terça-feira, 22 de outubro de 2013

A fé pode aumentar ou se perder

A Fé pode aumentar, a Fé pode diminuir e se perder. A Fé, consistindo essencialmente na adesão de nosso espírito à verdade revelada, aumenta ou diminui segundo seja a adesão mais ou menos firme.
Ora, sendo a alma humana ativa por natureza, é indispensável que sua Fé aumente ou diminua. Ela aumenta se a alma avança no conhecimento do Pai e do Filho e do Espírito Santo, se a alma penetra melhor nas verdades do Credo, em uma palavra, se a alma progride no caminho da verdade.Mas como a Fé requer, juntamente com assentimento do espírito, o movimento de piedade da vontade que quer crer, evidentemente a Fé também pode e deve crescer pelo caminho da vontade que se submete cada vez mais docilmente, cada vez mais amorosamente à verdade divina. Assim, duas coisas ajudarão singularmente a Fé em seu progresso, a saber: a instrução e a piedade. A instrução, o cristão a encontrará na pregação, no Catecismo, nas leituras santas; a piedade consistirá sobretudo na fidelidade às promessas do batismo; o cristão ajudado pela oração e pelos sacramentos, crescerá na Fé.
Todo cristão que quer crescer na Fé, deve vigiar com redobrada atenção contra tudo que for capaz de enfraquecer a Fé. Ele deve tomar cuidado para não se deixar levar pelas máximas deste mundo, pois o mundo, enquanto mundo, só se ocupa das coisas sensíveis; a Fé, ao contrário, nos mostra o preço inestimável das coisas invisíveis. O mundo só vê o presente; a Fé, que nos esclarece tanto sobre o passado quanto sobre o presente, nos faz velar principalmente sobre o futuro. O mundo está todo voltado para os gozos da terra; a Fé nos ensina que este é o tempo das privações e das penitências e nos mostra que Deus é o único bem verdadeiro em que podemos repousar nossas almas e esperar os verdadeiros gozos.
É preciso pois velar para permanecer fiel, quer dizer, crente. E quem assim velar, verá infalivelmente crescer em sua alma as luzes tão doces, tão serenas da verdade eterna; e quanto mais entrar nesta luz, mais ele provará o quanto o Senhor é doce, o quanto é precioso e inestimável o dom da Fé. Ao contrário, toda alma que não velar, que se deixar embalar pelas promessas insignificantes de um mundo que nada tem, que nada sabe, que nada pode, toda alma que não velar, verá sua Fé diminuir para em seguida se perder completamente.
Se tivéssemos olhos para ver o lamentável espetáculo das almas que perdem a Fé, não teríamos lágrimas que chegassem para chorar tão grande infelicidade.
Alguns perdem a Fé logo depois do batismo; esses não receberam a instrução cristã necessária, e suas almas nunca fizeram o ato de Fé. Privado de seu ato, o habitus posto em suas almas no dia do batismo foi facilmente reduzido a nada. É muito raro que as almas que perderam a Fé nestas condições a tornem a encontrar. Elas tornam-se estranhas a Deus e a Nosso Senhor Jesus Cristo e vivem apenas uma vida terrestre, triste prelúdio de uma morte eterna.
Outros perdem a Fé pouco depois da primeira comunhão. Esses entram em um mundo descrente do qual não desconfiam, e imaginam que eles é que foram ingênuos por terem acreditado um pouco. Se chega o pecado mortal, coisa fácil de acontecer, será fácil também perder a Fé e fechar os olhos à pura luz que os havia tornado tão felizes no dia de sua primeira comunhão.
Ainda outros perdem a Fé nas escolas. Tanto escolas primárias como escolas superiores, fazem freqüentemente os batizados perderem a Fé. Aí não se ensina a conhecer o único e verdadeiro Deus, a saber o Pai e o Filho e o Espírito Santo; as escolas primárias têm como principal objetivo a formação do plural e do sistema métrico; às superiores só interessa o diploma de bacharel e de doutor. Sem falar daquelas onde se ensina consciente e propositadamente a impiedade, o indiferentismo ou mesmo o ateísmo.
Finalmente, há os que perdem a Fé pelos interesses materiais. Preocupados demais com os negócios, entregues inteiramente a especulações financeiras, esquecem seu batismo, negligenciam o cuidado com sua alma, não vivem mais da Fé, não velam mais para que sua Fé seja alimentada e perdem-na, talvez mesmo sem sentir.
Cartas sobre a Fé – Pe Emmanuel Andre – pags 9 e 10

Igreja celebra memória litúrgica de João Paulo II

Nesta terça-feira, 22, a Igreja celebra a memória litúrgica do beato João Paulo II. A data coincide com o início de seu ministério petrino, em 22 de outubro de 1978. Neste ano, a celebração ganhou um tom especial, já que fiéis em todo o mundo vivem a expectativa pela canonização do beato, que será em 27 de abril de 2014

Karol Jozef Wojtyla foi eleito Papa em 16 de outubro de 1978. Com um dos pontificados mais longo da história – quase 27 anos como Sucessor de Pedro - o Papa polaco cativou fiéis em todo o mundo com sua simpatia. 
Seu pontificado foi marcado por intensas atividades. Pode-se citar a conclusão da redação do Código de Direito Canônico, reformulado com base no Concílio Vaticano II, e a redação e promulgação do Catecismo da Igreja Católica (CIC). Em termos de número, visitou 129 países, escreveu 14 encíclicas, proclamou 476 santos e 1.318 beatos.
Uma atenção especial foi dedicada por João Paulo II à juventude. Em 1984, no Encontro Internacional da Juventude com o Papa, na Praça São Pedro, ele entregou aos jovens a Cruz, que seria um dos principais símbolos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), instituída por ele mesmo em 1985. 
O Pontífice também enfrentou momentos difíceis. Em 13 de maio de 1981, foi vítima de um atentado na Praça São Pedro. O tiro que o atingiu submeteu-o a uma delicada cirurgia com extração de parte do intestino. Em julho de 1992, precisou de uma nova internação hospitalar, desta vez para retirar um pequeno tumor também no intestino. Em 1994, em consequência de uma queda, fraturou o fêmur.
Após 84 anos de vida e quase 27 à frente da Igreja católica, João Paulo II morreu em 2 de abril de 2005. Ele foi beatificado em 1º de maio de 2011 em cerimônia presidida pelo então Papa Bento XVI na Praça São Pedro.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Esta foi a oração com a qual o Papa consagrou o mundo ao Imaculado Coração de Maria

Diante de 100 mil pessoas presentes no domingo, na Praça de São Pedro, o Papa Francisco consagrou o mundo ao Imaculado Coração da Virgem Maria. Esta é a oração de consagração que rezou o Santo Padre diante da imagem original da Virgem de Fátima que foi levada a Roma do seu santuário em Portugal:

Bem-aventurada Maria Virgem de Fátima,
com renovada gratidão pela tua presença materna
unimos a nossa voz àquela de todas as gerações
que te chamam bem-aventurada.

Celebramos em ti as grandes obras de Deus,
que jamais se cansa de prostrar-se com misericórdia
sobre a humanidade, afligida pelo mal e ferida pelo pecado,
para curá-la e para salvá-la.

Acolhe com benevolência de Mãe
O ato de consagração que hoje fazemos
com confiança, diante desta tua imagem
tão querida a nós.

Estamos certos de que cada um de nós é precioso aos teus olhos
e que nada é a ti estranho de tudo aquilo que habita em nossos corações.
Nos deixamos alcançar pelo teu dulcíssimo olhar
e recebemos o afago consolador do teu sorriso.

Protege a nossa vida entre os teus braços:
abençoa e reforça todo desejo de bem;
reaviva e alimenta a fé;
ampara e ilumina a esperança;
suscita e anima a caridade;
guia todos nós no caminho da santidade.
Ensina-nos o teu mesmo amor de predileção
Pelos pequenos e pelos pobres,
pelos excluídos e os sofredores,
pelos pecadores e os dispersos de coração:
reúne todos sob tua proteção
e os entrega ao teu Filho amado, o Senhor nosso Jesus.
Amém.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Rosário, uma arma contra as ciladas do demônio

A Igreja celebra neste 7 de outubro a festa de Nossa Senhora do Rosário, recordando a vitória dos cristãos na batalha de Lepanto
Fonte: padrepauloricardo.org
Foram várias as ocasiões, ao longo da história da Igreja, em que a assistência providencial da Virgem Maria fez com que os cristãos travassem o bom combate (cf. 2 Tm 4, 7) e guardassem intacto o "precioso depósito" da fé católica (2 Tm 1, 14).
Não se contentando em deixar aos homens o seu digno exemplo de mãe e discípula de Jesus, o Senhor presenteou a Sua Igreja com o dom inestimável do Santo Rosário. No final do século XII, para vencer a influente heresia dos albigenses (de matriz gnóstica, esta heresia chegava a negar a ressurreição de Jesus), São Domingos de Gusmão recorreu ao auxílio de Nossa Senhora. "Insigne pela integridade da doutrina, por exemplos de virtude e pelos seus labores apostólicos", escreve o Papa Leão XIII, Domingos confiou "não na força das armas, mas sobretudo na daquela oração que ele, por primeiro, introduziu sob o nome do santo Rosário, e que, ou diretamente ou por meio dos seus discípulos, depois divulgou por toda parte".
A grandeza desta devoção, já profundamente enraizada no espírito dos católicos de todo o mundo, reside especialmente em sua simplicidade. Nesta "escola de oração" – como a chamou o Papa Francisco, no Angelus deste domingo, os cristãos são chamados a configurar-se de modo mais perfeito a Jesus Cristo, meditando os mistérios de sua vida e haurindo deles a força para perseverar dia a dia na fé.
Era assim que o bem-aventurado João XXIII – cuja canonização se avizinha – ensinava os católicos a rezarem o Santo Terço: "Na oração do rosário, aquilo que conta é o movimento dos lábios em sintonia com a devota meditação de cada mistério". Mais do que simplesmente recitar Pai Nossos, Ave Marias e Glórias em uma "monótona sucessão das três orações" o que, em tempos de materialismo e irreligiosidade, já é louvável –, é importante que os cristãos façam sempre alguns momentos de silêncio, a fim de realizar a oração mental, sem a qual é impossível se santificar.
A partir destas lições, não é difícil entender por que os neoprotestantes dentro da Igreja estão totalmente equivocados quando dizem que o Rosário é uma oração excessivamente mariana – ou, no seu dizer, "mariocêntrica". É claro que as suas críticas são preocupações escrupulosas de quem teme ofender a Jesus honrando Sua santíssima Mãe. No entanto, nem isto justifica que se acoime o Santo Terço de "esquecer" ou "desprezar" Jesus. Basta rezar com o mínimo de diligência o Santo Rosário para perceber que o centro de toda a oração está na contemplação dos mistérios da vida de Jesus, desde a Sua encarnação no seio da Virgem até a Sua gloriosa ascensão aos céus. As Ave Marias são, sobretudo, coroas de rosas que se oferecem a Nossa Senhora, a fim de ornar com a sublimidade da saudação angélica os pilares fundamentais de nossa salvação.
A memória de Nossa Senhora do Rosário, instituída no século XVI pelo Papa São Pio V, é um retrato particularmente notável da força desta simples oração. Foi em Lepanto, no dia 7 de outubro de 1571, que os fiéis combatentes católicos, com a bênção do Santo Padre e a proteção da Virgem das Vitórias, venceram os turcos muçulmanos, que estendiam seu domínio por grande parte da Europa. A vitória rápida se deveu à grande confusão dos otomanos, que ficaram aterrorizados ao vislumbrar, acima dos mastros da esquadria católica, a imagem de uma Senhora de aspecto grandioso e ameaçador.
Assim como triunfou na batalha de Lepanto, a Igreja militante é chamada a recorrer continuamente à Mãe do Rosário, para vencer a guerra mais importante de todas – a que diz respeito à salvação das almas. E, assim, no Céu, todos entoarão a famosa frase que representou aquele grande combate marítimo: Non virtus, non arma, non duces, sed Maria Rosarii victores nos fecit – Nem as tropas, nem as armas, nem os combatentes, mas a Virgem Maria do Rosário é que nos deu a vitória.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

A paz franciscana não é um sentimento piegas

fonte: Radio vaticana

Uma imensa multidão participa na Missa celebra pelo Papa Francisco, em Assis, junto das basílicas do Santo. Na homilia, o Papa evocou o exemplo concreto de São Francisco, com a sua “maneira radical de imitar a Cristo”. “O amor pelos pobres e a imitação de Cristo são dois elementos indivisivelmente unidos, duas faces da mesma medalha” - insistiu. Qual é hoje o testemunho que ele nos dá? – interrogou-se o Papa, observando que a primeira coisa, a realidade fundamental de que São Francisco nos dá testemunho é esta: ser cristão é uma relação vital com a Pessoa de Jesus, é revestir-se d’Ele, é assimilação a Ele”. E isso “começa do olhar de Jesus na cruz”.
“Deixar-se olhar por Ele no momento em que dá a vida por nós e nos atrai para Ele. Francisco fez esta experiência, de um modo particular na pequena igreja de São Damião, rezando diante do crucifixo.”
“Voltamo-nos para ti, Francisco, e te pedimos: ensina-nos a permanecer diante do Crucifixo, a deixarmo-nos olhar por Ele, a deixar-nos perdoar, recriar pelo seu amor”.
Um segundo aspecto do testemunho de São Francisco recordado pelo Papa na sua homilia foi o seguinte: “quem segue a Cristo, recebe a verdadeira paz, a paz que só Ele, e não o mundo, nos pode dar”. “Qual é a paz que Francisco acolheu e viveu e que nos transmite? É a paz de Cristo, que passou através do maior amor, o da Cruz. É a paz que Jesus Ressuscitado deu aos discípulos”.
O Papa fez notar que “a paz franciscana não é um sentimento piegas” “Por favor, este São Francisco não existe!”“A paz de São Francisco é a de Cristo, e encontra-a quem toma sobre si o seu jugo, isto é, o seu mandamento: Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”.
Finalmente, terceiro aspecto do testemunho de Francisco de Assis recordado pelo Papa na homilia da missa, “o amor por toda a criação, pela sua harmonia”:“O Santo de Assis dá testemunho do respeito por tudo o que Deus criou e que o homem é chamado a guardar e proteger, mas sobretudo dá testemunho de respeito e amor por todo o ser humano”.
E foi neste contexto, quase a concluir a sua homilia, que o Papa Francisco lançou um solene apelo à paz e ao respeito pela criação: “Daqui, desta Cidade da Paz, repito com a força e a mansidão do amor: respeitemos a criação, não sejamos instrumentos de destruição! Respeitemos todo o ser humano: cessem os conflitos armados que ensanguentam a terra, calem-se as armas e que, por toda a parte, o ódio dê lugar ao amor, a ofensa ao perdão e a discórdia à união. Ouçamos o grito dos que choram, sofrem e morrem por causa da violência, do terrorismo ou da guerra na Terra Santa, tão amada por São Francisco, na Síria, em todo o Médio Oriente, no mundo.”
Este o texto integral da homilia do Papa:


Por que tu, Francisco?

Fonte: franciscanos.org.br
Por dois anos o corpo de Francisco repousou na simples igrejinha de São Jorge, onde ele, em criança, havia aprendido a ler e, depois dos anos de deserto, falou pela primeira vez aos seus amigos e concidadãos. O repouso, porém, não durou muito. Tendo sido eleito Papa, o protetor de Francisco, Hugolino (Gregório IX), sentiu-se chamado a glorificar o seu protegido. Começou o processo de canonização que ele confiou – teria sido um desafio – aos cardeais a respeito dos quais havia antigamente prevenido Francisco; terminou-o com a canonização. Em seguida, deu ordem para que fosse construída uma basílica em honra de Francisco, como centro de um culto universal. Deixou a execução nas mãos de seu parceiro de espírito, Frei Elias: este planejou uma obra genial, que ainda hoje causa admiração aos arquitetos: uma construção monumental à beira duma colina; foi concluída em dois anos.
No dia 25 de maio de 1230, o corpo de Francisco foi transportado, em circunstâncias curiosas, para a basílica, onde até agora descansa na cripta da igreja inferior.
Quem pergunta se nisso se agiu segundo o espírito do Poverello, visite a basílica e vá, depois, à Igrejinha de São Damião, a fim de se convencer de que um profeta, depois de morto, se torna impotente nas mãos de seus admiradores. Isto não quer dizer que Hugolino e Elias foram propositalmente infiéis a Francisco. Estavam simplesmente convencidos de que este profeta do Evangelho devia continuar a viver na história e ninguém poderá negar que o seu plano teve êxito. Quem já visitou Assis, sabe que cada dia chegam ao grande pátio diante da basílica ônibus e carros de turismo estrangeiros e incessantemente descem à cripta, passando pela igreja inferior, romeiros e turistas. O irmão Masseo abanaria a sábia cabeça mais uma vez: “Por que todo mundo corre atrás de ti, Francisco? E justamente atrás de ti?”
É uma pergunta que também a nós nos preocupa. Como é possível que num tempo em que tantos profetas apregoam a sua visão da vida, a visão de um medieval ainda atraia milhares de pessoas? Nesta nossa reflexão final não temos a intenção de examinar mais uma vez todas as facetas da vida de Francisco. Trata-se de algo mais profundo. Sendo que ele, sete séculos após sua morte, ainda empolga cristãos e não-cristãos, não se pode atribuir isso somente à basílica ou às paredes dela, que se tornaram um enorme afresco nas mãos dos artistas.
Este homem simples deve ter revelado do fundo de sua personalidade alguma coisa que ainda hoje dá uma resposta à questão fundamental da vida. Demonstrou, de modo atraente, como uma pessoa que nada possui, que não tem poder nem cultura especial, pode dar um sentido sublime à existência no cosmos.
Foi o sentido que muitos pensadores de nosso tempo não souberam encontrar. Jean Paul Sartre conta em sua autobiografia “Lês Mots” que, certa vez, quando criança, ao brincar, se sentiu como um viajante sem bilhete de viagem. Anos mais tarde, após ter passado por “uma dolorosa fase de longa duração” (ateísmo), volta ao mesmo assunto: “Sou outra vez o viajante sem bilhete de viagem, dos meus sete anos”. Francisco passou também por um doloroso processo. Sabia, porém, para onde ia. Ele tinha um bilhete de viagem. A direção para uma só finalidade da vida tinha para ele uma universalidade singular. Tudo que ele sentia de amor no cosmos, de maravilhas, de beleza, mas também de sofrimento e miséria, levava-o espontaneamente ao mistério insondável no qual repousa o cosmos. O seu relacionamento com o mendigo ou com o leproso, com o animal ou com os elementos da natureza, adquiria uma dimensão infinita, pois tudo isso atingia as questões básicas da existência: de onde? Por quê? Para Onde? E a razão por que este profeta até hoje causa admiração ou simpatia em muitas pessoas, está na sua resposta: de Deus, por causa de Deus, para Deus.
Trecho do livro “Francisco de Assis, Profeta de Nosso Tempo”, N. G. Van Doornik, da Editora Vozes.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Cresce em Assis a expectativa pela visita do Papa Francisco

Canção Nova
A cidade de Assis, região da Úmbria, na Itália, se prepara para receber o Papa Francisco nesta sexta-feira, 4. Na pequena cidade, a data já é significativa por ser memória litúrgica do "Pobre de Assis" e, desta vez, terá um outro Francisco para completar a festa.
O guardião do Sacroconvento de Assis, Frei Mauro Gambetti. destaca que trabalho e oração marcam os preparativos na cidade. “Estamos vivendo uma experiência de colaboração mútua: a Diocese, as famílias franciscanas e a prefeitura. Estamos trabalhando juntos para tornar a cidade e os locais santos muito acolhedores”, ressalta o frei. 
A visita será de apenas um dia, porém cheia de compromissos. Um dos momentos principais será o encontro com crianças portadores de deficiência e com os enfermos do Instituto Seráfico. Em seguida, o Papa se encontrará com a população carente na Caritas da cidade, para o almoço. 
Segundo Frei Mauro, o Santo Padre percorrerá os “locais de Francisco”, como uma peregrinação espiritual. “Essa proximidade do Papa nos ensina, nos estimula, a nós freis franciscanos em primeiro lugar, mas a toda nação. É o que ele tem feito desde o início de seu Pontificado”, comenta o frei. 
Na praça principal, o Papa celebrará a Missa após a visita privada ao túmulo de São Francisco, onde permanecerá um tempo para a veneração. Na programação ainda estão previstas visitas à Porciúncula, e ao Eremitério "delle Carcere".
No final da tarde, o Papa recebe os jovens em frente a Basílica Santa Maria dos Anjos, e terá ainda um encontro com o clero, religiosos e religiosas da Diocese na Catedral de São Rufino. Além de um encontro com as monjas de clausura da Basílica de Santa Clara. 
"O Papa Francisco nos faz mais responsáveis pela vocação que recebemos. Estamos procurando redescobrir nossa missão, viver com coerência e aprofundar nossa vida de conversão”, conclui Frei Gambetti.

Dois novos santos!

Canção Nova

João Paulo II e João XXIII, novos santos a partir de 27 de abril de 2014

Os beatos João XXIII e João Paulo II serão canonizados em 27 de abril de 2014. A data foi anunciada nesta segunda-feira, 30, em Consistório ordinário público presidido pelo Papa Francisco.
A reunião do Papa com os cardeais aconteceu às 10h (horário em Roma) com os cardeais presentes em Roma. A data escolhida coincide com o segundo domingo do tempo pascal, da Divina Misericórdia, celebração instituída por João Paulo II e na véspera da qual o Papa polaco faleceu, em 2005.
Durante a viagem de regresso do Brasil em julho, o Papa Francisco justificou a decisão de juntar no mesmo dia a canonização dos seus dois predecessores: "Fazer a cerimônia de canonização dos dois juntos quer ser uma mensagem para a Igreja: estes dois são bons, eles são bons, são dois bons".
Francisco reconheceu oficialmente um segundo milagre de João Paulo II em julho, depois de ter recebido o parecer favorável da Congregação para as Causas dos Santos, o que vai permitiu avançar com a canonização do beato polaco. O Vaticano não deu qualquer informação sobre a natureza deste segundo milagre.
No mesmo dia, Francisco aprovou a canonização de João XXIII, falecido há 50 anos, após ter recebido o parecer favorável da Congregação para as Causas dos Santos, dispensando o reconhecimento de um novo milagre.
João Paulo II
João Paulo II foi proclamado beato por Bento XVI em 1º de maio de 2011, na Praça de São Pedro.
A penúltima etapa para a declaração da santidade, na Igreja Católica, concluiu uma primeira fase de trabalhos, iniciada em maio de 2005, incluindo o processo relativo à cura da freira francesa Marie Simon-Pierre, que o Vaticano considerou um milagre, depois do repentino desaparecimento da doença de Parkinson na religiosa.
Karol Jozef Wojtyla, eleito Papa a 16 de outubro de 1978, nasceu em Wadowice (Polônia), em 18 de maio de 1920, e morreu no Vaticano, em 2 de abril de 2005.
A Igreja Católica celebra a memória litúrgica de João Paulo II em 22 de outubro, data que assinala o dia de início de pontificado de Karol Wojtyla, em 1978, pouco depois de ter sido eleito Papa.
João XXIII
Angelo Giuseppe Roncalli nasceu em 1881 na localidade de Sotto il Monte, Bérgamo, onde foi pároco, professor no Seminário, secretário do bispo e capelão do exército durante a I Guerra Mundial.
João XXIII iniciou a sua carreira diplomática como visitador apostólico na Bulgária, de 1925 a 1935; foi depois delegado apostólico na Grécia e Turquia, de 1935 a 1944, e Núncio Apostólico na França, de 1944 a 1953. 
Em 1953, Angelo Roncalli foi nomeado patriarca de Veneza e no dia 28 de outubro de 1958 foi eleito Papa, sucedendo a Pio XII.
João XXIII foi declarado beato pelo Papa João Paulo II no dia 3 de setembro de 2000

São Jerônimo - 30 de setembro

Fonte: Cleofas
O século IV depois de Cristo, que teve o seu momento culminante no ano de 380 com o edito do imperador Teodósio no qual se estabelecia que a fé cristã devia ser adotada por todas as populações do império, está repleto de grande figuras de santos: Atanásio, Hilário, Ambrósio, João Crisóstomo, Basílio e Jerônimo, dálmata, nascido entre 340 e 350 na cidadezinha de Strido. Romano de formação, São Jerônimo é um espírito enciclopédico. Sua obra literária nos revela a cada instante o filósofo, o retórico, o gramático, o dialético, capaz de escrever e pensar em latim, em grego, em hebraico, escritor de estilo rico, puro e robusto ao mesmo tempo. A ele devemos a tradução em latim do Antigo e Novo Testamento, que se tornou, com o título de Vulgata, a Bíblia oficial do cristianismo. Jerônimo é uma personalidade fortíssima: em toda parte por onde vai suscita entusiasmos ou polêmicas. Em Roma ataca os vícios e hipocrisias e preconiza também novas formas de vida religiosa, atraindo para elas algumas influentes damas patrícias (de Roma), que o seguiram depois na vida eremítica de Belém. A fuga da sociedade deste exilado voluntário era um gesto ditado por um sincero desejo de paz interior, não sempre duradouro, uma vez que, para não ser esquecido, reaparecia, de vez em quando com algum novo livro. Os “rugidos deste leão do deserto” eram ouvidos tanto no Ocidente como no Oriente. Suas violências verbais não perdoavam ninguém. Teve palavras duras para com Ambrósio, com Basílio e com o próprio Agostinho, que teve de engolir amargos bocados. Isso é confirmado pela correspondência entre os dois grandes doutores da Igreja, chegada a nós quase inteira. Mas sabia aliviar as intemperanças do seu caráter quando ao polemista prevalecia o diretor espiritual. Toda vez que terminava um livro ia fazer uma visita às monjas que dirigia na vida ascética num mosteiro não distante do seu. Ele as escutava, respondendo às suas perguntas. Estas mulheres inteligentes e vivas foram como um filtro às suas explosões menos oportunas e ele as recompensava com o sustento e o alimento de uma cultura espiritual bíblica. Este homem extraordinário estava consciente de suas próprias culpas e de seus limites (batia-se no peito com pedras por causa dos seus pecados), mas estava consciente também dos seus merecimentos. No livro Homens Ilustres, onde apresenta um perfil biográfico dos homens ilustres, conclui com um capítulo dedicado a ele mesmo. Morreu aos 72 anos, em 420, em Belém.

Outros Santos do mesmo dia: Santo Gregório o Iluminador, Santo Honório de Cantuaria, Santo Simão de Crépy, Santo Amato de Nusco, Santo Antonio Placenza, Santa Greca, Beato João Nicolau Cordier.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A infância espiritual de Santa Teresinha do Menino Jesus

Pe. Paulo Ricardo
O conceito de "infância espiritual" existe na Igreja desde o seu começo. Basta ir ao Evangelho e notar que a condição que Jesus estabelece para que seus discípulos entrem no Reino dos céus é que se transformem em criancinhas (cf. Mt 18, 3). Esta verdade foi desenvolvida por muitos teólogos medievais, mas só atingiu seu cume em uma jovem carmelita do século XIX, Teresa de Lisieux, também conhecida como Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face.
A "infância espiritual", este tesouro da espiritualidade católica, é vivenciada por todos aqueles que buscam a Deus e querem ser santos. A despeito das tendências jansenistas da França oitocentista, Santa Teresinha tinha consciência daquilo os padres do Concílio Vaticano II chamariam de "a vocação de todos à santidade na Igreja". Nesta, diz a constituição Lumen Gentium, "todos (...), quer pertençam à Hierarquia quer por ela sejam pastoreados, são chamados à santidade, segundo a palavra do Apóstolo: 'esta é a vontade de Deus, a vossa santificação' (1 Ts 4, 3; cf. Ef 1, 4)".

Deus chama à santidade não somente as grandes almas, mas também "une légion de petites âmes – uma legião de almas pequeninas", escreve Santa Teresa, no manuscrito B do livro "História de uma alma". Neste clássico da espiritualidade cristã, ela traça os moldes de sua doutrina da "pequena via", através de uma simples parábola:
"Como pode uma alma tão imperfeita como a minha aspirar à plenitude do Amor?... Ó Jesus! meu primeiro, meu único Amigo, Tu que amo UNICAMENTE, dize-me que mistério é esse. Por que não reservas essas imensas aspirações para as grandes almas, para as águias que planam nas alturas?... Considero-me apenas um mero passarinho coberto de leve penugem, não sou uma águia, só tenho dela os olhos e o coração, pois apesar da minha extrema pequenez ouso fixar o Sol Divino, o Sol do Amor, e meu coração sente em si todas as aspirações da águia..."
Santa Teresinha contempla os grandes santos – as águias – e vê a sua pequenez, comparando-se a "um mero passarinho coberto de leve penugem". No entanto, ela percebe em si uma contradição: não é uma águia, mas "sente em si todas as aspirações" de uma águia; não é majestosa como ela, mas tem os seus olhos e o seu coração.
No dia 6 de agosto de 1897, em confidência à sua irmã Inês, Teresa explicou "o que ela entendia por 'permanecer criancinha' perante o bom Deus":
"É reconhecer o seu nada, é esperar tudo do bom Deus, assim como uma criança pequena espera tudo do pai; é não se preocupar com nada e, de modo algum, fazer fortuna. Mesmo entre os pobres, dá-se à criança o que lhe é necessário, mas assim que ela cresce o pai não quer mais alimentá-la, dizendo-lhe: 'Agora vá trabalhar, você pode se sustentar'."
"Foi para não escutar isso que eu não quis crescer, sentindo-me incapaz de ganhar a vida, a vida eterna do Céu. Permaneci, então, sempre pequena, tendo uma só ocupação: colher flores, as flores do amor e do sacrifício, oferecendo-as ao bom Deus, para seu agrado."
No crescimento espiritual, há uma lei contrária à do crescimento físico. Naquele, deve prevalecer sempre o primado da graça, pelo qual a pessoa se torna cada vez mais dependente de Deus. O santo, quanto mais santo, mais depende d'Ele, mais reconhece sua dependência e sua pequenez.
Porém, sabendo que "é necessário entrarmos no Reino de Deus por meio de muitas tribulações" (At 14, 22), este processo não se dá sem sofrimento. Para se chegar à plena "infância espiritual", é preciso passar pela noite escura da alma, pela purificação. Prossegue Santa Teresinha, no manuscrito B de seu livro:
"O passarinho quer voar para esse Sol brilhante que encanta seus olhos, quer imitar as águias, suas irmãs, que vê chegar ao lar divino da Trindade Santíssima... ai! o que pode fazer é bater as asinhas, voar, porém, não está em seu pequeno alcance! O que será dele? Morrer de tristeza por se ver tão impotente?... Oh não! o passarinho nem vai ficar aflito. Com total abandono, quer ficar olhando seu divino Sol; nada poderá assustá-lo, nem o vento nem a chuva, e se nuvens escuras vierem esconder o Astro de Amor o passarinho não trocará de lugar. Sabe que, além das nuvens, seu Sol continua brilhando, que seu brilho não cessará. Às vezes, o coração do passarinho é vítima de tempestade, parece não acreditar que existem outras coisas além das nuvens que o envolvem. Esse é o momento da felicidade perfeita para o pobre serzinho frágil. Que felicidade ficar aí, assim mesmo; fixar a luz invisível que escapa à sua fé!!!..."
Em certos momentos, o passarinho se aflige e é tentado pela incerteza, pela dúvida: será que existe o Sol, além das densas nuvens que pairam no ar? Será possível ver o amor de Deus nesta vida crucificada e cheia de sofrimentos? A alma, então, se lança totalmente nos braços de Deus, como uma criança inteiramente dependente de seus pais, e é-lhe dada a certeza da fé. Ela diz:meu Deus, eu não vos compreendo, mas eu vos amo.
A "infância espiritual" também consiste em não dar demasiada importância aos próprios pecados. Ainda em confidência à sua irmã, Teresinha revela:
"Ser criança é ainda não atribuir a si própria as virtudes praticadas, acreditando-se capaz de alguma coisa; é reconhecer que o bom Deus coloca este tesouro na mão de sua criancinha para que ela se sirva dele quando precisar; mas é sempre o tesouro do bom Deus. Enfim, é nunca desanimar por causa de seus erros, pois as crianças caem com frequência, porém são pequenas demais para se machucar muito."
A experiência de Santa Teresinha do Menino Jesus convida os cristãos a se tornarem como crianças, pois "o Reino dos céus é para aqueles que se lhes assemelham" (Mt 19, 14).