comunismo, aconselhou o papa sobre a economia dos países do Leste Europeu. O papa o homenageou pelos serviços prestados.

Quando João Paulo II foi diagnosticado com o mal de Parkinson, Anna-Teresa passou a visitá-lo com frequência, além de lhe mandar flores e fotos da casa de campo de Vermont, que tanto encantara o cardeal Wojtyla no verão de 1976.

Depois da última visita do papa à Polônia, ele escreveu para Anna-Teresa sobre sua pátria: “Nosso lar comum; tantos lugares onde nos encontramos, onde tivemos conversas tão importantes para nós, onde vivenciamos a beleza da presença de Deus“.

A mídia, os internautas e suas previsíveis interpretações

Uma amizade cultivada tanto em família quanto em particular, na qual se vivencia e destaca “a beleza da presença de Deus”… Hummm, não parece uma realidade palpável para boa parte da imprensa laica e dos seus leitores.

O barulho da mídia (e dos internautas que distribuem suas doses de infantilidade em forma de comentários) foi impulsionado, para variar, pelos “furores venéreos” típicos da nossa “cultura” sexualmente frustrada e doente: o que pipocou em torno à revelação da correspondência entre São João Paulo II e Anna-Teresa Tymieniecka não foi a beleza da amizade, a vivência pessoal e intensa da espiritualidade, um diálogo aberto sobre sentimentos e sua sublimação, a transparência afetiva, os conteúdos filosóficos debatidos, a natureza, a família, a pátria, Deus. Não, nada disso. O que pipocou, previsível e mediocremente, foram as pobres e vulgares insinuações de algum possível escândalo sexual.

É verdade que boa parte dos artigos fez a ressalva de que “não há sugestão alguma de quebra do celibato por parte do papa“, mas também há insinuantes martelamentos em aspectos como “a mulher era casada“. E se fosse solteira? Não haveria, será, o mesmíssimo insinuante martelamento no fato de que “a mulher era solteira“? E se fosse viúva? Zzzzz.

Nossa sociedade tem dificuldades graves para construir e nutrir amizades sólidas. Amizades profundas são uma raridade. Entre homem e mulher, então, quase uma aberração. Entre homem e mulher e sem sexo? Hahaha. Amizades capazes de transparência afetiva e abertura filosófica e espiritual soam quase tão alienígenas quanto a beleza da castidade e do celibato por parte de um homem forte, jovem e saudável. E amizades em que há intercâmbio de correspondência, para pessoas que mal sabem produzir uma linha sem erros de ortografia, parecem ser, irremediavelmente, incompreensíveis.

Pobre mundo. Ora pro nobis, São João Paulo II.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Em encontro histórico, Francisco e Kirill pedem unidade do Cristianismo

Fonte: Aletéia


O encontro que o Vaticano tentou, em vão, organizar há décadas na Europa, foi cercado de grande segredo
2790066 02/12/2016 Patriarch Kirill of Moscow and All Russia (left) and Pope Francis of Rome meet in the Jose Marti International Airport in Havana. Sergey Pyatakov/Sputnik

O papa Francisco e o patriarca ortodoxo russo Kirill defenderam nesta sexta-feira o restabelecimento da unidade do Cristianismo, fraturado por um cisma milenar, e pediram a proteção de todos os cristãos perseguidos no Oriente Médio, ao final de um encontro histórico em Havana.

“Lamentamos a perda da unidade” e “conscientes dos muitos obstáculos que é preciso superar, esperamos que nosso encontro contribua para o restabelecimento desta unidade desejada por Deus”, destacaram em uma declaração conjunta com trinta pontos, divulgada ao final de uma reunião histórica de duas horas.

No encontro, também pediram “à comunidade internacional para tomar medidas imediatas para evitar um maior deslocamento dos cristãos no Oriente Médio”.

“Erguendo nossas vozes em defesa dos cristãos perseguidos, também nos solidarizamos com sofrimentos de seguidores de outras tradições religiosas, que se tornaram vítimas da guerra civil, do caos e da violência terrorista”, acrescentaram Francisco e Kirill, cujo encontro foi o primeiro entre dois líderes das Igrejas desde o cisma entre cristãos do Ocidente e do Oriente, em 1054.

Na declaração, que os dois assinaram na presença do presidente cubano, Raúl Castro, que atuou como anfitrião e facilitador do encontro, os líderes religiosos também condenaram a violência que tem custado “milhares de vidas” no Iraque e na Síria, “deixando sem lar e meios de vida milhões de pessoas”.

Os líderes religiosos se mostraram muito cordiais e trocaram beijos e abraços antes de se sentarem para conversar em meio a flashes e ruídos das câmeras.

“Finalmente nos encontramos. Somos irmãos”, disse Francisco, ao encontrar o patriarca russo. “Está claro que este encontro é a vontade de Deus”, acrescentou.

A reunião teve início às 14h25 locais (17h25 de Brasília).

O papa, de 79 anos, desembarcou na capital cubana por volta das 14h locais (17h de Brasília) para o encontro com Kirill, dez anos mais jovem. O patriarca russo chegou na véspera para sua visita oficial a Cuba.

O pontífice argentino ficará em Havana por três horas e, depois, segue para o México, um país castigado pela violência do narcotráfico, onde fará sua 12ª viagem apostólica. Já Kirill permanece em Cuba até o domingo, quando partirá para um giro de 11 dias por países da região. Entre eles, Brasil e Paraguai.

“Esta é uma viagem repleta de compromissos, desejada por meu irmão, Kirill, por mim e pelos mexicanos”, disse o papa aos jornalistas que viajaram com ele no avião.

Francisco foi recebido pelo presidente Raúl Castro, um ateu comunista de 84 anos, que atua como anfitrião e facilitador desta aproximação histórica no mundo cristão.

Os líderes religiosos representam 1,33 bilhão de cristãos, entre católicos (a grande maioria) e ortodoxos russos. Seu encontro tem caráter único por ser o primeiro entre os representantes das duas maiores vertentes do cristianismo desde o cisma de 1054.

Este encontro em Cuba, onde o Estado foi oficialmente ateu entre 1976 e 1992, antes de se proclamar laico, transcende o caráter religioso.

As duas grandes Igrejas cristãs veem com preocupação a violência do radicalismo islâmico e a perseguição aos cristãos, tanto católicos quanto ortodoxos, no Oriente Médio e no centro da África.

Putin nos bastidores

O encontro que o Vaticano tentou, em vão, organizar há décadas na Europa, foi cercado de grande segredo, em parte devido às resistências de alguns setores do patriarcado da Igreja ortodoxa russa, que representa 130 milhões de fiéis de um total de 250 milhões de ortodoxos.

Para muitos analistas, os vínculos estreitos entre o patriarcado e o presidente russo, Vladimir Putin, dão à reunião uma dimensão política e estratégica.

“Nos bastidores, há um terceiro protagonista, o presidente Putin”, afirma em seu blog o vaticanista Marco Politi, lembrando que Francisco recebeu o líder russo no Vaticano, duas vezes no ano passado.

“Seria uma ingenuidade pensar em que a repetida disponibilidade do patriarca não está relacionada com o papel da Rússia neste momento geopolítico”, escreveu Politi.

Na quinta-feira, Rússia e Estados Unidos acordaram uma “suspensão das hostilidades” na Síria no prazo de uma semana, com o objetivo de reativar o processo de paz e deter o deslocamento maciço de civis.

A estabilização da Síria e o freio ao terrorismo extremista são dois temas que Moscou analisa com os Estados Unidos.

Acusada durante décadas de proselitismo por parte dos ortodoxos russos, a Igreja católica tenta superar a desconfiança e evitou condenar a política intervencionista de Putin na Ucrânia. O gesto foi apreciado pela Igreja russa, mas acabou sendo criticado pelos católicos ucranianos de rito grego, que apoiam o governo de Kiev.

No México, a chaga da violência

O papa argentino prosseguiu sua viagem a bordo do avião AZ330 da Alitalia, rumo à Cidade do México, aonde chegou às 19h30 locais, após duas horas de voo.

Francisco foi recebido por milhares de pessoas com lanternas e celulares acesos.

Esta é a sétima visita de um pontífice ao México, o segundo país mais católico do mundo depois do Brasil, com 100 milhões de batizados.

O papa latino-americano, que conhece os grandes males e sofrimentos de seu continente, chega a um país sacudido pela violência. Na véspera, por exemplo, cerca de 50 detentos morreram em um motim na prisão de Monterrey.

Com sua visita de cinco dias, Francisco quer dar voz e esperança aos imigrantes, às vítimas dos bandos criminosos do narcotráfico, do tráfico ilegal, da corrupção, dos abusos e da pobreza.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Papa Francisco envia mensagem a brasileiros pela Campanha da Fraternidade 2016

Fonte: ACI Digital
O Papa Francisco enviou uma mensagem aos brasileiros por ocasião da Campanha da Fraternidade, que foi lançada nesta quarta-feira pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), em Brasília.
Neste ano, a Campanha tem por tema “Casa comum, nossa responsabilidade” e lema “Quero ver o direito brotar como fonte e a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24). É uma campanha ecumênica, sendo realizada juntamente com o Conic, e conta ainda com apoio da Misereor, iniciativa de católicos alemães que realiza a Campanha da Quaresma.
Em sua mensagem, o Santo Padre sublinha que o objetivo principal da Campanha da Fraternidade é “contribuir para que seja assegurado o direito essencial de todos ao saneamento básico”, apelando para o engajamento de todas as pessoas.
“Todos nós temos responsabilidade por nossa Casa Comum, ela envolve os governantes e toda a sociedade”, afirma o Santo Padre, ressaltando que, “por meio desta Campanha da Fraternidade, as pessoas e comunidades são convidadas a se mobilizar, a partir dos locais em que vivem” e tomar iniciativas pela “promoção da justiça e do direito ao saneamento básico”.
Citando sua encíclica Laudato Si, Francisco afirma que “o acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal, porque determina a sobrevivência das pessoas e, portanto, é condição para o exercício dos outros direitos humanos”.
O Santo Padre fala de uma ecologia integral e de uma cultura ecológica, que “não pode se limitar a respostas parciais, como se os problemas estivessem isolados”.
“Queridos irmãos e irmãs, insisto que o rico patrimônio da espiritualidade cristã pode dar uma magnífica contribuição para o esforço de renovar a humanidade”, expressa o Pontífice.
Ele ainda convida a, durante a Quaresma, “redescobrir como nossa espiritualidade se aprofunda quando superamos ‘a tentação de ser cristãos, mantendo uma prudente distância das chagas do Senhor’ e descobrimos que Jesus quer ‘que toquemos a carne sofredora dos outros’, dedicando-nos ao ‘cuidado generoso e cheio de ternura’ de nossos irmãos e irmãs e de toda a criação”.
Ao concluir, o Papa Francisco expressa sua proximidade a todos os cristãos do Brasil, enviando sua saudação, e pede que não deixem de rezar por ele.
Para saber mais sobre a Campanha da Fraternidade, acesse o site oficial:http://campanhas.cnbb.org.br/campanha/campanha-da-fraternidade-2016

Uma oferta para Jesus: a “Ficha de Vivência Quaresmal”

Fonte: Aletéia
Uma forma simples e concreta de viver a fundo esta Quaresma
Dom Henrique Soares, bispo de Palmares, Pernambuco, propõe aos fiéis católicos esta “Ficha de Vivência Quaresmal” para ser preenchida até o próximo domingo.
Depois de cumpri-la ao longo da Quaresma, cada fiel poderá oferecê-la espiritualmente como presente pessoal a Jesus Ressuscitado na Vigília Pascal.
Oração para preparar a “Ficha de Vivência Quaresmal”:
Senhor Jesus Cristo, seguindo o Teu caminho no deserto e preparando-me para celebrar dignamente a Tua Santa Páscoa, suplico o Teu misericordioso auxílio para as seguintes práticas quaresmais que me proponho fazer em Tua honra e para ser um melhor discípulo Teu:
  • Vida de oração (o que rezarei a mais durante este tempo, todos os dias):
  • Jejum e penitência (o que retirarei da minha alimentação diariamente, exceto aos domingos):
  • Esmola e obras de misericórdia (o que farei para ir ao encontro do meu próximo, praticando as obras de misericórdia corporais e espirituais):
  • Vícios a combater (quais das minhas más tendências combaterei nesta Quaresma, evitando as ocasiões, as situações e os atos):
  • Livro da Escritura para ler (que livro lerei completamente, de preferência um destes: Êxodo, Números, Deuteronômio ou a Epístola aos Romanos):
  • Leitura espiritual (também é recomendável escolher um livro para a leitura espiritual. Algumas sugestões: “Mostra-me teu Rosto” ou “O Silêncio de Maria”, de Inácio Larrañaga; “A Leitura de Deus”, de Garcia Columbás; “A Imitação de Cristo”, de Tomás de Kempis; ou a obra mística anônima “Relatos de um Peregrino Russo”):
  • Confissão sacramental (data em que a prepararei e farei):

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Dom Odilo: aborto de bebês com microcefalia é eugenia

Fonte: ACI Digital

“Se a humanidade se orientar por acolher, por privilegiar somente os que são saudáveis, fortes e poderosos, nós estaremos nos encaminhando para uma sociedade que se orienta pela eugenia”, foram as palavras ditas pelo Arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Scherer, em entrevista à BBC Brasil sobre o aborto em casos de microcefalia, que poderiam estar relacionados à epidemia de Zika vírus.

Dom Odilo explicou que “a lei da eugenia manda eliminar”. Segundo ele, “essa forma de raciocinar em relação ao ser humano é absolutamente indigna na civilização”.

“A questão é essa: vamos eliminar o bebê?”, pontuou o Purpurado, indicando que o aborto não deve ser visto como uma solução.

“Acho que nesse caso, à mulher que tem a certeza de que está gerando um bebê que vai ter microcefalia, eu diria ‘prepare-se para ter esse bebê’”, afirmou, ao acrescentar que essa criança deve ser acolhida e a família precisa encarar como uma missão o seu acompanhamento e cuidado.

Por outro lado, em vídeo editado da entrevista disponibilizado pelo site da BBC Brasil, o Cardeal também é questionado sobre a prevenção da gravidez, ao que responde que os casais sabem como fazê-la.

“A pessoa tem que assumir a responsabilidade, não jogar essa responsabilidade: o Estado permite ou a Igreja permite. Se toma a decisão de usar (contraceptivos), então, assuma a responsabilidade desse uso e dê conta dessa responsabilidade”, disse o Cardeal, que também completou: “Evidentemente que a Igreja coloca referências, mas também diz: ‘agora você decide e sua decisão empenha a sua responsabilidade pessoal”.

Tal responsabilidade vai ao encontro do que diz o Catecismo da Igreja Católica, em seu parágrafo 2370:

“A continência periódica, os métodos de regulação dos nascimentos baseados na auto-observação e no recurso aos períodos infecundos são conformes aos critérios objetivos da moralidade. Estes métodos respeitam o corpo dos esposos, estimulam a ternura entre eles e favorecem a educação duma liberdade autêntica. Em contrapartida, é intrinsecamente má ‘qualquer ação que, quer em previsão do ato conjugal, quer durante a sua realização, quer no desenrolar das suas consequências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação’”.

Microcefalia e eugenia

Diante das discussões acerca do aborto de bebês com microcefalia, artigo publicado no site do Padre Paulo Ricardo, conhecido por sua luta pró-vida, reafirma a relação do caso com a eugenia e recorda que também na Alemanha nazista esta foi uma prática do programa de “extermínio de crianças deficientes”, o qual, mais tarde, se estendeu também aos adultos.

“Fora ou dentro do útero, no entanto, meses ou anos depois da concepção, são realidades meramente circunstanciais. Nada disso muda a essência do que os promotores do aborto, aproveitando-se do pânico gerado em torno do Zika vírus, pretendem advogar junto ao Supremo Tribunal Federal: a ideia de que alguns seres humanos são mais dignos de viver do que outros”, observa o texto.

O artigo sublinha que o caso em questão é claramente eugenia e que “dar um novo nome às coisas não altera a sua substância, pelo que ‘saúde reprodutiva’, ‘direito de escolha’ e ‘controle de natalidade’ não passam de eufemismos construídos para disfarçar a realidade”.

Conforme indica, porém, a essência dessa forma de pensamento “não está por trás só do pedido do aborto de microcefálicos, mas de todo o movimento pela legalização do aborto”, pois os defensores dessa causa, na verdade, buscam “o aborto total, sem exceções”.

Com isso, ressalta que, “na verdade, quem está ameaçado em seu direito à vida são todos os nascituros, portadores ou não de microcefalia, sem ou com deficiência”.