quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Três testes para viver conectado sem perder a paz

Fonte: Aleteia

Ultimamente, tenho pensado muito no tema dos celulares e da internet, das redes sociais e dessa necessidade do homem moderno de estar continuamente conectado. E vejo que o celular está tão presente na minha rotina, que é difícil pará-lo.

Na minha geração, não havia celulares quando éramos jovens. Só podíamos falar usando um telefone conectado a um fio. As mensagens tinham tinta e papel e demoravam muito para sair e para chegar. Ter muitos amigos não era possível, porque não tínhamos tanto acesso a gente diferente.
Nos nossos aniversários, só alguns nos davam os parabéns, pessoalmente ou por carta. Por outro lado, também não era preciso lembrar de todo mundo e dar os parabéns a todos. Não mantínhamos contato assíduo com tanta gente.

Uma ligação internacional era muito cara, sobretudo a partir do terceiro minuto.

Ninguém, ao enviar uma carta, esperava uma resposta imediata. Não havia forma de saber se a pessoa havia lido ou não. E, se você fosse chegar tarde a um encontro, não havia maneira de avisar.

Você não ia para a cama com o telefone fixo. Saía para passear totalmente sem comunicação. E ninguém tinha como localizar você. Era tudo mais complicado.

Acostumar-se com a tecnologia requer tempo. De repente, carregamos um computador no bolso, que continuamente emite sinais e nos convida a estar em comunicação. E nos assusta parar de usá-lo.

Perdemos certa capacidade de isolamento. Qualquer um pode nos encontrar. E agora é mais difícil concentrar-nos em nossos pensamentos, ou simplesmente olhar para as estrelas, sonhar acordados, sem interferências. Como é difícil trabalhar ou estudar com o celular perto!

Definitivamente, não queremos voltar ao passado. Nem podemos. Mas podemos aprender a viver conectados, localizados, como muitos amigos, mais relacionamentos.

Podemos aprender a conviver com isso. Saber fazer silêncio em meio ao barulho. Paz e solidão em meio ao ruído dos vínculos.

Apresento três sugestões simples, que podem servir também como teste ou desafio para quem quiser aprender a lidar melhor com atecnologia, sem ser refém dela:

1. Ignorar as mensagens urgentes que pedem resposta imediata. Deixar, de vez em quando, algumas mensagens sem responder, sem peso na consciência. Aceitar que é impossível responder a todas as expectativas que as redes sociais criam.

2. Não nos deixar levar por essa dependência das novidades, das últimas notícias.

3. Descansar em uma pedra do caminho sem pensar em nada. Ficar tranquilos de vez em quando, se um celular na mão. Sair na rua sem telefone, só para fazer um teste e comprovar se o mundo continua funcionando bem sem a minha presença.

Vantagens e perigos

Toda esta reflexão me oferece mais perguntas que respostas. Vejo muitas vantagens em tudo o que está ao nosso alcance agora.

Podemos cuidar melhor dos que estão longe e manter relações que antes morriam por inanição. Estamos por dentro do que acontece no mundo e isso nos mantém vivos. Compartilhamos nossa vida e isso enriquece outros. São vantagens incríveis que nos fazem crescer.

Mas também há perigos. Podemos secar. Como em toda dependência, podemos perder liberdade. Tendo a cabeça inclinada todos os dias, podemos deixar de olhar para cima, abertos aos imprevistos.

Corremos o risco de descuidar precisamente dos que estão mais perto, da nossa família, daqueles de quem poderíamos cuidar simplesmente conversando um pouco. O telefone pode nos isolar e afastar-nos dos que vivem ao nosso lado.

Podemos deixar de falar com Deus. E esquecer o que significa estar realmente a sós com Ele.

Por que devemos aprender a silenciar

Fonte: Blog Felipe de Aquino
“Há quem se cala por não saber falar, e há quem se cala porque reconhece quando é tempo de falar”(Eclo 20,6)

Note como Deus fez a natureza silenciosa, calma e produtiva. Não sentimos e nem vemos a planta crescer, mas cresce sem cessar, no silêncio. Uma floresta inteira cresce sem fazer barulho. É no silêncio que a natureza produz suas maravilhas: a flor que se abre, a borboleta que deixa o casulo, a fruta que amadurece, a criança que se desenvolve, as trilhões de estrelas que brilham… A natureza não tem pressa.
Tudo acontece no silêncio, como numa bela sinfonia. É por causa do silêncio que tudo existe: a música surge do silêncio; a arte nasce dele; a inspiração, a poesia e a bela música, surgem no silêncio; nós a escutamos porque fazemos silêncio; e ela vai além de nós. Onde cessa a fala começa a música.
Quem se arrisca a falar sem aprender no silêncio, se arrisca a ensinar coisas erradas. O autor da “Imitação de Cristo”, o monge Thomas de Kemphis, disse que “ninguém fala com segurança, senão quem sabe se calar.” A sabedoria nos vem da meditação e da oração, e essas duas realidades só podem acontecer no silêncio. O silêncio dos homens às vezes está mais perto da verdade do que suas palavras.
Os homens se gastam tanto em palavras que não entendem o silêncio de Deus. Ele fala no silêncio. É na medida que a alma recebe no silêncio, que ela dá na atividade. Madre Teresa de Calcutá disse que: “Quanto mais recebermos do silêncio da oração, mas nos entregamos a uma vida ativa. Temos necessidade do silêncio para tocar as almas.”
O religioso que não aprendeu a silenciar, meditar e rezar, acaba caindo no ativismo doentio e frustrante. Ele pode até semear com abundância, mas a semente é estéril, não germina.
É tão rara a paz divina nos corações dos homens porque não sabem encontrar-se com Deus na própria alma, em silêncio. E ninguém toca os corações dos homens e enriquecê-los, sem primeiro abastecer-se a si mesmo, por uma vida interior em Deus, no silêncio. Para serem ajudados espiritualmente, os homens não precisam de simples homens, mas de “homens de Deus”. Somente aqueles que são fortes pelo contato com o “Hóspede da alma”, podem ir sem receio e firmes ao encontro das criaturas para socorrê-las, nos ensina Raul Plus.
Jorge Duhamel queria criar o “Parque nacional do silêncio”. Infelizmente nossa era de máquinas não nos deixa apreciar o silêncio, e nosso coração fica cansado porque não entra em si mesmo.
O amor se exprime mais pelo silêncio do que pelas palavras. É sabedoria saber se calar até o tempo certo de falar. André Maurois disse que os homens temem o silêncio como temem a solidão, porque ambos lhes dão uma visão do terrível vazio da vida. Mas esse vazio só pode ser preenchido, quando, no silêncio e na meditação, encontramos a sua causa e nos fortalecemos para superá-lo. Ele é o remédio que o homem moderno não compra nas farmácias.
Muitos se agitam no mundo e quebram o precioso silêncio. Pois bem, há um provérbio alemão que diz que: “A melhor resposta à cólera é o silêncio”. Voltaire avisava aos cortesãos do rei francês que, “na corte, a arte mais importante não é a de falar bem, mas a de saber calar-se.”
O fato do silêncio ser de ouro explica porque ele é tão raro. A Palavra de Deus diz que: “Há quem se cala por não saber falar, e há quem se cala porque reconhece quando é tempo de falar”(Eclo 20,6).
Ghandi ensinava que o silêncio faz parte da disciplina espiritual de um seguidor da verdade. “Sinto-me como se tivesse sido feito para o silêncio”, dizia. Alguém observando um surdo-mudo disse que ao lado dele é que se percebe como são poucas as palavras que merecem ser ditas.
Prof. Felipe Aquino

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Advento: novo despertar

Fonte: Catequese hoje

“Para que não suceda que, vindo de repente, ele vos encontre dormindo” (Mc 13,36) 

Estamos iniciando um Novo Ano litúrgico. Começamos com o Advento, que não é somente um tempo litúrgico, mas toda uma atitude vital que atravessa toda nossa existência. Sempre há o risco de vivê-lo como “mera repetição”, como um “tempo parecido” com o tempo anterior.
Não entenderemos a mensagem de Jesus se ela não nos motiva a viver em continuo e criativo Advento. Cada Advento é único e original, pois já não somos mais os mesmos: passamos por contínuas mudanças, amadurecemos mais, estamos vivendo problemas e desafios diferentes, acumulamos experiências... Deus também não se repete; Ele se aproxima de cada um de nós com um novo olhar e um novo apelo. Ele quer suscitar vibrações novas em nossas vidas e sua Presença instigante desperta em nós o grande desejo de entrar em sintonia com o Seu coração. Novo tempo, que pede de nós amplitude de visão e sensibilidade. 
“Ficai despertos!” “Vigiai!” “Tende os olhos abertos!”: são apelos para o início deste Advento. A chave do relato do Evangelho de hoje está na atitude dos servos. Para provocar essa atitude, Jesus nos fala da chegada inesperada do dono da casa. Deus é Aquele que sempre está vindo. Ele é “o que vem”. Se passamos a vida adormecidos, nada acontece. Isto é o que deveria nos dar medo: poder transcorrer nossa existência sem ativar as possibilidades de plenitude que nos foram dadas. Mas não basta ter os olhos abertos; é preciso ampliar a visão para além de nossos pequenos interesses e preocupações; precisamos também de mais luz. 
Despertar é simplesmente abrir nossos olhos, cada dia, à luz que provém de Deus e confiar que tal luz transforme nossa maneira de ver; é preciso deixar que esta luz ilumine nossas sombras interiores, desvelando e trazendo à tona nossas aspirações e esperanças mais duradouras. Abrir os olhos à luz de Deus e escutar atônitos, fascinados, a voz divina que cada dia ressoa em nosso interior. Trata-se de estar despertos para assumir a vida com uma consciência lúcida. O amor, a inspiração, a vida, nos movem por dentro. Tudo o que esperamos já temos dentro de nós. Um dinamismo misterioso nos abre e nos atrai, nos impulsiona a ser, a viver. Basta “destravar” este impulso e nos deixemos levar.
Advento é tempo que nos convida a abrir os corações, escutar o Espírito e pôr-se a caminho, enquanto “a luz da vida” nos ilumina. 
É preciso despertar e ativar um fogo novo em nosso interior; há algo importante, essencial na vida humana que ainda está adormecido; há uma dimensão existencial profunda onde é cada vez mais difícil a inteligência e a vontade terem acesso.
Hoje o ser humano está desperto por fora, mas por dentro revela um coração descontrolado, sacudido entre forças de gravidade que ora o arrastam para o exterior, o imediato e a superficialidade, ora despertam a experiência de um desejo interior com uma forte nostalgia de vida, de paz, de plenitude...
A humanidade quer viver. O coração humano precisa escutar este desejo, não só como sede de terra seca, mas como uma palavra de vida, como o rumor de uma fonte de água viva. Talvez ele precise colocar outro ritmo em sua existência, que lhe permita estar atento e à escuta das surpresas que a vida desvela. 
O Advento constitui também um tempo habitado; é um tempo de espera, de paciência, de confiança em Deus que não só se revela na história, mas também na temporalidade. Deus é o que marca o ritmo do tempo, é Aquele que tem a iniciativa. Ao ser humano lhe corresponde estar atento aos movimentos do Espírito e dos acontecimentos. Mas é um tempo de espera ativa.
Acolher os momentos de Deus é estar preparado para o mais “inesperado”.
A dinâmica da espera inclui a surpresa. Esta certeza forma parte central da experiência da fé. Brota uma certeza: o esperado, quando chega, ultrapassa sempre o que se espera. Pede ser esperado em gratuidade, sem pressas, sem ansiedade, porque sabe que tudo é dom e graça. 
Esperar é uma forma de viver. Esperar é ser fiel ao dinamismo profundo da vida, deixar-se levar simplesmente pelo Espírito que nos habita, o Espírito que tudo une e liberta, que tudo move e atrai. A espera, quando é carregada de amor e presença, faz crescer e conhecer regiões do coração até então desconhecidas e inexploradas. 
“Despertar” também nos abre a uma sintonia, a uma relação profunda, com o universo que nos envolve, com os outros com quem convivemos, com o Criador que tudo sustenta. Poderíamos nos perguntar: o quê nos pede Deus em cada acontecimento e em cada situação da vida. 
Esta é a maneira de entender e viver uma espiritualidade aberta a um “Deus sempre surpreendente”, sempre novo. Um Deus de quem tudo procede, que habita nas criaturas, que trabalha por nós, que desce às nossas vidas e aos nossos tempos. Isto é contemplação, e que faz toda a diferença: talvez não transforme de imediato as dificuldades, os desafios, uma situação dura, mas, pode sim mudar a textura de nossos corações, a qualidade de nossas respostas, a profundidade de nossos sentimentos e pensamentos.
O tempo do Advento nos oferece uma oportunidade única de aprender a esperar e fazer da esperança nossa condição existencial. Somos, na medida que esperamos. Somos aquilo que esperamos ser. Por isso, o Advento pede vincular esperança e responsabilidade, justamente para dar mais consistência humana e maior sentido a esse futuro que está aberto à nossa frente, carregado de motivações e inspirações.
O ser humano pode esperar o que quiser, mas não pode esperar qualquer coisa. É preciso ter os olhos bem abertos para “ver” e acolher o que acontece ao nosso redor: as alegrias e os sofrimentos daqueles que nos cercam, as esperanças dos povos que estão mais além de nossas fronteiras, muitas vezes em situações dramáticas, os sonhos de tantos que buscam um mundo mais fraterno, livre e justo... 
Viver conectados, em redes, unidos, entrelaçados, para potenciar a esperança e a vigília, iluminando-nos uns aos outros, despertando sonhos e buscando soluções alternativas, ressuscitando as aspirações profundas, vivendo continuamente comprometidos com outro mundo mais fraterno e justo. Vigiemos, observemos, abramos os olhos a “outra realidade” que já está presente nas entranhas da nossa própria cotidianidade. Advento é indicar e ativar a “nova vida” que quer se fazer visível. 
O dia esperado está começando. Estamos apenas na aurora, mas os primeiros raios trazem a suavidade que enche o nosso coração. Resta-nos a esperança; com ela, damo-nos as mãos, colocamo-nos a caminho. Como Maria, tenda humilde do Verbo, podemos nos converter em pessoas de esperança, abertas à novidade do Espírito, que espreita oculto nas dobras de nossa história. Podemos chegar a ser sentinelas do amanhã.

Texto bíblico: Mc 13,33-37 

Na oração: o que o faz permanecer adormecido, alienado da realidade e incapaz de “ler” os sinais d’Aquele que vem vindo? 

Como se situa diante dos desafios que você é chamado a enfrentar? Não se sente cansado, desanimado ou sem esperança por já ter vivido tantas mudanças? Ou talvez desanimado porque as coisas não aconteceram como havia previsto? Ou, ao contrário, cheio de energia, entusiasmado por ser protagonista de uma época considerada de graça e de bênção?

Pe. Adroaldo Palaoro sj - Diretor do Centro de Espiritualidade Inaciana - CEI

domingo, 30 de novembro de 2014

Que maravilhoso e belo é o tempo do Advento!

Fonte: O Fiel Católico

O TEMPO DO ADVENTO começa com as vésperas do domingo mais próximo ao 30 de novembro e termina antes das vésperas do Natal. Para os cristãos, é um tempo de preparação, de expectativa e alegria, em que os fiéis, esperando o Nascimento do Salvador do Mundo, vivem o arrependimento, com penitência (para nos tirar do nosso sonambulismo do pecado e fazer nascer em nós a verdadeira esperança) e promovem a fraternidade e a paz. A palavra advento, do latim Adventus, do verbo advenire, significa vinda, chegada, começo, início, princípio. Os dias que vão de 16 a 24 de dezembro (Novena de Natal) são para nos prepararmos mais especificamente para a grande Festa do Natal do Senhor.

Com o Advento, a Igreja inicia o novo Ano Litúrgico. Esse tempo litúrgico possui dupla característica: é um tempo de preparação para as solenidades do Natal, em que se comemora a Primeira Vinda do Filho de Deus entre os homens, e também um tempo em que, por meio desta lembrança, voltam-se os corações para a expectativa da Segunda Vinda do Cristo no fim dos tempos. Por este duplo motivo, o Tempo do Advento se apresenta como um tempo de piedosa e alegre expectativa.

O Advento é, portanto, um tempo especial para que façamos uma séria e profunda revisão sobre nossa vida pessoal e também sobre o mundo em que vivemos. É um momento privilegiado para averiguarmos se a Semente de Amor lançada por Jesus Cristo no coração dos homens está nascendo e frutificando.

O Natal é uma celebração que nos transmite profundas verdades de vida. Ao contemplarmos a gruta de Belém, descobrimos o imenso Amor de Deus, – Criador e Todo-Poderoso, Alfa e Ômega, Princípio e Fim de todas as coisas, – que se presta a assumir nossa mísera condição humana e vir ao mundo, sob a frágil forma de uma criança, para nos salvar. É Deus que se humaniza para divinizar o homem.

Celebrar o Natal é descobrir, na pequenez e na pobreza do Presépio, a Grandeza e a Riqueza do Amor divino. É perceber a lição de humildade radical que o Cristo veio nos ensinar. É optar pelo Caminho que Ele veio nos mostrar, Caminho que, em última análise, é Ele próprio. É acolher com total sinceridade e abertura a este Deus – que é, ao mesmo tempo, infinito em grandeza e pequenino; majestoso e tão humilde, – no mais profundo de nossas almas, corações e mentes, juntamente com as verdades que Ele veio nos comunicar, vivendo-as no nosso cotidiano. Isto inevitavelmente nos tornará seres humanos melhores, mais amorosos e um pouco mais plenos a cada dia. É assumir compromisso com os princípios e causas do Evangelho, lutando em defesa da vida, ao lado dos que sofrem, proclamando sem medo as verdades eternas, como fizeram os primeiros cristãos. É ser reflexo de Jesus neste mundo de dores, incompreensões e dificuldades.

Os cristãos devem celebrar o Natal com tal espírito. E é por ser uma comemoração tão importante que se faz necessário que nos preparemos bem; – é esta a finalidade do Tempo do Advento.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Nossa Senhora das Graças, rogai por nós

Felipe de Aquino
Hoje é dia de Nossa Senhora das Graças!
Nossa Senhora foi a única criatura que nunca ofendeu a Deus, por isso o Anjo a chama de “cheia de Graça”; assim, ela encanta o coração de Deus e Este lhe atende todas as súplicas como nos mostra as Bodas de Caná da Galileia. Se os nossos pecados dificultam a nossa comunhão com Deus e nos impedem de obter suas graças, isto não ocorre com Nossa Senhora, então, como boa Mãe, ela se põe como nossa magnífica intercessora.
Mais do que em outros dias, hoje é dia de Graças; peça tudo o que desejar a Nossa Senhora das Graças e já comece a agradecer; pois, se for para o seu bem, Deus lhe concederá pelas mãos benditas de Sua Mãe querida. Afinal, ela é a Filha predileta do Pai, a Esposa bendita do Espírito Santo e a Mãe Santa do Filho de Deus.
O que ela não consegue de Deus?

sábado, 22 de novembro de 2014

Festa de Cristo Rei

Dom Alberto Corrêa Taveira
Arcebispo de Belém do Pará

As estruturas de poder estão presentes em cada canto do mundo, lutam por elas as pessoas através de eleições, sucessão, golpes ou tramoias. Alguém vai sempre exercer o poder, e sua dinâmica conduz o mundo para frente ou para trás, podendo inclusive levar a enormes desastres. Gente de todas as idades acaba assistindo filmes ou espetáculos, retratos do quotidiano, que reportam as lutas pelo domínio de fatias da vida social, tomam partido, torcem pela parte que lhes é simpática e tantas vezes aplaudem a derrota ou morte de pessoas e grupos. No correr da história alternam-se os poderosos, utiliza-se o poder que, em princípio, deveria emanar do povo, manipulam-se as massas e as esperanças se acendem ou se apagam segundo as tendências de cada época.
É neste mundo, carregado de conflitos e lutas, que alguns até já consideraram indispensáveis para chegar à solução dos grandes problemas da sociedade, que a Palavra de Deus anuncia uma realidade chamada "Reino". A história do Povo de Deus no Antigo Testamento foi também acompanhada pela constituição de reino e reinos, lutas pelo poder, desastres e esperanças. Invasões, exílios, domínio de potências estrangeiras, tudo fez parte da história que se fez sagrada porque conduzida pelo amor do próprio Deus, Senhor desta história, que misteriosamente conduz os acontecimentos.
Mesmo apanhando e sofrendo muito, aquele povo tinha como ponto de honra a escolha feita por Deus. Diante de todas as forças, havia uma certeza: "Tu, porém, Israel, és o meu servo, foste tu, Jacó, a quem eu escolhi, descendência de Abraão, meu amigo! Lá num canto do mundo eu te dei a mão, eu te chamei lá dos confins da terra. Eu te disse: Tu és o meu servo. Eu te escolhi e não te deixei. Não tenhas medo, que eu estou contigo. Não te assustes, que sou o teu Deus. Eu te dou coragem, sim, eu te ajudo. Sim, eu te seguro com minha mão vitoriosa. Ficarão envergonhados e desapontados todos os que têm raiva de ti. Ficarão como nada e destruídos os que quiserem lutar contra ti. Vais procurar sem nunca encontrar quem queira combater contra ti. Os que quiserem te armar guerra, serão como o vazio e o nada. Isso, porque eu sou o Senhor, o teu Deus, eu te pego pela mão e digo: Não temas, que eu te ajudarei. Não tenhas medo, vermezinho Jacó, não te assustes, Israel, mísero inseto! Eu te ajudarei” – oráculo do Senhor, que é o teu Libertador, o Santo de Israel" (Is 41, 8-14).

Na voz dos profetas acendeu-se a esperança de que seriam cumpridas as promessas com a chegada do Messias, enviado de Deus, a quem caberia restaurar o Reino. Muitos desanimaram, mas permaneceu um "resto" fiel, gente de fibra, que tinha a certeza da fidelidade de Deus e passava às sucessivas gerações a mesma esperança.

E as promessas se cumpriram, mas do jeito de Deus, quando muitos até projetavam a realização do Reino modo muito parecido com os reinos, exércitos e conquistas conhecidos! De repente, aparece Jesus, com o rosto da simplicidade e da pobreza. É chamado nazareno, por ter vivido num lugar de gente briguenta, de onde não se esperava nada de bom (Cf. Jo 1, 46). Reúne discípulos que certamente não faziam parte do melhor que pudesse existir na sociedade do tempo. Atrás dele vão doentes, pecadores, escória da população, e ninguém passa em vão ao seu lado. Entra em casa de todos, maus e bons, ricos e pobres. Multidões acorrem a ele e a esperança se acende. Mostra-se apaixonado pelo Reino de Deus e quer anunciá-lo. Para que os simples o compreendam, utiliza parábolas, histórias do cotidiano, tiradas do grande livro da vida. Convida as pessoas a descobrirem o mistério do Reino, presente e ao mesmo tempo escondido, que não impõe, mas está bem perto, mora ao lado das pessoas. O próprio Jesus é o Reino de Deus presente e a adesão à sua pessoa significa entrar e viver no Reino. O Reino de Deus está no meio das pessoas (Cf. Lc 17, 21). Seu trono é a Cruz, prova definitiva e plena de amor, com a qual a morte é vencida e a vida resplandece na Ressurreição do Senhor e as portas se abrem para todos.

O Reino de Deus não chega pela força, mas exige o uso do precioso dom da liberdade. Diante dele há que se tomar uma decisão: "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo" (Mt 6, 33). E buscá-lo é optar por valores que significam caminhar contra a correnteza da avassaladora luta pelo poder, presente no mundo e dentro de cada pessoa. Uma das escolhas se chama "serviço" (Cf. Mc 10, 45), buscar não o domínio sobre os outros, mas exercitar a disponibilidade para construir o bem das pessoas. Quer dizer converter-se a cada dia, frente às responsabilidades pessoais, especialmente as que significam poder sobre quem quer que seja. Outro passo é a confiança na Providência Divina, pois o mundo não foi abandonado por quem o criou, mas é misteriosamente guardado e acompanhado pelo Senhor, que sabe conduzir tudo para o bem.

Acreditar no Reino de Deus é decidir-se a contribuir pela sua implantação e exige uma sensibilidade especial em relação às pessoas, como se expressa o Senhor na Parábola do Juízo final. Ver alguém com fome e dar de comer, com sede e dar de beber; receber em casa o forasteiro, vestir quem está nu, cuidar dos doentes e visitar os presos. São situações tão concretas e humanas, que dizem respeito justamente ao Reino de Deus. Não se trata de sonhar com alguma manifestação gloriosa do Senhor, mas apenas reconhecer sua presença. Ele como que se esconde atrás de cada pessoa humana. O Reino se faz presente a cada momento. Acreditar nele é viver bem o dia a dia e não fugir das responsabilidades. Deus entrou na vida humana de forma irreversível, para que cada ato de amor humano introduza a humanidade nas realidades da eternidade.

Na Solenidade de Cristo Rei do Universo, abram-se as portas para que todos se sintam acolhidos e bem recebidos. É o que a Igreja suplica: Deus eterno e todo-poderoso, que dispusestes restaurar todas as coisas no vosso amado Filho, rei do universo, fazei que todas as criaturas, libertas da escravidão e servindo à vossa majestade, vos glorifiquem eternamente. Amém.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Papa manda instalar chuveiros para moradores de rua em Roma

O Papa Francisco mandou instalar chuveiros em uma área da Praça de São Pedro para que os moradores de rua que circulam nos arredores do Vaticano possam ter onde se lavar.
A decisão foi tomada depois que um colaborador do Papa, Dom Konrad Krajewski, convidou um mendigo para jantar, no início de outubro. O convidado, um senhor italiano chamado Franco, que completaria 50 anos naquele dia, disse que não poderia ir porque estava com mau cheiro e não tinha onde tomar banho.
Então o colaborador do Papa mandou reformar os banheiros destinados aos turistas, posicionados na colunata de Bernini, na Praça de São Pedro, para que três deles tenham chuveiro. As reformas iniciam na próxima semana.
E a medida não para por aí. As paróquias de Roma mais frequentadas por moradores de rua também foram convidadas a fazer o mesmo.
Dom Krajewski responde àqueles que se incomodam com a presença dos mendigos: “a Basílica existe para custodiar o Corpo de Cristo e nos pobres nós servimos o corpo sofredor de Jesus. Desde sempre, na história de Roma, os pobres se reúnem em volta das basílicas”.
No dia do aniversário daquele morador de rua, o senhor Franco, Dom Krajewski insistiu no convite e conseguiu levá-lo para jantar e celebrar o seu dia.

Aborto e eutanásia, pecados contra o Criador

Fonte: Aleteia

O Papa Francisco recebeu os médicos católicos nesse sábado e pronunciou um dos discursos mais fortes de seu pontificado, denunciando a reprodução assistida, o aborto e a eutanásia como expressões de uma cultura que joga e experimenta com a vida, especialmente com a mais fraca e indefesa.
A defesa da vida humana, disso o Papa, “envolve profundamente a missão da Igreja”. Essa não pode renunciar “a participar do debate que tem como objeto a vida humana, apresentando a própria proposta fundada sobre o Evangelho”. Esta proposta é contrária hoje, porque para muitos “a qualidade da vida está ligada principalmente às possibilidades econômicas, ao ‘bem-estar’, à beleza e à apreciação da vida física, esquecendo outras dimensões mais profundas - relacionais, espirituais e religiosas - da existência”. Trata-se de um grave erro, porque “à luz da fé e da reta razão, a vida humana é sempre sagrada e sempre ‘de qualidade’. Não existe uma vida humana mais sagrada do que a outra, como não há uma vida humana qualitativamente mais significativa que outra”. Sobretudo os médicos devem relembrar que “a vida humana é sempre sagrada, válida e inviolável, e como tal deve ser amada, defendida e cuidada”. E os médicos católicos devem respeitar “o ensinamento do Magistério da Igreja no campo médico-moral”.
Concretamente, hoje, os médicos católicos se encontram diante de desafios e problemas de consciência em temas sobretudo de reprodução assistida, aborto e eutanásia “O pensamento dominante propõe às vezes uma ‘falsa compaixão’": seria uma ajuda à mulher favorecer o aborto, um ato de dignidade procurar a eutanásia, uma conquista científica ‘produzir’ um filho, considerado como um direito ao invés de acolhê-lo como dom; ou usar vidas humanas como cobaias de laboratório para salvar, supostamente, outras. Diante destes desafios, “a fidelidade ao Evangelho da vida e ao respeito da mesma como dom de Deus, às vezes requer escolhas corajosas e contra a corrente que, em particulares circunstâncias, podem acrescentar a objeção de consciência”. 
A grande tentação hoje, disse o Papa, é “experimentar com a vida”. Mas fazer esses tipos de experimento com a vida é mau. "‘Fazer’ filhos ao invés de acolhê-los como dom. Brincar com a vida. Estejam atentos! Que isto é um pecado contra o Criador: contra Deus Criador, que criou as coisas”. 
O Papa Francisco lembrou a objeção segundo a qual estes são temas religiosos, e a Igreja não deveria interferir com as leis dos Estados, nem poderia impor a sua doutrina aos não católicos. “Não - disse o Papa - não é um problema religioso” e nem mesmo “um problema filosófico. É um problema científico, porque ali existe uma vida humana e não é lícito fazer uma vida humana para resolver um problema. ‘Mas, escuta, no pensamento antigo, no pensamento moderno, a palavra matar significa o mesmo!’. O mesmo vale para a eutanásia: todos sabemos que com tantos anciãos, nesta cultura do descarte, se faz esta eutanásia de maneira escondida. Mas existe também outra. E isto é dizer a Deus: ‘Não, o fim da vida faço eu, como quero’. Pecado contra Deus Criador. Pensem bem nisso”. Um convite voltado aos médicos, aos políticos e também a qualquer católico com as ideias pouco claras.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Dez Ensinamentos de São Tomás de Aquino

Fonte: Blog Felipe de Aquino

1. Levar os homens à verdade é o maior benefício que se pode prestar aos outros.

2. A santidade não consiste em saber muito, meditar muito, pensar muito. O grande mistério da santidade é amar muito.

3. Quanto mais um ser se afasta de Deus mais ele aproxima do nada. Mas quanto mais ele se aproxima de Deus, tanto mais se distancia do nada.

4. Paciente não é aquele que não vê o mal, mas quem não se deixa dominar pela tristeza.
5. Nunca toques numa ferida que não possas curá-la.

6. A oração dominical ( Pai-Nosso) é a mais perfeita das orações. Nela não só pedimos tudo quanto podemos desejar corretamente, mas ainda segundo a ordem em que convém desejá-lo. De modo que esta oração, não só nos ensina a pedir, mas ordena também todos os nossos afetos.

7. A esperança cristã é a espera certa da felicidade eterna.

8. A oração é necessária não para que Deus conheça as nossas necessidades, mas para que nós fiquemos conhecendo a necessidade que temos de recorrer a Deus, para receber oportunamente os socorros da salvação.

9. O bem de Cristo é comunicado a todos os membros, e essa comunicação se faz através dos sacramentos da Igreja.

10. Não ponhas em dúvida se é ou não verdade, aceita com fé as palavras do Senhor, porque ele, que é a verdade, não mente.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Santo Sudário é “catequese vivente que só a fé explica”

ACI Digital
O Custódio Pontifício do Sudário de Turim, o Arcebispo italiano Cesare Nosiglia, afirmou que o Santo Sudário que, segundo a tradição, foi o pano que envolveu o corpo de Jesus Cristo depois de sua paixão, é uma catequese vivente sobre a fé.
O Arcebispo de Turim apresentou na Sala de Imprensa da Santa Sé a nova exposição do Santo Sudário, que acontecerá no próximo ano, entre dos dias 19 de abril e 24 de junho sob o lema “O Amor maior”.
Em uma entrevista concedida ao Grupo ACI, Dom Nosiglia assegurou que “todo aquele que vem para rezar e para vê-lo, sai impressionado. Tenho certeza de que isso acontece porque é Deus quem olha para eles, quem os chama, há uma mensagem que chega ao coração e à consciência… este sudário é uma catequese vivente que só a fé explica”.
O Prelado afirma que o Santo Sudário descreve perfeitamente a paixão de Jesus narrada pelos Evangelhos. “Encontramos os sinais do Senhor martirizado no Sudário, desde o rosto até a coroa de espinhos, a flagelação em todo o corpo, tanto nas costas como no resto do corpo… depois de tantas investigações que foram feitas e ainda há por fazer”.
“Ninguém conseguiu até agora dar uma resposta que defenda uma posição, só a fé dá a possibilidade de acolher esta realidade da paixão do Senhor, é o Evangelho apresentado em sua realidade crua, mas também em sua beleza e sua profundidade”, disse.
Em 5 de novembro, ao final da Audiência Geral na Praça São Pedro, o Papa Francisco anunciou que visitará Turim (Itália), no dia 21 de junho de 2015 para venerar o Santo Sudário.
Na arquidiocese italiana já começaram os preparativos. “Esperamos que o Papa nos confirme na fé, precisamos de uma injeção de fé em um mundo cada vez mais afastado do evangelho e da tradição cristã. Com a fé em Jesus podemos redescobrir o sentido da humanidade e a sua plenitude”, assinalou Dom Nosiglia.
O Papa Francisco enviou no dia 30 de março de 2013 uma mensagem por ocasião da exposição televisiva do Santo Sudário na Itália, onde animou a deixar-nos olhar pelo homem do Sudário como uma realidade que nos questiona até o mais profundo do coração.
“Este rosto tem os olhos fechados, é o rosto de um defunto e, entretanto, misteriosamente nos olha e, no silêncio, nos fala. Como isso é possível? Como é possível que o povo fiel, como vós, queira parar diante deste ícone de um homem flagelado e crucificado?”
“Esta imagem –gravada no tecido– fala ao nosso coração e nos leva a subir o monte do Calvário, a olhar o madeiro da cruz, a submergir-nos no silêncio eloquente do amor”, expressou o Santo Padre.
Segundo a história da Igreja, os primeiros cristãos levaram consigo o Santo Sudário para preservá-lo da perseguição. Desde Jerusalém e ao longo dos séculos, o Sudário passou por Edesa, Constantinopla, Atenas, Lirey, Chambery e finalmente, chegou a Turim, onde hoje em dia, foi objeto de numerosas pesquisas.
As pesquisas demonstram que este percurso descrito pela história coincide com a procedência dos 57 tipos de pólen que estão incrustados no tecido.